Paulo Sérgio

FCPorto: 4 X 0=0

É preciso recuar quase quarenta anos para se encontrar uma seca de golos para o lado do Dragão – na altura chamava-se Antas – como aquela que se vive atualmente. Por aquilo que se viu, nas últimas duas partidas com o Belenenses – Liga e Taça da Liga – começa a ser um assunto que só mesmo Sigmund Freud, o pai da psicanálise, pode ajudar a resolver. Cinco empates seguidos, quatro dos quais sem conseguirem marcar qualquer golo, é absolutamente mortífero para qualquer equipa, principalmente para uma das que luta sempre pelo título e está habituada a ganhar. Não espanta, por isso, que os lenços brancos já comecem a aparecer e que a liderança de Nuno Espírito Santo comece a ser posta em causa.

Neste espaço, já por várias vezes escrevi que este FCPorto é uma equipa jovem e em formação e que, por isso, precisa de tempo para chegar aos níveis de maturidade e equilíbrio que os outros dois grandes candidatos ao título – Benfica e Sporting – têm apresentado. Foi por isso que no início da temporada não a coloquei no mesmo patamar da dupla lisboeta. É verdade que o talento não tem idades e André Silva, Oliver Torres, Diogo Jota e Corona, por exemplo, têm-no para dar e vender, mas a experiência que uns apresentam não é a mesma que os outros e isso nota-se. Nota-se ainda mais quando as coisas não correm bem.

Ao longo dos anos de sucesso dos Dragões – e foram muitos – a equipa sempre dispôs de flanqueadores que faziam a diferença e serviam os avançados que só se preocupavam em marcar golos. A lista é tão grande que basta recordar Futre, Jaime Magalhães, Cristián Rodriguez, Mariano Gonzalez, Quaresma ou mesmo Hulk. Mas, agora, onde andam os extremos do FCPorto? Pura e simplesmente ou não existem – porque não joga Brahimi? – ou se existem estão escondidos e gostam de pisar terrenos mais interiores. Até Corona – um talento puro – gosta é de sair da ala para o meio e tentar o remate. Quem serve André Silva ou Depoitre? Ninguém! A coisa torna-se ainda mais complicada quando Oliver ou Diogo Jota não acertam, como tem acontecido e, causa efeito, os golos não aparecem.

Ver André Silva andar à procura da bola, longe da zona da decisão – da baliza adversária – tornou-se um dó de alma. O avançado do FCPorto é já uma certeza do futebol nacional – a seleção portuguesa vai ter um ponta-de-lança para os próximos dez anos – e isso será ainda mais evidente quando encontrar quem dele possa retirar tudo o que tem. Quando isso acontecer estaremos em presença de uma verdadeira máquina de marcar golos. Agora longe da baliza ou obrigá-lo a andar que nem um doido à procura da bola é reduzir o seu talento e a sua eficácia a menos de metade.

Nuno Espírito Santo tem vindo a avisar que a qualquer momento as coisas vão mudar e que os jornalistas vão deixar de falar na falta de eficácia da equipa. Está apenas nas suas mãos mudar as coisas - parece-me o discurso do kechup de Ronaldo no mundial da África do Sul – até porque os dragões têm, este fim-de-semana, uma possibilidade para começarem a atalhar caminho. O Sporting de Braga que os ultrapassou na classificação e subiu ao terceiro lugar do campeonato é o adversário ideal para aferir das reais capacidades dos azuis e brancos. Ou fazem pela vida ou vão mesmo parar ao divã do psicanalista.

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