Universidade brasileira pede para testar em humanos terceira vacina

por Lusa
A Universidade Estadual do Ceará quer intensificar os testes da nova vacina EPA

A Universidade Estadual do Ceará, no nordeste brasileiro, pediu na terça-feira autorização às autoridades sanitárias para iniciar testes em humanos da terceira iniciativa de produção de uma vacina contra a covid-19 no país.

O governo do estado do Ceará disse que a universidade pública realizou "com êxito" os testes em ratos de laboratório e pediu agora autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para realizar as três fases de estudos em humanos.

O HH-120-Defenser, nome da vacina, junta-se assim à Butanvac, do Instituto Butantan, e à Versamune, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), também a aguardar o aval para serem testadas em humanos.

As três vacinas, e outras que possam ser desenvolvidas localmente, vão ter consumíveis próprios, também produzidos no Brasil, e poderão ser exportadas para países vizinhos, anunciou, em março, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação brasileiro.

O governador do Ceará, Camilo Santana, indicou que a vacina, financiada com recursos públicos, soma-se a outras iniciativas que surgiram na região para combater a pandemia da covid-19, como o capacete Elmo, um equipamento de baixo custo que reduziu o uso de ventiladores mecânicos, de acordo com um comunicado.

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) destacou que, a partir do aval da Anvisa, dará início à primeira fase dos exames, com 100 pacientes adultos, entre os 18 e os 60 anos, sem doenças preexistentes, e depois à segunda etapa, com maiores de 60 anos e em situação de risco.

A última fase será realizada com "milhares de pessoas com perfis diversificados".

A vacina foi criada a partir de "um coronavírus aviário atenuado, há décadas no mercado, muito semelhante ao SARS-CoV-2, capaz de induzir uma resposta imunológica protetora contra o novo coronavírus e não causar infeção em humanos", indicou a Uece.

O Brasil, um dos três países mais afetados pela covid-19 no mundo, juntamente com os Estados Unidos e a Índia, ultrapassou na terça-feira as 425 mil mortes e acumula mais de 15,2 milhões de casos.

Apesar de mais de 70 milhões de doses distribuídas e quase 50 milhões aplicadas, o país sul-americano, com 212 milhões de habitantes, vacinou com duas doses apenas 7,2% da população e algumas localidades tiveram que suspender a vacinação por falta de produto.

As vacinas utilizadas no Brasil são a Coronavac, da farmacêutica chinesa Sinovac e do laboratório público brasileiro Butantan, que responde por quase 80% da vacinação, e a Covishield, da anglo-sueca AstraZeneca e da universidade de Oxford, em associação com a estatal brasileira Fiocruz.

Na semana passada, também começaram a ser aplicadas as primeiras doses importadas da vacina Cominarty, do consórcio Pfizer-BionTech.
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