Joana Gama - Música Callada

29 Set. 2019

A pianista portuguesa Joana Gama interpreta Música Callada do compositor Federico Mompou, uma obra de referência do reportório pianístico, que exalta as possibilidades expressivas do piano e traduz os sentimentos mais profundos do autor.

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Obra-prima do compositor catalão Federico Mompou, Música Callada é um longo ciclo para piano constituído por 28 peças, compiladas em quatro cadernos, entre 1959 e 1967. A obra foi inspirada nos versos do "Canto espiritual entre el alma y Cristo su Esposo", do frade carmelita e poeta místico espanhol São João da Cruz, desde logo com destaque para a escolha do título: "La música callada, / La soledad sonora...".
Mompou estudou e viveu alternadamente entre Barcelona e Paris, tendo regressado definitivamente à sua cidade natal em 1941. A sua escrita parcimoniosa demarca-se do atonalismo e do serialismo, em crescendo na época, tendo sido influenciada pelo nacionalismo espanhol, bem como por compositores como Claude Debussy, Maurice Ravel ou Erik Satie. Mompou representa notoriamente um posterior desenvolvimento em relação à música de Satie, compondo obras delicadas e aforísticas, onde a contenção é um aspeto fundamental.
Grande parte das peças de Música Callada ocupa apenas duas ou três páginas de música depurada, onde o jogo dinâmico é delicado e suave. Embora extremamente económica nos seus meios, a obra não é no entanto fácil de interpretar. Pelo contrário, representa um teste à concentração do pianista e à sua contenção dinâmica durante largos períodos. Acerca desta obra, o próprio Mompou referiu: "a sua missão é a de alcançar os profundos recantos das nossas almas e os domínios escondidos da força vital dos nossos espíritos. Esta música é silenciosa ("Callada") se for ouvida interiormente".
Resumo do pensamento musical de Mompou, Música Callada exalta as possibilidades expressivas do piano e traduz os sentimentos mais profundos do autor.

Joana Gama (Braga, 1983) é uma pianista que se desdobra em múltiplos projetos quer a solo, quer em colaborações nas áreas do cinema, da dança, do teatro, da fotografia e da música. Em 2010, na classe de António Rosado, concluiu o Mestrado em Interpretação na Universidade de Évora, instituição onde defendeu, em 2017, a tese de doutoramento "Estudos Interpretativos sobre música portuguesa contemporânea para piano: o caso particular da música evocativa de elementos culturais portugueses".
Como pianista e performer, tem estado envolvida em projetos que associam a música às áreas da dança, da fotografia e do vídeo e do cinema. Em 2016, com o apoio da Antena 2, dedicou-se a SATIE.150 - Uma celebração em forma de guarda-chuva, que assinalou, em Portugal, os 150 anos do nascimento do compositor francês Erik Satie.
Em 2017 estreou três projetos que apresentou em itinerância: Nocturno, peça sobre a noite no universo infantil; at the still point of the turning world, em colaboração com Luís Fernandes; e um novo capítulo do seu trabalho à volta de Satie: o recital Love Satie e Eu gosto muito do Senhor Satie, recital comentado para crianças. Em 2018 tocou Vexations, de Erik Satie, durante 14 horas, na Fundação Calouste Gulbenkian.

duração total 1h 9m
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