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Líder político do Hamas morto em ataque israelita contra hospital de Gaza

Líder político do Hamas morto em ataque israelita contra hospital de Gaza

No domingo, cinco dias depois de ter rompido o cessar-fogo com o Hamas, Israel lançou uma ofensiva no sul da Faixa de Gaza e prosseguiu as suas operações militares noutros pontos do enclave palestiniano. Pelo menos cinco pessoas foram mortas e várias outras ficaram feridas no ataque israelita ao hospital Nasser, em Khan Yunis, de acordo com o movimento radical palestiniano. Incluindo Ismail Barhoum, membro do gabinete político do Hamas, que se encontrava a "receber tratamento depois de ter sido gravemente ferido num ataque aéreo à sua residência".

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Reuters

"As forças de ocupação atacaram o edifício cirúrgico do Hospital Nasser, que alberga muitos doentes e feridos, e ali deflagrou um grande incêndio", declarou o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo movimento islamita palestiniano Hamas, em comunicado.

O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, confirmou ter atingido Ismail Barhoum durante o ataque após o exército israelita ter declarado que efetuou um "ataque de precisão contra um dos principais terroristas do Hamas que operava no interior do complexo hospitalar Nasser".Segundo a mesma fonte, o Hamas utiliza infraestruturas civis, como hospitais, colocando "cruelmente em risco a população de Gaza", pelo que Israel diz ter conduzido um "processo minucioso" e utilizado "armamento de precisão concebido para minimizar os danos tanto quanto possível".

De acordo com fonte do Hamas, citada pela agência France Presse, Ismail Barhum encontrava-se internado neste hospital "a receber tratamento, depois de ter sido gravemente ferido num ataque aéreo à sua residência, que também vitimou o seu sobrinho, Mohamed Barhum, em Khan Yunis, na terça-feira".
Além do líder do Hamas, o Ministério da Saúde de Gaza também confirmou a morte de quatros outras pessoas, incluíndo pacientes e profissionais de saúde, durante o bombardeamento que "causou o pânico e levou à evacuação total do edifício, que ficou em grande parte destruído", acrescentou. Segundo o último balanço desta entidade, morreram nas últimas horas em Gaza 21 pessoas. 
Vários líderes do Hamas foram mortos
Após dois meses de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, desde terça-feira que Telavive intensificou os seus ataques contra a Faixa de Gaza e matou vários líderes do Movimento de Resistência Islâmica, Hamas

No domingo, o movimento palestiniano confirmou a morte de outro líder do seu gabinete político. Trata-se de Salah Al-Bardawil, de 65 anos, morto com a sua mulher num ataque israelita a um campo de Al-Mawasi, perto de Khan Younis.
UE procura "regresso imediato" ao cessar-fogo

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, está em Israel para apelar a "um regresso imediato" ao acordo de cessar-fogo. À chegada ao Médio Oriente no domingo à noite, Kaja Kallas afirmou que "o sofrimento na Faixa de Gaza tem de acabar" e considerou que a destruição do enclave palestiniano "só alimenta a radicalização".

Kaja Kallas deixou claro que “Israel tem o direito de se defender, mas deve respeitar a vida dos civis e o direito humanitário".  A líder europeia considerou que "as ameaças de anexar partes de Gaza são inaceitáveis”.
"Procedimento secreto" para "derrubar Governo de direita"

À margem da ofensiva israelita em Gaza, o primeiro-ministro israelita, Benyamin Netanyahu, acusou já esta segunda-feira o chefe do Shin Bet, Ronen Bar, de ter investigado o ministro israelita de Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben Gvir, sem o seu consentimento.

Netanyahu afirma que o chefe dos Serviços israelitas de Segurança Interna, cuja demissão foi suspensa na sexta-feira pelo Supremo Tribunal, de ter conduzido um "procedimento secreto" para investigar a infiltração de membros da extrema-direita nas forças policiais e o ministro Ben Gvir.

“A alegação de que o primeiro-ministro autorizou o chefe do Shin Bet, Ronen Bar, a reunir provas contra o ministro Ben Gvir é uma nova mentira que veio a lume", escreve o gabinete do primeiro-ministro israelita em comunicado. 

"O documento publicado, que contém uma diretiva explícita do chefe do Shin Bet para reunir provas contra o escalão político, assemelha-se a regimes obscuros, mina os fundamentos da democracia e visa derrubar o governo de direita", acrescenta, numa reação à reportagem do canal 12.

O ministro israelita da Segurança Social, Itamar Ben Gvir, acusou Ronen Bar de ser um "criminoso" e um "mentiroso", numa publicação na rede social X.


Ben Gvir escreve que o Ronen Bar está "a tentar negar a sua tentativa de conspirar contra representantes eleitos num país democrático, mesmo depois de os documentos terem sido revelados ao público e ao mundo”.

"Não ficarei satisfeito com a sua demissão, ele tem de enfrentar acusações criminais por tentativa de golpe de Estado e tentativa de derrubar a democracia", conclui.

c/ agências 
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