Português em investigação de ondas gravitacionais

por RTP

O Prémio Nobel da Física de 2017 foi atribuído a três cientistas norte-americanos pelas suas contribuições decisivas para o detetor LIGO e a observação das ondas gravitacionais, mas a Europa não pretende ficar para trás nesta nova era da Astrofísica, que irá revolucionar o entendimento do Cosmos. A Agência Espacial Europeia (ESA) está a preparar uma versão ultramoderna do LIGO – a LISA. A Europa formou este ano um consórcio, no âmbito do programa Horizonte 2020, que é liderado por um investigador português.

O consórcio, que irá estudar todos os aspetos teóricos de buracos negros e ondas gravitacionais, inclui 23 países e 100 cientistas europeus. Vítor Cardoso, professor e investigador do Centro Multidisciplinar de Astrofísica e Gravitação (Centra) do Instituto Superior Técnico (IST), lidera o Consórcio Europeu em astrofísica e ondas gravitacionais.

O Departamento de Física do IST, através dos professores associados à área científica e o CENTRA, têm contribuído com trabalhos publicados em física e astrofísica de buracos negros e de estrelas de neutrões, com organização de inúmeras conferências internacionais nesta área.

A investigação sobre buracos negros e ondas gravitacionais no CENTRA é coordenada quer pelo Professor José Sande Lemos quer pelo professor Vítor Cardoso, tendo este último recebido duas bolsas do European Research Council para aprofundar a investigação nesta área.

“O nosso trabalho tem reconhecimento internacional como mostram o alto fator de impacto das revistas em que publicamos e o excecional número de citações que temos”, destacou ainda o presidente do CENTRA.
LISA iniciará atividade em 2029
A LISA é um detetor de ondas gravitacionais que vai voar no espaço, mas será muito mais sensível do que o LIGO. Portugal faz assim parte do consórcio LISA, que deverá iniciar a sua atividade em 2029.

Nos próximos anos espera-se compreender melhor o mecanismo de produção de ondas gravitacionais e da formação e evolução de buracos negros no Universo.

O Prémio Nobel da Física de 2017 agora atribuído aos três cientistas norte-americanos pelas suas contribuições decisivas para o detetor LIGO e a observação das ondas gravitacionais veio cumprir uma previsão de Albert Einstein e despoletar uma nova maneira de explorar os céus.

“A descoberta é fantástica. Há 100 anos que Einstein percebeu que existiam soluções de ondas gravitacionais na sua teoria da relatividade geral”, explicou o professor José Sande Lemos, Presidente do Centro Multidisciplinar de Astrofísica (CENTRA) do Instituto Superior Técnico, docente do departamento de Física e também investigador da área.

“Há mais de 50 anos que os investigadores em gravitação sonham com esta descoberta. Finalmente ela aconteceu e foi reconhecida de forma definitiva com a atribuição do Prémio Nobel da Física de 2017”, reiterou.

O que é o espaço-tempo? Como foram detetadas ondas gravitacionais no LIGO? As respostas são-nos dadas neste vídeo por Vítor Cardoso, professor do Departamento de Física e investigador do CENTRA, do Instituto Superior Técnico.



As ondas gravitacionais no espaço, resultantes da fusão entre dois buracos negros, foram detetadas pela primeira vez no dia 14 de setembro de 2015. Na terça-feira, três investigadores norte-americanos (Rainer Weiss, Barry Barish e Kip Thorne) responsáveis por este feito venceram o Prémio Nobel de Física 2017.

“Está-se agora à espera de um possível anúncio de deteção de ondas gravitacionais produzidas por uma colisão de duas estrelas de neutrões. Esta deteção será também extraordinária porque os telescópios conseguem observar concomitantemente com o detetor de ondas gravitacionais essa mesma colisão”, adiantou ainda o presidente do CENTRA.


José Sande Lemos - Presidente do Centro Multidisciplinar de Astrofísica do Instituto Superior Técnico

Estas ondas, previstas por Albert Einstein em 1916, são perturbações gravitacionais que viajam à velocidade da luz, 300,000 quilómetros por segundo, e transportam informação praticamente virgem sobre os objetos e recantos mais misteriosos do Universo, como por exemplo buracos negros, estrelas de neutrões, energia e matéria escura.

O observatório LIGO, uma experiência americana de vários milhares de milhões de dólares, cuja conceção começou na década de 1960 e a construção na década de 1990, detetou ondas gravitacionais que, presumivelmente, foram geradas há cerca de 1.3 mil milhões de anos quando dois buracos negros, cerca de 30 vezes mais massivos do que o Sol, colidiram.

Estas descobertas podem agora ser úteis para compreender melhor do que é feito o Universo ou perceber se a própria teoria da relatividade geral está correta mesmo em situações tão extremas como as que envolvem buracos negros e estrelas de neutrões em colisão a velocidades próximas da velocidade da luz.
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