Mundo
Guerra no Médio Oriente
Donald Trump diz que quer "vencer" no Irão
O presidente norte-americano sugeriu à CBS News, esta terça-feira, que procura obter no Irão uma vitória tática rápida, semelhante à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no início deste mês e à morte do general iraniano Qassem Soleimani em 2020.
Questionado sobre qual é o seu objetivo político em relação ao Irão, o presidente norte-americano respondeu: “O objetivo final é vencer. Gosto de vencer”.
Trump, garantiu também ao reporter da CBS, que irá agir "com muita firmeza" caso as autoridades iranianas comecem a executar pessoas presas durante os protestos que abalam a República Islâmica e sobre a possibilidade de execuções por enforcamento já na quarta-feira.
“Não queremos que o que está a acontecer no Irão se repita”, disse.
“E sabe, se eles querem protestos, tudo bem, mas quando começam a matar milhares de pessoas, e agora falam-me em enforcamentos - vamos ver como é que isto vai acabar para eles. Não vai acabar bem”, alertou.
Ajuda "a caminho"
Na manhã deste terça-feita, o presidente norte-americano deixou também um apelo e uma promessa aos manifestantes que tentam derrubar o regime dos ayatollahs e cujos protestos parecem estar a abrandar.
"Continuem", "a ajuda está a caminho", escreveu Donald Trump numa publicação na sua rede Truth Social, sem detalhar contudo pormenores.
Horas depois, num discurso no Detroit Economic Club, no Michigan, repetiu a mensagem.
"A todos os patriotas iranianos, continuem a protestar", disse.
Reiterou também o pedido para que os iranianos assumam o controlo das instituições "se possível" e preservem os nomes dos "assassinos e abusadores", pois "pagarão um preço muito elevado".
Voltou também a garantir que "a ajuda está a caminho".
"A todos os patriotas iranianos, continuem a protestar", disse.
Reiterou também o pedido para que os iranianos assumam o controlo das instituições "se possível" e preservem os nomes dos "assassinos e abusadores", pois "pagarão um preço muito elevado".
Voltou também a garantir que "a ajuda está a caminho".
Mas ao ser quando questionado pelos repórteres sobre o que queria dizer com isso, Trump foi evasivo. "Vocês vão ter de descobrir isso. Peço desculpa".
O presidente norte-americano disse também que ainda não tem certezas quanto ao número de mortos durante os protestos.
“Agora, ouço cinco números diferentes”, disse Trump. “Olhem, uma morte já é demais, mas oiço números muito mais baixos e, depois, oiço números muito maiores.”
“Agora, ouço cinco números diferentes”, disse Trump. “Olhem, uma morte já é demais, mas oiço números muito mais baixos e, depois, oiço números muito maiores.”
"Vamos tornar o Irão grande outra vez. Era um grande país até que estes monstros chegaram e assumiram o controlo. E está tudo muito frágil", concluiu. Em Detroit, questionado pelos jornalistas se aconselhava os aliados dos EUA a sair do Irão, Trump anuiu. "Acho que deviam sair", disse. "Não é má ideia", acrescentou.
O bloqueio de comunicações estabelecido pelo regime para impedir que informações sobre a repressão dos manifestantes, e que dura há já 120 horas, torna extremamente difícil confirmar informações.
O presidente norte-americano avisou o regime de Teerão, há uma semana, de que não iria "tolerar" massacres.
O que irá fazer Trump
Mark Kimmitt, antigo funcionário do Departamento de Estado norte-americano, acredita que existe uma “grande probabilidade” de Trump realizar algum tipo de operação no Irão, acrescentando que o tipo de operação será “crucial”.
“Será uma invasão terrestre? Claro que não. Será uma repetição da Guerra dos Seis Dias? Provavelmente não. Por isso, penso que ele terá um foco específico, mas ainda assim vai surpreender-nos a todos com as suas ações”, disse Kimmitt à Al Jazeera.
O ex-funcionário explicou que não acredita que Trump esteja a tentar promover uma mudança de regime no Irão, mas que “o seu modelo será muito mais parecido com o que usou na Venezuela”.
“Talvez cortar o topo da cadeia alimentar”, admitiu. “E, neste caso, penso que serão os serviços de segurança, mas mantendo o atual governo. São eles que estão no poder há anos e anos”.
Mark Kimmitt, antigo funcionário do Departamento de Estado norte-americano, acredita que existe uma “grande probabilidade” de Trump realizar algum tipo de operação no Irão, acrescentando que o tipo de operação será “crucial”.
“Será uma invasão terrestre? Claro que não. Será uma repetição da Guerra dos Seis Dias? Provavelmente não. Por isso, penso que ele terá um foco específico, mas ainda assim vai surpreender-nos a todos com as suas ações”, disse Kimmitt à Al Jazeera.
O ex-funcionário explicou que não acredita que Trump esteja a tentar promover uma mudança de regime no Irão, mas que “o seu modelo será muito mais parecido com o que usou na Venezuela”.
“Talvez cortar o topo da cadeia alimentar”, admitiu. “E, neste caso, penso que serão os serviços de segurança, mas mantendo o atual governo. São eles que estão no poder há anos e anos”.
Moscovo já advertiu os Estados Unidos contra qualquer operação contra o regime iraniano, seu aliado.
Tal ação teria "consequências desastrosas" no Médio Oriente, "bem como para a segurança internacional global", avisou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.