Nicolau Santos alerta que Estado ainda poderá ter que intervir para honrar compromissos do BES

O comentador da Antena 1 de assuntos económicos Nicolau Santos admite que neste momento não havia outra solução para o Banco Espírito Santo (BES) para além da apontada pelo governador do Banco de Portugal. Porém, Nicolau Santos adverte que o Estado ainda poderá ter que intervir.

Sandra Henriques /

Foto: José Manuel Ribeiro/Reuters

“Provavelmente não havia grandes alternativas a este quadro que está agora em cima da mesa, mas o essencial é nós tentarmos perceber exatamente até que ponto haverá dinheiros do Estado, ou seja, dinheiros dos contribuintes que garantam que esta solução tem pernas para andar”, sublinha.

O diretor-adjunto do semanário Expresso alerta que “há aqui fatores que não estão claramente explicados ainda”. “Como é que vão funcionar, quem é que vai garantir certo tipo de situações e de onde é que virá o dinheiro para resolver outro tipo de situações que são compromissos assumidos pela anterior administração perante Estados estrangeiros”, questiona.

“Aí é daqueles casos que acho que o Estado português, em última instância, terá que responder para honrar esses compromissos”, argumenta Nicolau Santos.

O governador do Banco de Portugal anunciou no domingo à noite que iria ser criado o Novo Banco, que contém a parte não tóxica do BES, separada dos riscos associados ao esquema de financiamento fraudulento entre as empresas do Grupo Espírito Santo.

O Novo Banco tem um rácio de capital de 8,5 por cento, acima dos 8 por cento exigidos, e é detido pelo fundo de resolução, que é uma espécie de Caixa de Previdência dos Bancos criada em 2012, mas que tem apenas 230 milhões de euros.

Os restantes 4.500 milhões são emprestados pelo Estado através da linha de recapitalização, embora sem prejuízo para os contribuintes, segundo o governador do Banco de Portugal.
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