"Regressámos". Israel reabre colonato na Cisjordânia e desafia críticas internacionais

"Regressámos". Israel reabre colonato na Cisjordânia e desafia críticas internacionais

A reabertura do colonato de Kadim surge numa altura em que vários países, incluindo Portugal, condenaram a ocupação ilegal da Cisjordânia por Israel.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Ammar Awad - Reuters

O colonato de Kadim, na Cisjordânia, estava vazio há duas décadas, altura em que foi evacuado por um anterior Governo israelita. Agora que foi reaberto, 30 “famílias pioneiras” de Telavive vão ocupá-lo. À luz do direito internacional, todos os colonatos israelitas são ilegais.

“Vinte e um anos após o crime da expulsão do norte de Samaria, (…) regressámos ao colonato de Kadim”, afirmou o ministro israelita das Finanças, Bezalel Smotrich, utilizando o termo bíblico para designar o norte da Cisjordânia.

Ao seu lado na cerimónia de inauguração estavam o ministro da Justiça de Israel, o presidente do Parlamento israelita e o presidente do Conselho Regional de Colonos, que prometeu que estes um dia regressariam também a Gaza.

O colonato de Kadim, situado numa pequena encosta nos arredores da cidade palestiniana de Jenin, foi evacuado em 2005 pelo Governo israelita da altura, no âmbito de um plano de retirada unilateral que também levou à saída dos colonos e soldados de Gaza e ao desmantelamento de três outros colonatos no norte da Cisjordânia.

Na altura, os quatro colonatos foram considerados demasiado isolados e a sua proteção demasiado dispendiosa, além de possuírem pouco valor estratégico.

Um agricultor palestiniano disse à BBC lembrar-se da construção de Kadim quando era criança e explicou que os colonos foram expulsos pelo Governo israelita ao fim de 20 anos.

“Naquele tempo, os colonos viviam ao nosso lado e coexistíamos pacificamente. Eles viviam as suas vidas e nós vivíamos as nossas”, recordou, dizendo sentir-se receoso com a chegada das novas famílias.

“Já não tenho forças para mais retiradas”, disse. “Vivemos com um sentimento de resignação. É uma vida de medo”.Portugal condenou expansão de colonatos
Depois de Kadim e outros três colonatos próximos terem sido evacuados em 2005, foi proibido aos israelitas ocuparem esta zona. O atual Governo de Israel revogou essa proibição.

Agora, no topo da colina voltaram a surgir casas móveis brancas que irão receber a nova geração de colonos. Israel recusou à imprensa internacional a entrada no local no dia de cerimónia de inauguração.

Kadim é o último dos colonatos evacuados em 2005 a reabrir. Ganim, Sanur e Homesh já foram formalmente reabertos e as famílias já se mudaram para lá. Desde que assumiu o poder no final de 2022, o Governo de Benjamin Netanyahu aprovou mais de uma centena de novos colonatos em toda a Cisjordânia, incluindo 19 no norte.

Hagit Ofran, do movimento “Peace Now”, disse à BBC que a rápida construção em Jenin faz parte de uma corrida mais ampla do Governo israelita para expandir os colonatos na Cisjordânia antes das eleições israelitas, que se realizam em outubro.

Telavive tem neste momento em curso o projeto de expansão do colonato E1, com cerca de 3.400 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, numa área de 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma`ale Adumim e Jerusalém Oriental.

O Ministério português dos Negócios Estrangeiros condenou “fortemente”, na noite de quinta-feira, a expansão de colonatos por parte de Israel na Cisjordânia e frisou que esta decisão torna ainda mais difícil alcançar uma solução de dois Estados.

No mesmo dia, outros sete países - Reino Unido, França, Alemanha, Noruega, Países Baixos, Itália e Canadá – tinham já apelado a Israel para que interrompesse de imediato a expansão dos colonatos na Cisjordânia, incluindo o megaprojeto E1, considerando-o inaceitável.

c/ agências
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