Crise na Volkswagen. Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa confiante no futuro

Crise na Volkswagen. Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa confiante no futuro

Em declarações à RTP, Rogério Nogueira afirmou que a Comissão de Trabalhadores da fábrica não tem "qualquer indicação de reestruturação de pessoal na Autoeuropa". "Estamos confiantes no futuro da fábrica", frisou.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Acordo para a produção do veículo elétrico ID. EVERY1 nas instalações da Autoeuropa em Palmela, em 19 de agosto de 2025. Foto: Patrícia Melo Moreira - AFP

O grupo Volkswagen confirmou em comunicado interno planos para uma reestruturação profunda em quatro das suas fábricas na Alemanha. Para já, a fábrica em Portugal não está nos planos de alterações e despedimentos.

"De acordo com o planeamento atual, prevê-se que a versão de produção do ID. EVERY1 venha a ser fabricada futuramente na Volkswagen Autoeuropa, a par do T-Roc", referiu fonte do Grupo à RTP, esta terça-feira.

Estes planos de produção foram também sublinhados por Rogério Nogueira.

"A redução anunciada pelo Grupo deve ser analisada no seu contexto, no entanto estamos atentos à situação e solidários com os colegas da Alemanha", afirmou. "Estamos também confiantes de que a fábrica continuará a ter um papel importante no futuro do Grupo Volkswagen", referiu o representante dos trabalhadores da Autoeuropa.

Cautelosamente, o Grupo Volkswagen reconheceu nas suas declarações à RTP, que, a médio e longo prazo, a reestruturação da marca poderá alargar-se.

"Nesta fase, ainda não estamos em condições de especificar quais serão as implicações para os locais individuais na nossa rede de produção global, tal como não podemos comentar possíveis cortes de postos de trabalho", referiu a fonte. 

"Estamos a rever tudo - incluindo as nossas fábricas e as respetivas estruturas de custos", lembrou. "Não podemos manter-nos competitivos no mercado global com fábricas subutilizadas", sublinhou.

"É por isso que precisamos de reduzir ainda mais a capacidade, a nível global em cerca de um milhão de veículos por ano, incluindo aproximadamente 500 mil na Europa, de forma a criar as condições para uma produção eficiente", justificou ainda a mesma fonte do Grupo à RTP.
O que está planeado
A maior fabricante automóvel da Europa atravessa uma situação "mais do que crítica", adiantou o presidente executivo do Grupo, numa entrevista publicada internamente.

Oliver Blume afirmou que tanto a Volkswagen como toda a indústria automóvel alemã estão a passar pela "maior transformação da história", justificando uma travagem a fundo.

Não há por enquanto qualquer decisão de encerramento das fábricas em quatro cidades alemãs, mas o CEO admite não ver, neste momento, como poderão continuar a ser rentáveis na década de 2030.

Blume irá reunir com os trabalhadores de várias unidades nos próximos dias. O primeiro encontro acontece esta terça-feira, em Wolfsburg. O grupo já alcançou acordos com 37 mil funcionários e aprovou a eliminação de 50 mil postos de trabalho. Os cortes poderão chegar aos 100 mil.

Os representantes dos trabalhadores das fábricas alemãs têm criticado a gestão da empresa e acusam também a administração de "comunicação desastrosa".
No primeiro semestre de 2026, o resultado operacional do Grupo Volkswagen caiu quase 12 por cento, para cerca de seis mil milhões de euros, levando o grupo a anunciar de imediato o corte de 50.000 postos de trabalho, previsão que duplicou nos meses seguintes. 

As causas mais comuns apontadas para a crise do grupo apontam uma concorrência crescente, sobretudo no mercado dos veículos elétricos, enquanto a produção suporta os custos da transição para novas tecnologias.
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