Apoiantes de Jardim Gonçalves esperam demissão de Teixeira Pinto

Os apoiantes de Jardim Gonçalves vão votar contra todas as propostas apresentadas pelos apoiantes de Teixeira Pinto na assembleia geral do BCP e esperam que o presidente-executivo se demita se estas forem chumbadas.

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De acordo com uma fonte do conselho geral e de supervisão, os accionistas da instituição financeira não chegaram a um consenso nas negociações que se prolongaram até hoje, pelo que os apoiantes do presidente do conselho geral e de supervisão, Jorge Jardim Gonçalves, vão votar contra todas as propostas apresentadas pelos accionistas afectos ao presidente do conselho de administração do banco, Paulo Teixeira Pinto.

"Esperamos que depois de todos os pontos chumbados Paulo Teixeira Pinto apresente a demissão, ainda hoje,", adiantou a mesma fonte à agência Lusa.

Os accionistas do Banco Comercial Português (BCP) retomam cerca das 15:30 a assembleia geral extraordinária interrompida a 6 de Agosto, que foi suspensa devido a um problema informático que impossibilitava o registo das votações.

Aquela reunião de accionistas era considerada essencial para solucionar o conflito que opõe os grupos de apoiantes (accionistas e quadros) do presidente do conselho de administração do banco, Paulo Teixeira Pinto, e do fundador e presidente do conselho geral e de supervisão da instituição financeira, Jardim Gonçalves.

Depois do conflito claro entre grupos de accionistas e quadros do banco sobre o modelo de governação da instituição financeiro, nas duas últimas assembleias gerais (28 de Maio e 6 de Agosto), a construtora Teixeira Duarte iniciou um processo negocial com accionistas institucionais do banco para tentar encontrar um consenso para garantir a estabilidade do banco, o que não foi possível alcançar.

A alteração dos estatutos do maior banco privado português e o alargamento do conselho geral e de supervisão são os dois pontos em destaque na assembleia geral extraordinária que decorre hoje no edifício da Alfândega, no Porto.

O primeiro ponto da ordem de trabalhos refere-se à alteração dos estatutos do banco, do sistema dualistas para o monista, sendo a proposta assinada por 7 accionistas, como a Lusa noticiou: a SGC, de Pereira Coutinho; a Sogema, de Bernardo Moniz da Maia; a Investifino, de Manuel Fino; a Fundação José Berardo; Vasco Pessanha, Filipe de Botton e Diogo Vaz Guedes.

Para ser aprovada, esta proposta precisa de reunir os votos de dois terços do capital do banco presente na assembleia geral, e, no caso de isso acontecer, o ponto dois da ordem de trabalhos prevê que sejam eleitos os novos órgãos sociais da instituição financeira, sendo apresentada uma lista pelos mesmos accionistas, na qual Teixeira Pinto aparece como presidente do conselho de administração alargado.

Os pontos 3 e 4 da ordem de trabalhos incluem duas propostas, feitas pela TEDAL, da família Teixeira Duarte, para que se mantenham o número de membros do actual conselho de administração e, também, do conselho geral e de supervisão.

Uma proposta relativa ao ponto 3, para a eleição de 3 novos administradores, foi retirada ainda durante a discussão de questões prévias da assembleia de 6 de Agosto, o mesmo tendo acontecido ao ponto 5, relativo à destituição de 5 administradores.

A retirada do ponto 5 fez com que o ponto 6 - para a eleição de 3 novos administradores -, que estava dependente da aprovação do ponto imediatamente anterior, caísse.

O ponto 7 versa o aumento do número de membros do conselho geral e de supervisão, dos actuais 11 para 24, sendo proposta uma lista que inclui nomes como os de António de Sousa, António Mexia, Diogo Vaz Guedes, Filipe Botton, entre outros.

Este é o ponto sobre o qual têm incidido as negociações entre accionistas, discutindo-se a retirada dos restantes pontos da ordem de trabalhos e a introdução de uma proposta neste ponto 7, com uma nova lista, corporizando um acordo conjuntural que dá aos accionistas margem para aprofundamento no futuro.

Em caso de não existir acordo, fonte ligada à Teixeira Duarte disse à Lusa que poderia apresentar uma nova lista, de sua iniciativa, ainda no decorrer da assembleia geral de segunda-feira.

O último ponto da ordem de trabalhos, o ponto 8, refere-se à possível destituição de membros do conselho geral e de supervisão.
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