Moody’s tempera otimismo de Lisboa mas não exclui melhorar notação

| Economia

Para os analistas da agência de notação financeira, as perspetivas de longo prazo para Portugal são ainda “moderadas”
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O comportamento evidenciado este ano pela economia portuguesa é elogiado pela Moody’s, mas a agência de notação financeira adverte para perspetivas de longo prazo “moderadas”. Ainda assim, na avaliação conhecida esta sexta-feira, admite-se que o rating possa ser revisto em alta, caso o país acelere na consolidação das contas públicas e na diminuição da dívida soberana.

Nas contas da Moody’s, o crescimento da economia portuguesa deverá sofrer um abrandamento, caindo de 1,7 por cento em 2017 para 1,4 por cento no próximo ano. Recorde-se que o Governo de António Costa prevê para o próximo ano uma progressão do Produto Interno Bruto de 1,9 por cento.

A agência de notação estima, por outro lado, que o défice orçamental se agrave para dois por cento do PIB em 2018, a contrastar com a derrapagem de um por cento calculada pelo Executivo apoiado à esquerda.Evan Wohlmann, vice-presidente da Moody’s, sublinha que “a principal restrição de crédito em Portugal está associada à elevada dívida pública”.


Apesar da moderação, a Moody’s admite rever em alta o rating atualmente reservado a Portugal: “Ba1”, patamar de investimento especulativo, ou o denominado lixo.

“O rating das obrigações do Governo de Portugal pode ser aumentado se a consolidação orçamental e a redução da dívida acelerarem significativamente por comparação com as expectativas. Um crescimento económico muito mais forte seria também benéfico para o rating”, escreve a agência.

Ao mesmo tempo, a Moody’s adverte que a notação financeira do país “poderia ficar sob pressão se houvesse sinais de que o empenho do Governo na consolidação orçamental e na redução da dívida pudesse diminuir”, ou se faltasse “apoio político a políticas orçamentais prudentes”.

“Isto poderia pôr em risco a sustentabilidade da tendência da dívida pública”, acrescenta.
A “principal restrição”

O patamar do rácio da dívida pública sobre o PIB está ainda no topo das inquietações da Moody’s, que, apesar de esperar um desagravamento gradual, aponta para um peso de 125 por cento em 2020.

O vice-presidente da agência Evan Wohlmann, que também assina o relatório sobre Portugal, assinala que o “perfil de crédito” do país “é suportado pela recuperação económica, pelo regresso aos mercados de capitais privados, pela diversificação da economia e níveis relativamente altos de riqueza média”. Para ressalvar que “a principal restrição de crédito em Portugal está associada à elevada dívida pública”.

“Embora esperemos que a dívida comece a decair este ano em percentagem do PIB, qualquer redução da dívida será apenas gradual”, conclui o analista.

Quanto à banca, a Moody’s sustenta que subsiste alguma vulnerabilidade, ainda que 2017 tenha registado uma evolução de sinal positivo. A agência enumera o elevado nível do crédito malparado, a moderação do investimento e um crescimento económico de ritmo brando.

A agência de notação financeira deverá voltar a debruçar-se sobre o rating português no início de setembro. As demais agências norte-americanas, Standard & Poor’s e Fitch, conservam Portugal em níveis análogos de notação, com perspetiva “estável”.

Só a agência canadiana DBRS mantém Portugal no derradeiro patamar de investimento antes do lixo.

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