Ataque israelita a Beit Lahiya mata mais de 60 palestinianos

por RTP
A cidade de Beit Lahiya já tinha sido alvo de ataques israelitas na passada semana Abdul Karim Farid - Reuters

Pelo menos 60 palestinianos foram mortos e dezenas de outros ficaram feridos num ataque israelita a um edifício residencial na cidade de Beit Lahiya, no norte de Gaza, avançou esta terça-feira, o Serviço de Emergência Civil Palestiniano.

O Serviço de Emergência Civil palestiniano acrescentou que se acredita que muitas vítimas ainda estão presas sob os escombros. A agência noticiosa oficial palestiniana WAFA e os meios de comunicação social do Hamas tinMuitos dos mortos no ataque eram mulheres e crianças, informou a WAFA, citando médicos. ham referido anteriormente o mesmo número.

Segundo a WAFA, as forças israelitas atacaram um edifício residencial que albergava palestinianos deslocados, mais de 20 pessoas feridas foram levadas para o hospital Kamal Adwan, que tem sido atingido por “bombardeamentos de artilharia contínuos desde a madrugada de hoje”.

Em declarações à Al Jazeera, o diretor-geral do Kamal Adwan, revelou que muitos dos feridos no ataque morreram devido à falta de recursos do hospital, que tem sofrido uma terrível escassez de combustível e de outros abastecimentos devido aos incessantes ataques israelitas na região nas últimas semanas.

Na segunda-feira, o Serviço Civil de Emergência da Palestina disse que cerca de 100 mil pessoas estavam isoladas em Jabalya, Beit Lahiya e Beit Hanoun sem suplementos médicos ou alimentares. A Reuters não conseguiu verificar o número de forma independente.


O serviço de emergência acrescentou que as suas operações foram interrompidas devido ao ataque israelita de três semanas ao norte de Gaza, onde Israel disse ter eliminado as forças de combate do Hamas no início da guerra de um ano.
Decisão de Israel de proibir a UNRWA gera protestos
O parlamento israelita decidiu proibir as atividades em Israel da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), provocando um protesto internacional num contexto de negociações sobre a libertação dos reféns detidos em Gaza.

Várias capitais europeias denunciaram a proibição, assim como a ONU e a OMS (Organização Mundial da Saúde), apesar de a Unrwa ser o principal ator das operações humanitárias na Faixa de Gaza, sitiada e devastada por mais de um ano de guerra entre Israel e o Hamas.A UNRWA, criada pela Assembleia Geral da ONU em 1949, gere centros de saúde e escolas em Gaza e na Cisjordânia. A agência é considerada a “espinha dorsal” da ajuda a Gaza, que se encontra numa situação de catástrofe humanitária.

Israel, desde há muito crítico em relação à agência, acusou os funcionários da Unrwa de participarem no massacre perpetrado no seu território pelo movimento islamita palestiniano em 7 de outubro de 2023, que desencadeou represálias israelitas particularmente mortíferas.

Apesar da oposição do seu aliado americano e de uma advertência do Conselho de Segurança da ONU, o Knesset aprovou por esmagadora maioria (92 votos contra dez) o texto que proíbe “as atividades da Unrwa em território israelita”, incluindo Jerusalém Oriental, o sector da Cidade Santa ocupado e anexado por Israel desde 1967.

Uma segunda lei, também aprovada por larga maioria (89 votos contra 7), proíbe os funcionários israelitas de trabalharem com a UNRWA e os seus empregados, o que deverá perturbar consideravelmente as atividades da agência, enquanto Israel controla rigorosamente todos os carregamentos de ajuda humanitária para Gaza.As duas leis entrarão em vigor 90 dias após a sua adoção, segundo o Knesset.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu afirmou que Israel está “pronto” a “trabalhar com os parceiros internacionais” para continuar a “facilitar a ajuda humanitária a Gaza de uma forma que não ameace a sua segurança”.

Antes mesmo da votação, os Estados Unidos manifestaram “profunda preocupação” e “instaram o governo a não aprovar” o texto.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que está “profundamente preocupado” com as duas leis que, “se forem aplicadas, irão provavelmente impedir a Unrwa de continuar o seu trabalho essencial”, com “consequências devastadoras”.

“Não há alternativa à UNRWA”, insistiu, apelando a Israel para que ‘atue em conformidade com as suas obrigações ao abrigo da Carta das Nações Unidas’.

Guterres anunciou que vai levar o assunto à Assembleia Geral da ONU, que em 1952 criou a UNRWA “para satisfazer as necessidades dos refugiados palestinianos”.

Para Philippe Lazzarini, comissário da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos, trata-se de um o “castigo coletivo” imposto pelo Parlamento israelita ao aprovar uma lei que proíbe as suas atividades no país, e alertou para “um precedente perigoso”.

Em reação à aprovação de um projeto de lei no Knesset contra as operações da agência da ONU, Philippe Lazzarini escreveu na rede X que se trata de uma medida “sem precedentes” e que “abre um precedente perigoso”, ao contrariar a Carta das Nações Unidas e as obrigações de Israel ao abrigo do direito internacional.

Esta é a mais recente campanha em curso para desacreditar a Unrwa e deslegitimar o seu papel na prestação de assistência e serviços de desenvolvimento humano aos refugiados da Palestina”, comentou Lazzarini, que deixou o alerta de que a nova legislação apenas irá “aprofundar o sofrimento dos palestinianos, especialmente em Gaza, onde as pessoas têm atravessado "mais de um ano de puro inferno”.Também o Governo português condenou a legislação aprovada pelo Parlamento israelita que dificulta as operações da agência das Nações Unidas para os palestinianos, apontando que “os serviços essenciais de ajuda humanitária da Unrwa ficam em causa”.

Para o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, trata-se de uma decisão “intolerável”. As mesmas preocupações e condenações foram expressas pela União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido.

Do lado palestiniano, o Hamas denunciou uma “agressão sionista”, enquanto a presidência palestiniana viu nestes textos a confirmação da “transformação de Israel num Estado fascista”.


A ofensiva israelita em Gaza já matou pelo menos 43.020 palestinianos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas, considerados fiáveis pela ONU, e provocou a deslocação da quase totalidade dos 2,4 milhões de habitantes do território.

c/ agências
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