Controlo espacial indiano perde contacto com sonda lunar

por Nuno Patrício - RTP
Interpretação artística do módulo Vikram na superfície lunar. Foto: ISRO/DR

A Índia perdeu o contato com o módulo lunar Vikram que deveria ter alunado esta sexta-feira na região polar da Lua. Uma anomalia que pode ter deitado por terra os sonhos indianos de se tornarem o quarto país a pousar com sucesso uma sonda no satélite natural da Terra.

A sonda de nome Chandrayaan-2 estava já em fase descendente quando o Centro Espacial Satish Dhawan, em Sriharikota, Índia perdeu o contato.

O módulo Vikram tinha efetuado a fase de separação da nave orbital com sucesso no dia 2 de setembro, tendo acionado os propulsores para desacelerar e tentar a complicada operação de alunagem que a própria ISRO chamou de "15 minutos de terror". E foi justamente neste intervalo em que o contato foi perdido.

Após várias tentativas de comunicação a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), que projetou a sonda informava, por volta das 16h48 EDT (2048 GMT), do que estava a acontecer.
Foto: ISRO/DR


K. Sivan, diretor da ISRO referiu que a descida do Vikram estava a correr de acordo com o planeado e o desempenho era normal até uma altitude de 2,1 quilómetros. Mas de repente as comunicações entre a sonda e a estação terrestre foram interrompidas. Sivan afirma que agora todos os técnicos que acompanharam a missão estão a analisar os dados.

O diretor do ISRO não especificou quando é que voltariam a ter mais informações sobre o destino da Vikram. De acordo com os dados enviados pela sonda, durante a manobra de descida, a informação da altitude mais baixa que chegou à Terra era de 330 metros acima da superfície lunar.

Fonte: ISRO/DR

O gráfico dos dados recolhidos ao vivo da trajetória da missão sugeria que o Vikram estava a cerca de um quilómetro, horizontalmente, do local onde iria alunar quando as comunicações pararam.

Presente na sala da missão, o primeiro ministro indiano Narendra Damodardas Modi, acompanhou com tristeza este acontecimento, e fez saber através do Twitter a sua opinião.



"A Índia tem orgulho de nossos cientistas!" escreveu Modi logo após saber do problema com a sonda. "Eles deram o melhor de si e deixaram a Índia orgulhosa. Estes são momentos para sermos corajosos, e seremos corajosos!"

"Continuamos esperançosos e continuaremos trabalhando duro em nosso programa espacial", acrescentou.



India queria pousar onde nenhuma outra sonda esteve anteriormente

O Chandrayaan-2 iria realizar um sonho espacial indiano e tornar o quarto país a pousar na superfície lunar, depois dos Estados Unidos, Rússia e China. Este acidente com sonda Vikram ocorre pouco tempo depois da primeira missão lunar de Israel, Beresheet , ter tido um destino semelhante.

A sonda indiana lançada no passado dia 22 de julho era composta por três componentes - um satélite que orbitará a Lua, o modulo Vikram que alunaria na Lua que transportava um rover de nome Pragyan.

O Chandrayaan-2 realizou uma viagem de sete semanas e chegou à órbita lunar no dia 20 de agosto, tendo o módulo de alunagem [Vikram] começado a sua manobra de descida no dia 2 de setembro.

O Vikram e o Pragyan foram projetados para funcionar apenas durante um dia lunar - cerca de 14 dias terrestres - investigando a superfície lunar com uma variedade de instrumentos científicos. Esperava-se que ambos deixassem de funcionar quando a luz solar deixasse de incidir sobre os equipamentos, porque os mesmos não foram construídos para resistir às temperaturas frias da noite lunar.

Apesar do desaparecimento dos dois veículos espaciais, o Chandrayaan-2 continuará a estudar a lua, em órbita, pelo período um ano.

O possível fracasso desta missão pode marcar a segunda vez que a ISRO pousou uma sonda na Lua. A primeira missão lunar do país, Chandrayaan-1 , foi lançada em 2008 e consistia em apenas um orbitador, que conduziu com sucesso pesquisas vitais na lua, e uma pequena sonda que foi enviada para se esmagar na Lua. O Chadrayaan-1 operou por cerca de 10 meses.

O Chandrayaan-2 tem algumas semelhanças com o Chandrayaan-1 , mas trazia tecnologias novas e aprimoradas que o ISRO está a testar para futuras missões planetárias, com objetivo de estudar Marte.

A Índia anunciou já planos preliminares para lançar uma terceira missão à lua chamada Chandrayaan-3 em 2024, que incluiria um veículo espacial lunar, tal como nesta missão.


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