Morreu Eduardo Prado Coelho

O corpo do professor e ensaísta, Eduardo Prado Coelho, está em câmara ardente no Palácio Galveias, de onde sairá o seu funeral às 11:00 de domingo, para o cemitério dos Prazeres.

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O ensaísta foi professor de muitos jornalistas no curso de Ciências da Comunicação da Universidade Nova de Lisboa RTP

O professor e ensaísta Eduardo Prado Coelho, que hoje faleceu em Lisboa, deixa a memória de um homem de "insaciáveis apetites" que "apreciava tudo o que andava no ar".

Os seus interesses dividiam-se com igual e elevada intensidade, pelos livros, pela política, pelas coisas simples da vida, boa mesa incluída.

Era, desde logo, "um consumidor cultural insaciável, um comilão", descreve Vicente Jorge Silva, fundador do Público, que o convidou para escrever naquele diário, como já o fizera na revista do Expresso, e que sublinha também a sua paixão pelo cinema e pela fotografia.

"Tinha uma sede imensa de saber. Saía carregado das livrarias, lia de tudo. Era muito aberto ao mundo, tudo lhe interessava, coisa muita rara em Portugal", conta o fundador do Público.

"Gostava de apreciar tudo o que andava no ar", completa o professor Arnaldo Saraiva.

Nas suas crónicas, no seu diário, nas suas obras ensaísticas e críticas, revelava "uma imagem forte da sua ambição de entender a vida e de entender os jogos do poder, mas também os mistérios da criação", acrescenta.

Era destinatário de grandes invejas, reconhece o professor do Porto que as associa às suas "evoluções e militâncias ideológicas", já que assumiu, ao longo da sua vida, afinidades com o PCP, o extinto Movimento de Esquerda Socialista, o grupo de Maria de Lourdes Pintasilgo e com o PS.

"Algum odioso vem daí", pensa Arnaldo Saraiva.

Já Vicente Jorge Silva acha que alguns "ódios de estimação" se construíram porque era a antítese do intelectual "de costas para o mundo".

"Tinha uma constante intervenção constante nos jornais e estendia a sua curiosidade às coisas mais banais da vida, o que irritava os intelectuais `de cátedra`", considera o fundador do Público.

Às vezes, é certo, "também se punha a jeito" e Vicente Jorge Silva recorda, a propósito, provocações como a que fez um dia ao "pobre Pacheco Pereira".


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