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Protestos internacionais. Netanyahu garante acesso do patriarca latino de Jerusalém ao Santo Sepulcro

Protestos internacionais. Netanyahu garante acesso do patriarca latino de Jerusalém ao Santo Sepulcro

"Instruí as autoridades competentes para concederem ao cardeal Pierbattista Pizzaballa o acesso total e imediato à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém".

Cristina Sambado - RTP /
Ammar Awad - Reuters

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou esta segunda-feira que o patriarca latino de Jerusalém teria acesso imediato à Igreja do Santo Sepulcro, depois de ter sido impedido pela polícia israelita de entrar para celebrar a missa do Domingo de Ramos, o que gerou indignação internacional.

"Embora compreenda esta preocupação, assim que tomei conhecimento do incidente com o cardeal Pizzaballa, instruí as autoridades para permitirem que o patriarca realizasse as celebrações religiosas de acordo com o seu desejo”, assinalou Benjamin Netanyahu.

"Não houve absolutamente nenhuma intenção maliciosa, apenas a preocupação em garantir a segurança do cardeal", escreveu o gabinete do primeiro-ministro.



"No entanto, considerando que a Semana Santa está a começar para os cristãos de todo o mundo, as forças de segurança israelitas estão a elaborar um plano para permitir que os líderes religiosos orem (no Santo Sepulcro) nos próximos dias", frisou. Israel pediu aos fiéis cristãos, judeus e muçulmanos que "se abstenham temporariamente" de visitar os locais sagrados da Cidade Velha por razões de segurança, afirmando que "os locais sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém" foram recentemente alvos de "mísseis balísticos" disparados do Irão.

"Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os chefes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", lamentou um comunicado conjunto divulgado no domingo pelo Patriarcado Latino de Jerusalém e pela Custódia da Terra Santa.
Jornal da Tarde | 30 de março de 2026

O cardeal Pierbattista Pizzaballa e o custódio Francesco Ielpo, chefe dos Franciscanos da Terra Santa, "foram impedidos de prosseguir viagem e obrigados a regressar", acrescentou o comunicado, classificando o ato como um "grave precedente" que demonstra "falta de consideração pelos sentimentos de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo que, esta semana, voltam os seus olhares para Jerusalém".No início da ofensiva liderada pelos EUA contra o Irão, a 28 de fevereiro, as autoridades israelitas proibiram grandes aglomerações, incluindo em sinagogas, igrejas e mesquitas, nomeadamente a Mesquita de Al-Aqsa — o terceiro local mais sagrado do Islão — durante o mês sagrado do Ramadão, e limitaram as reuniões públicas a aproximadamente 50 pessoas.

A polícia justificou a sua decisão citando o traçado da Cidade Velha e dos locais sagrados, uma "área complexa" que dificulta o acesso rápido dos serviços de emergência em caso de ataque, "representando, por isso, um risco real para vidas humanas".

Em meados de março, destroços de mísseis e intercetores caíram na Cidade Velha, particularmente perto da Mesquita de Al-Aqsa e da Igreja do Santo Sepulcro, após ataques iranianosRestrições afetam a Páscoa e o Ramadão
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, a semana mais importante do calendário cristão, que antecede a Páscoa. A Cidade Velha estaria normalmente movimentada, com católicos romanos a passar pelas imponentes portas de madeira do Santo Sepulcro.

Este ano, os cristãos, muçulmanos e judeus não puderam celebrar a Páscoa, o Ramadão ou o Pessach como habitualmente devido às restrições policiais. A Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, esteve praticamente vazia durante o Ramadão, e poucos fiéis se deslocaram ao Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo, com a aproximação do Pessach esta quarta-feira.
Moradores da Cidade Velha falam em inconsistência
A 16 de março, estilhaços de mísseis balísticos disparados pelo Irão e destroços de intercetores israelitas que os abateram caíram perto da igreja e do planalto próximo, conhecido pelos muçulmanos como Complexo de Al-Aqsa e pelos judeus como Monte do Templo.

Os residentes da Cidade Velha e as autoridades religiosas disseram que as restrições policiais ao culto não foram aplicadas de forma consistente.


Observaram que os pregadores muçulmanos do Waqf puderam aceder à Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadão e o Eid al-Fitr, e que os funcionários de limpeza foram autorizados a retirar bilhetes de oração do Muro das Lamentações, um ritual anual, antes da Páscoa judaica.

No domingo, os frades franciscanos e os fiéis foram também autorizados a entrar noutro santuário da Cidade Velha, a uma curta caminhada pelas ruelas estreitas da Cidade Velha a partir do Santo Sepulcro, para celebrar o Domingo de Ramos. Reações internacionais condenam decisão de Israel
No domingo, o papa Leão XIII afirmou que Deus rejeita as orações dos líderes que iniciam guerras e têm "as mãos cheias de sangue", em declarações invulgarmente contundentes, enquanto a guerra com o Irão entrava no segundo mês.

Em Portugal, o presidente da República considerou tratar-se de uma “situação sem precedentes”.

Numa nota publicada na página da Presidência, António José Seguro considera que se trata de um facto “que atinge a comunidade cristã local e também o princípio universal da liberdade religiosa, pilar essencial das sociedades democráticas e consagrado no direito internacional. A livre prática do culto, em particular em locais de significado histórico e espiritual ímpar, deve ser assegurada e respeitada por todas as autoridades, em qualquer circunstância".

O presidente "apela ao respeito integral pelos direitos das comunidades religiosas, bem como à preservação do acesso livre e seguro aos lugares santos, que pertencem ao património espiritual da humanidade".

Já o Governo, pela mão do ministro dos Negócios Estrangeiros, condena a atitude de Israel e exorta as autoridades israelitas a "garantirem e praticarem a liberdade de religião e de culto".

Em Espanha, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou, esta segunda-feira, que convocou o encarregado de negócios israelita em Madrid para “expressar o protesto e deixar claro que isto não pode voltar a acontecer”.
Israel retirou o seu embaixador, que estava sediado em Madrid, em 2024, após o reconhecimento do Estado da Palestina por parte de Espanha, e desde então tem sido representado apenas por um encarregado de negócios. 
"Esta é uma medida muito preocupante, porque a liberdade religiosa, a liberdade de culto, é uma liberdade fundamental", enfatizou José Manuel Albares.

Também no domingo, o chefe do governo espanhol já tinha considerado a proibição como "um ataque injustificado à liberdade religiosa" e uma ação levada a cabo "sem razão ou motivo".


"Sem tolerância, a coexistência é impossível", enfatizou Pedro Sánchez, na rede social X, firmemente contra a guerra travada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão há mais de um mês.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, criticou a ação policial, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, afirmou nas redes sociais que iria convocar o embaixador de Israel para tratar do incidente.

Também o presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a decisão da polícia israelita, que, segundo ele, "se soma ao preocupante aumento das violações do estatuto dos Lugares Santos em Jerusalém".

O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, disse que negar a entrada do Patriarca na igreja no Domingo de Ramos era "difícil de compreender ou justificar".

c/ agências 
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