EM DIRETO
Moção de censura em discussão no parlamento com chumbo anunciado

Israel encerra consulado britânico em resposta a sanções na Cisjordânia

Israel encerra consulado britânico em resposta a sanções na Cisjordânia

O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros anunciou hoje o encerramento do consulado britânico em Jerusalém em retaliação pelas sanções contra os colonatos israelitas na Cisjordânia, impostas por Londres e outros países ocidentais.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Leon Lord - AFP

O encerramento do consulado britânico em Jerusalém implica também a retirada dos representantes britânicos do centro de coordenação em Gaza e a suspensão das atividades de formação britânicas para as forças da Autoridade Palestiniana na Cisjordânia, segundo Gideon Saar.

Além disso, o ministro avançou que Israel vai proibir a entrada em Israel de 12 cidadãos britânicos considerados "anti-Israel" e "antissemitas", sem especificar quem eram.

Posteriormente, o executivo israelita especificou que entre os visados estão 11 deputados britânicos, incluindo o antigo líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn, bem como um advogado que representou o movimento islamita palestiniano Hamas.

"O povo judeu tem o direito de viver em toda a terra de Israel", declarou o chefe da diplomacia israelita numa declaração feita em hebraico e inglês, sem responder a perguntas.

O Governo britânico tinha anunciado, pouco antes, novas sanções que visam proibir a importação de bens provenientes dos colonatos israelitas na Cisjordânia.

Numa declaração feita no parlamento, o líder da diplomacia britânica, Ed Miliband, explicou que as medidas sancionatórias também visam empresas e indivíduos relacionados com a expansão dos colonatos, acusando "colonos terroristas" de serem responsáveis por "uma limpeza étnica dos palestinianos".

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, a decisão do Governo britânico constitui uma "grave interferência no processo eleitoral" de Israel, na véspera das eleições legislativas marcadas para outubro.

A intervenção de Miliband no parlamento britânico foi seguida de um comunicado de 12 países, incluindo Reino Unido e Portugal, a anunciar a introdução de restrições nacionais e o apoio de medidas europeias que limitem o comércio de bens provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia.

No comunicado conjunto, os ministros dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido afirmaram que a situação na Cisjordânia "está a deteriorar-se rapidamente perante níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão de colonatos".

O grupo exigiu que o Governo de Israel "suspenda imediatamente a expansão dos colonatos e dos poderes administrativos civis", assegure a responsabilização pela violência de colonos e investigue alegações contra as forças israelitas.

O texto conjunto reconheceu ainda os "legítimos interesses de segurança de Israel" e manteve a condenação ao ataque terrorista do Hamas de 07 de outubro de 2023, descrito como "o pior massacre antissemita desde o Holocausto", mas reiterou o compromisso com a solução de dois Estados - israelita e palestiniano -, conforme as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecidas pela comunidade internacional.

Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.

A política de colonização tem sido mantida por sucessivos governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.

A violência intensificou-se na Cisjordânia igualmente desde 07 de outubro de 2023, com ataques quase diários de colonos e incursões regulares em aldeias palestinianas.
PUB