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RTP aguarda respostas "cabais" sobre atraso na divulgação da atuação de Iolanda

por Joana Raposo Santos - RTP
Leonhard Foeger - Reuters

A RTP está a aguardar esclarecimentos mais detalhados da União Europeia de Radiodifusão (EBU) sobre o atraso na divulgação da atuação portuguesa na final da Eurovisão. O presidente do Conselho de Administração da RTP, Nicolau Santos, quer também perceber como é que Israel acabou por ficar em primeiro na votação do público, quando antes se encontrava nos últimos lugares da tabela.

Durante a sua atuação na final do eurofestival, a cantora Iolanda levava motivos palestinianos pintados nas unhas. No final da atuação, deixou uma mensagem inequívoca: “A paz prevalecerá”.

O vídeo da atuação portuguesa acabou por não ser publicado no site oficial logo após a atuação. A EBU, organizadora do festival, optou por publicar o vídeo da semi-final, em que a cantora portuguesa tinha apenas as unhas brancas, sem símbolos da Palestina.

Questionado sobre o sucedido, o presidente do Conselho de Administração da RTP começou por esclarecer que “não temos evidência de que o atraso na entrada do vídeo tenha tido a ver com qualquer motivo relativamente à forma como a Iolanda se apresentou em palco”.

“Efetivamente ela tinha motivos nas unhas que apontavam para um apoio à Palestina, e mesmo a pintura dos olhos eventualmente poderia indicar isso, mas não temos evidência que isso possa ter levado ao atraso do vídeo”, frisou.

Segundo o responsável, a delegação portuguesa “reagiu de imediato quando viu que o vídeo não tinha entrado como os dos outros estavam a entrar, imediatamente após o fim da atuação, e a indicação que foi dada através de uma troca de e-mails é que havia um problema técnico”.

“É nessa troca de e-mails que a pessoa que está a responder à nossa delegação disse ‘mas a vossa concorrente tem motivos pró-Palestina pintados nas unhas’. Houve da nossa parte a pergunta ‘o que é que isso tem a ver?’ (…) e o que aconteceu é que imediatamente a seguir o vídeo entrou”, contou Nicolau Santos em entrevista à RTP3.

“Foi algo que se passou em meia hora. Nós agora estamos à espera de saber, a nossa delegação continua em contacto com as pessoas da Eurovisão. Estamos à espera de saber as explicações mais cabais”, afirmou.

Questionado sobre se a RTP pondera apresentar um protesto formal, Nicolau Santos respondeu que “temos de ter consolidados as indicações do que se passou e se efetivamente houve um problema técnico ou se foi alguém que estava na régie que propositadamente atrasou a entrada do vídeo no ar”.
“Inopinadamente” Israel passou para primeiro lugar
Já sobre relatos de uma alegada intimidação por parte da comitiva israelita para com outras comitivas, o presidente do CA da RTP considera que “este festival merece uma reflexão pela forma como decorreu e pelos vários factos que ocorreram”.

Na terça-feira, em Lisboa, vamos ter uma reunião para analisar, com as pessoas que estiveram em Malmö, os factos que achamos que devem ser corrigidos e debatidos a nível da Eurovisão, precisamente para evitar que eles se voltem a repetir”, declarou.

“Quero lembrar que Portugal, na votação do júri, esteve sempre entre o quarto e o sétimo lugar, e depois quando chegámos à votação do público, inopinadamente Israel, que estava nos últimos lugares, na segunda metade da tabela, passou para primeiro lugar, com uma votação verdadeiramente extraordinária”, frisou.

O presidente do CA da RTP considera que, “para um evento que não se quer político, é óbvio que temos de refletir sobre esta votação, que foi uma votação política de pessoas que apoiam Israel e que levaram Israel para este nível de classificação, relegando Portugal para décimo lugar”.

Questionado sobre se a RTP pretende continuar a participar no concurso, Nicolau Santos refere que não há nenhuma decisão nesse sentido, até porque a participação na Eurovisão "vai muito para além deste evento", em matéria de "formação, apoio técnico e recursos", vincou.

A participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção 2024 foi um dos pontos centrais a marcar a edição deste ano, que contou inclusivamente com protestos de milhares de pessoas pró-Palestina no exterior da arena onde decorreu a final do evento.

A EBU, organizadora do festival, esclareceu desde o início que o evento é apolítico e que, por essa razão, Israel poderia participar. No entanto, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, viu a sua participação excluída.
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