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Pelo menos cinco mortos em explosões no Irão. Israel desmente envolvimento

Pelo menos cinco mortos em explosões no Irão. Israel desmente envolvimento

Uma série de explosões ocorreu no Irão este sábado, levando a suspeitas de atentados contra o regime de Teerão. Os rumores foram descritos como "completamente falsos".

Graça Andrade Ramos - RTP /
Pessoas reagem à explosão no porto de Bandar Abbas, Irão, sábado 31 de janeiro de 2026 Foto: Faytuks Network - Rede X

Morreram quatro pessoas, no que foi descrito como uma "explosão de gás" num edifício residencial em Ahvaz, referiu o Tehran Times, citando o comandante do corpo de bombeiros da cidade.

Já no porto de Bandar Abbas, o mais importante porto iraniano no Golfo, morreu pelo menos uma pessoa e 14 ficaram feridas numa explosão, referiu um responsável local às agências de notícias iranianas.

A causa desta explosão, sentida em toda a cidade, não foi determinada logo de início. Os meios de comunicação iranianos informaram que o incidente estava a ser investigado, sem mais informações. O comandante dos bombeiros da cidade afirmou depois que o incidente se deveu à explosão de "gás acumulado". 

Logo após a explosão em Bandar Abbas, cicularam nas redes sociais notícias de que ela resultara de um ataque contra um comandante da Marinha dos Guardas da Revolução, as Forças Armadas iranianas. Estas alegações são "completamente falsas", reportou entretanto a agência semi-oficial Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irão.

A televisão estatal noticiou que a explosão no porto ocorreu num edifício de oito pisos, "destruindo dois andares, vários veículos e lojas" na zona do Boulevard Moallem, na cidade.

“Os feridos no incidente estão a ser transferidos para o hospital pelas equipas de emergência”, disse Mehrdad Hassanzadeh, diretor-geral de gestão de crises da província de Hormozgan, à agência de notícias IRNA.

A explosão em Bandar Abbas foi depois atribuída a uma "fuga e acumulação de gas", pelo chefe de bombeiros da cidade.
Outros ataques

Os internautas não se mostram convencidos pela explicação oficial para as explosões, pelo menos para as de bandar Abbas e de Ahvaz. Alguém escreveu "longa vida ao Xá", no muro exterior do edifício de Bandar Abbas, referem. "A vingança começou", afirmam ainda.


Nas redes sociais há relatos de mais explosões noutras cidades iranianas.

A televisão estatal justificou a nuvem de fumo visível a distância em Parand, um subdistrito de Teerão, como um "incêndio menor nos juncos". 

Foram reportados outros incidentes em Tabriz, Qom, Farand, Qeshm, Nowshahr, Ardabil e Karaj. 
As informações são impossíveis de verificar de forma fidedigna. 

Refere-se igualmente a presença de operacionais israelitas no país e a possibilidade de estarem a ocorrer ataques de drones ou ações de sabotagem através das canalizações de gás.


Uma hora depois das primeiras notícias, dois responsáveis israelitas garantiram à Agência Reuters que Israel não teve qualquer envolvimento na série de explosões.
Tensão

Os incidentes marcam um período de tensões crescentes entre Teerão e Washington devido à repressão do Irão aos protestos em todo o país e ao programa nuclear iraniano.O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário às explosões.

O presidente norte-americano, Donald Trump, disse no dia 22 de janeiro que uma "armada" estava a caminho do Irão. Várias fontes disseram na sexta-feira que Trump estava a avaliar opções contra o Irão, incluindo ataques direcionados às forças de segurança.

Bandar Abbas, alberga o mais importante porto de contentores do Irão. Fica no Estreito de Ormuz, uma via navegável vital entre o Irão e Omã, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo.

É também a base das Forças Armadas navais iranianas.

O porto sofreu uma grande explosão em abril último, que matou dezenas de pessoas e feriu mais de mil. Na altura, uma comissão de investigação atribuiu a explosão a falhas no cumprimento dos princípios de defesa e segurança civil.

O Irão tem sido abalado pelos protestos em todo o país, que eclodiram no final de dezembro de 2025, devido às dificuldades económicas e representaram um dos maiores desafios de sempre para os governantes religiosos do país.

c/ agências
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