11 Abr 2026
Espetáculo de dança contemporânea, com coreografia de Victor Hugo Pontes, uma viagem poética pela memória, o corpo e o tempo
Victor Hugo Pontes propõe uma viagem poética pela memória, o corpo e o tempo. Criado em colaboração com os intérpretes da Companhia Maior, artistas seniores com percursos de vida e de palco profundamente marcantes, o espetáculo reflete sobre o envelhecimento e a permanência do gesto artístico, entre a fragilidade e a persistência da criação.
A peça desenha um território íntimo, entre o movimento e a palavra, onde se cruzam lembranças, fragmentos de infância e o presente das presenças que resistem. Uma celebração do corpo enquanto arquivo de experiências e da dança como gesto de continuidade e partilha. Em cena, corpos de diferentes idades sobrepõem-se para evidenciar o contraste, por um lado, mas também para elogiar a beleza do físico amadurecido: um corpo na dança que perdeu força e velocidade, mas que comporta memória existencial e ganhou definição e intenção. As gerações mais novas criam um espelho que nos permite refletir sobre o que ainda somos, daquilo que fomos... um gatilho do passado, para o futuro em aberto, num presente onde, como escreveu Manuel António Pina, "as cicatrizes do coração permanecem", em que o esquecimento é também sabedoria e a infância reaparece, refinada.