Habitação. Oferta e procura desencontrados

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Um estudo realizado pela consultora imobiliária Century21 conclui que há um claro desajustamento entre a oferta e a procura no mercado imobiliário, tanto na compra como no arrendamento.

O inquérito feito pela consultora imobiliária mostra que “em termos nacionais, o valor médio pretendido para a compra de habitação é de 138.623 euros", mas o mercado pratica um preço médio de venda de 173.252,84 euros, “um valor que supera em 34.629 euros o valor médio disponível por aqueles que querem comprar casa".

Por mês, quem se financia para comprar casa está disponível para pagar, em média, até 500 euros.

Um terço das pessoas que procuram casa acaba por desistir devido ao valor proposto.


No que diz respeito ao arrendamento, o valor médio que os portugueses estão dispostos a pagar é o mesmo, "e apenas 9,6% pondera pagar entre 500 e 600 euros", de acordo com os resultados do inquérito. O mercado está a oferecer, em média, rendas de 536,99 euros.

Apesar dos entraves, 89,7% dos portugueses preferem ter casa própria. No geral, segundo a Century21, "a habitação mais procurada é um apartamento num prédio (61,2%), em segunda mão e sem necessitar de remodelações (60,2%), com três quartos (40,9%) e duas casas de banho (49,5%), com arrecadação (74,1%) e garagem (73,1%), com uma área entre 91 e 120 m2, (24,1%) localizada em zonas periféricas do centro (43%) ou mesmo nas áreas centrais da cidade (42,2%), desde que tenha disponibilidade de estacionamento (82,6%), boas acessibilidades e transportes públicos (80,5%), e proximidade a supermercados e comércio tradicional (80,1%), numa zona segura (94,5%)".
O estudo aponta ainda para um desajustamento entre oferta e procura no que toca ao número de quartos e casas de banho.
Quanto à localização da habitação, a característica mais importante para os portugueses é a segurança da zona que escolheram para habitar, com 94,5% das pessoas a dar muita importância a esse fator. 82,6% valorizam a existência de estacionamento para residentes, ou a facilidade em encontrar lugar. 80,1% considera que é importante viver perto de lojas e supermercados. 77,8% quer estar perto de parques e espaços verdes.

O inquérito, levado a cabo pela Century21, incidiu sobre 810 portugueses, com mais de 18 anos e que tenham passado pelo processo de procura de casa nos últimos 12 meses ou que pensem fazê-lo no próximo ano, bem como cidadãos que colocaram uma habitação no mercado, no mesmo período temporal.

O presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses, Romão Lavadinho, considera gravíssima a situação do mercado de arrendamento, classificando-a como incomportável.

Para o presidente da Associação Nacional de Proprietários a dificuldade em comprar casa só se verifica nas duas grandes áreas metropolitanas. O aumento dos preços é consequência da procura crescente nas grandes cidades e António Frias Marques realça que este cenário não retrata o país.

António Frias Marques explica que se esta especulação imobiliária existe porque há uma maior procura junto ao litoral.

c/Lusa

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