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'O trauma da Noite Sangrenta reforça o desejo de ordem sentido por muitos', nota a historiadora Maria Alice Samara a propósito da matança registada em Lisboa, em 19 de abril de 1921. Num dos momentos mais violentos da Primeira República, um grupo de marinheiros e militares da GNR assassina o chefe do governo demissionário, António Granjo e dois heróis do 5 de outubro, Carlos da Maia e Machado Santos, entre outros. Na sequência deste episódio, com o desarmamento da GNR, 'a República fica sem a guarda pretoriana que a defendia', sublinha o historiador Rui Tavares. Com o debate político a fumegar por causa da polémica em torno do monopólio do negócio do tabaco, a agitação social aumenta, com greves e atentados bombistas.
Muitos denunciam que a República persegue com mais ferocidade os trabalhadores do que os golpistas que tentavam derrubá-la. Rui Tavares lembra a propósito, o modo como decorreu o julgamento dos envolvidos no golpe de 18 de abril de 1925, uma espécie de ensaio geral para a ação militar triunfante do ano seguinte. Em maio de 1926, Gomes da Costa assume o comando da sublevação, a partir de Braga, mas embora exista um quase consenso quanto à necessidade de acabar com a 'ditadura do Partido Democrático', os militares não estão todos no mesmo barco
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