EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

França investiga navio da frota fantasma russa. Dois detidos após intervenção da Marinha francesa

França investiga navio da frota fantasma russa. Dois detidos após intervenção da Marinha francesa

O presidente francês anunciou esta quarta-feira a abertura de uma investigação judicial em França contra um petroleiro da frota fantasma russa, imobilizado ao largo da costa francesa e suspeito de estar envolvido num sobrevoo de drones na Dinamarca. Militares do exército francês abordaram o petroleiro durante a tarde e detiveram duas pessoas.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Damien Meyer - AFP

Na sequência de um alerta da Marinha Nacional Francesa, a justiça abriu uma investigação por "falta de justificação da nacionalidade do navio/pavilhão" e "recusa de cooperar", indicou o procurador de Brest, Stéphane Kellenberger. 

"Foram cometidas faltas muito graves por esta tripulação, que justificam, aliás, que o processo seja hoje judicializado", reagiu o presidente francês, sem dar mais detalhes, à margem de uma cimeira europeia em Copenhaga. 

Durante a tarde militares do exército francês estiveram a bordo do petroleiro que está imobilizado ao largo de Saint-Nazaire, na região da Loire-Atlantique, há alguns dias. Duas pessoas, o comandante do navio e o seu imediato, foram colocadas sob custódia policial, de acordo com a Franceinfo. 
Um navio da frota fantasma russa

O navio de 244 metros de comprimento, com bandeira do Benim e batizado "Pushpa ou "Boracay", é alvo de sanções europeias por pertencer à chamada "frota fantasma russa", utilizada por Moscovo para transportar o seu petróleo, contornando as sanções ocidentais.

A frota fantasma russa "representa dezenas de milhares de milhões de euros para o orçamento da Rússia. Segundo as nossas estimativas, financia 40% do esforço de guerra russo. Há entre 600 e 1000 navios que circulam assim e permitem que os hidrocarbonetos russos sejam transportados, mesmo quando são proibidos", afirmou Macron.

Além da União Europeia, o petroleiro está sob sanções da Suíça, Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia, de acordo com o site da Open Sanctions.

Construído em 2007, o petroleiro suspeito mudou de nome e de pavilhão várias vezes, e esteve alternadamente registado no Gabão, nas Ilhas Marshall e na Mongólia, de acordo com a mesma fonte. 
Possível ligação com o sobrevoo de drones na Dinamarca?

Além de contornar as sanções relativas ao transporte de hidrocarbonetos, o petroleiro é suspeito de estar envolvido no recente sobrevoo de drones na Dinamarca, de acordo com o site especializado The Maritime Executive.  O navio pode ter servido como "plataforma de lançamento (dos drones)" ou "isca", observa o Maritime Executive.

Questionado sobre esta possibilidade, o presidente francês apelou "à grande prudência". 

Recorde-se que esta incursão teve como consequência a perturbação do tráfego aéreo dinamarquês e que o incidente não foi oficialmente atribuído a Moscovo, apesar da forte suspeita. 
"Situação mais difícil e perigosa desde a Segunda Guerra Mundial"

A anfitriã da Cimeira e primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que a Europa está "na situação mais difícil e perigosa desde a Segunda Guerra Mundial", dizendo que é pior do que durante a Guerra Fria. "Acho que é grave. Acho que a guerra na Ucrânia é muito grave. Quando olho para a Europa hoje, acho que estamos na situação mais difícil e perigosa desde o fim da Segunda Guerra Mundial — não da Guerra Fria". 

Questionada sobre as incursões de drones, Mette Frederiksen afirma que é a favor de abatê-los, salvaguardando que "isso tem de ser feito da maneira certa".

c/agências

PUB