Economia
AICEP lê recuo da Nissan em Aveiro como “hibernação”
A decisão da Nissan de travar a construção de uma fábrica de baterias em Aveiro deve ser entendida, na ótica do atual presidente da AICEP, como “uma suspensão de um investimento e não um cancelamento”. São 200 os novos postos de trabalho que ficam sem efeito com a escolha do grupo, que significa também a revogação, à partida, de um investimento orçado em 156 milhões de euros. Para Pedro Reis, porém, trata-se apenas de uma “hibernação”. Uma esperança em tudo semelhante à posição entretanto assumida pelo Ministério da Economia.
Na sequência do anúncio da Nissan, o antecessor de Pedro Reis na presidência da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, confessava à Antena 1 que via “com muita pena” a inviabilização de um “investimento que foi negociado com bastante trabalho”. E conjeturava que o cancelamento da fábrica de baterias de iões de lítio em Cacia poderia ter resultado, também, de um “desinteresse” do Governo de Pedro Passos Coelho pela “mobilidade elétrica”. O atual presidente da Agência tem outra leitura.Surpresa na autarquia
Foi com surpresa que a Câmara Municipal de Aveiro recebeu a notícia da decisão da Nissan, tendo em conta o “grande avanço” das infraestruturas de Cacia.
“O município de Aveiro, em face dos contactos já estabelecidos, lamenta a decisão da Nissan em suspender o investimento previsto para Aveiro, retardando a criação de postos de trabalho e reduzindo o valor do investimento previsto”, reagiu em comunicado o executivo camarário liderado por Élio Maia.
“O município de Aveiro irá continuar a acompanhar esta situação e a envidar todos os esforços para retomar este e continuar a atrair novos investimentos para o concelho”, acrescenta a Câmara.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Reis assegurou que a AICEP tem “acompanhado de perto o dossier e estevem ontem reunida com os responsáveis da Nissan que vieram a Portugal”. Foi a partir desse encontro que o responsável ficou convencido de que está em causa “uma suspensão e não um cancelamento”: “Há necessariamente uma diferença entre uma suspensão e um cancelamento, ou seja, um cancelamento é uma desistência definitiva, uma suspensão é colocar em hibernação essa mesma decisão”.
“A Nissan sublinhou que Portugal é um país competitivo para a localização de projetos industriais e com boas condições para atrair investimento, nomeadamente para o cluster automóvel. O dossier está em permanente discussão e avaliação e tem, acima de tudo, a ver com uma decisão estratégica mundial da Nissan”, sustentou ainda Pedro Reis.
“Imagem”
O presidente da AICEP discorda também de Basílio Horta na avaliação de possíveis danos para a “imagem” do país causados pela decisão da construtora automóvel. Enquanto o deputado eleito pelo PS conclui que “o facto de a Nissan agora desistir do investimento não é bom para a imagem de Portugal”, Pedro Reis considera que a “credibilidade” do país não sai manchada.
“Afeta naturalmente Portugal, mas não tem a ver com Portugal e muito menos afeta a imagem de Portugal em termos de credibilidade para a atração de investimento estrangeiro”, propugnou o sucessor de Basílio Horta.
Já o Ministério da Economia garantiu esta terça-feira que está “a acompanhar asituação”. Ao mesmo tempo, assinalou o facto de se tratar de uma “decisão do investidor”. Uma fonte do gabinete de Álvaro Santos Pereira, citada pela Lusa, manifestou ainda a expetativa de que os planos da Nissan voltem a passar pelo território português.
“Análise dos negócios”
À Lusa, o porta-voz da Nissan em Portugal afiançava ontem que o recuo no projeto da unidade de Aveiro não estava associado ao projeto português da mobilidade elétrica. Ainda que, à data do lançamento, “o avanço e a aposta do Governo nesta matéria tenha contribuído” para o grupo “ter optado por Portugal”.
A decisão, adiantou António Pereira-Joaquim, resultou de “uma análise de negócios”. Ou seja, a empresa chegou à conclusão de que as quatro fábricas que detém são suficientes para alcançar a meta da comercialização de “milhão e meio de veículos elétricos” nos próximos cinco anos.
Também ouvido pela Antena 1, António Pereira-Joaquim explicou que a “produção de baterias a nível global” está “a superar” as expetativas da construtora nas fábricas do Japão (Vama), Estados Unidos (Smyrna), Reino Unido (Sunderland) e França (Slinns): “Com esta maior eficiência das fábricas que existem, tornou-se claro que, para atingir as vendas acumuladas de um milhão e meio de veículos elétricos até 2016, no âmbito da aliança Renault-Nissan, teríamos que suspender a construção da fábrica de baterias em Cacia”.
“O foguetório”
Para Joaquim Almeida, coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro, a região e o país foram confrontados com “uma notícia muito triste” e “muito desagradável”. E que “deve fazer as pessoas refletirem sobre o rumo da política que está a ser seguida em Portugal, que é uma política de submissão e de subdesenvolvimento”. A fábrica da Nissan, que deveria começar a produzir em dezembro do próximo ano, não iria resolver o desemprego no distrito, reconhece o dirigente sindical. Mas “seria um aspeto positivo”.
Crítico do que diz ser “o foguetório” em redor do projeto, sobretudo da cerimónia de lançamento da primeira pedra, que em fevereiro levou a Cacia o então primeiro-ministro José Sócrates e o Chief Operating Officer da Nissan, Toshiyuki Shiga, Joaquim Almeida lamenta que “os investimentos que mais são badalados” sejam “aqueles que acabam por não se concretizar”.
“Esta situação devia levar aqueles que deitam os foguetes e apanham as canas antes da festa a ter alguma contenção nesses anúncios, porque ficam numa situação de pouca credibilidade”, rematou o coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro, igualmente citado pela Lusa.
Foi com surpresa que a Câmara Municipal de Aveiro recebeu a notícia da decisão da Nissan, tendo em conta o “grande avanço” das infraestruturas de Cacia.
“O município de Aveiro, em face dos contactos já estabelecidos, lamenta a decisão da Nissan em suspender o investimento previsto para Aveiro, retardando a criação de postos de trabalho e reduzindo o valor do investimento previsto”, reagiu em comunicado o executivo camarário liderado por Élio Maia.
“O município de Aveiro irá continuar a acompanhar esta situação e a envidar todos os esforços para retomar este e continuar a atrair novos investimentos para o concelho”, acrescenta a Câmara.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Reis assegurou que a AICEP tem “acompanhado de perto o dossier e estevem ontem reunida com os responsáveis da Nissan que vieram a Portugal”. Foi a partir desse encontro que o responsável ficou convencido de que está em causa “uma suspensão e não um cancelamento”: “Há necessariamente uma diferença entre uma suspensão e um cancelamento, ou seja, um cancelamento é uma desistência definitiva, uma suspensão é colocar em hibernação essa mesma decisão”.
“A Nissan sublinhou que Portugal é um país competitivo para a localização de projetos industriais e com boas condições para atrair investimento, nomeadamente para o cluster automóvel. O dossier está em permanente discussão e avaliação e tem, acima de tudo, a ver com uma decisão estratégica mundial da Nissan”, sustentou ainda Pedro Reis.
“Imagem”
O presidente da AICEP discorda também de Basílio Horta na avaliação de possíveis danos para a “imagem” do país causados pela decisão da construtora automóvel. Enquanto o deputado eleito pelo PS conclui que “o facto de a Nissan agora desistir do investimento não é bom para a imagem de Portugal”, Pedro Reis considera que a “credibilidade” do país não sai manchada.
“Afeta naturalmente Portugal, mas não tem a ver com Portugal e muito menos afeta a imagem de Portugal em termos de credibilidade para a atração de investimento estrangeiro”, propugnou o sucessor de Basílio Horta.
Já o Ministério da Economia garantiu esta terça-feira que está “a acompanhar asituação”. Ao mesmo tempo, assinalou o facto de se tratar de uma “decisão do investidor”. Uma fonte do gabinete de Álvaro Santos Pereira, citada pela Lusa, manifestou ainda a expetativa de que os planos da Nissan voltem a passar pelo território português.
“Análise dos negócios”
À Lusa, o porta-voz da Nissan em Portugal afiançava ontem que o recuo no projeto da unidade de Aveiro não estava associado ao projeto português da mobilidade elétrica. Ainda que, à data do lançamento, “o avanço e a aposta do Governo nesta matéria tenha contribuído” para o grupo “ter optado por Portugal”.
A decisão, adiantou António Pereira-Joaquim, resultou de “uma análise de negócios”. Ou seja, a empresa chegou à conclusão de que as quatro fábricas que detém são suficientes para alcançar a meta da comercialização de “milhão e meio de veículos elétricos” nos próximos cinco anos.
Também ouvido pela Antena 1, António Pereira-Joaquim explicou que a “produção de baterias a nível global” está “a superar” as expetativas da construtora nas fábricas do Japão (Vama), Estados Unidos (Smyrna), Reino Unido (Sunderland) e França (Slinns): “Com esta maior eficiência das fábricas que existem, tornou-se claro que, para atingir as vendas acumuladas de um milhão e meio de veículos elétricos até 2016, no âmbito da aliança Renault-Nissan, teríamos que suspender a construção da fábrica de baterias em Cacia”.
“O foguetório”
Para Joaquim Almeida, coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro, a região e o país foram confrontados com “uma notícia muito triste” e “muito desagradável”. E que “deve fazer as pessoas refletirem sobre o rumo da política que está a ser seguida em Portugal, que é uma política de submissão e de subdesenvolvimento”. A fábrica da Nissan, que deveria começar a produzir em dezembro do próximo ano, não iria resolver o desemprego no distrito, reconhece o dirigente sindical. Mas “seria um aspeto positivo”.
Crítico do que diz ser “o foguetório” em redor do projeto, sobretudo da cerimónia de lançamento da primeira pedra, que em fevereiro levou a Cacia o então primeiro-ministro José Sócrates e o Chief Operating Officer da Nissan, Toshiyuki Shiga, Joaquim Almeida lamenta que “os investimentos que mais são badalados” sejam “aqueles que acabam por não se concretizar”.
“Esta situação devia levar aqueles que deitam os foguetes e apanham as canas antes da festa a ter alguma contenção nesses anúncios, porque ficam numa situação de pouca credibilidade”, rematou o coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro, igualmente citado pela Lusa.