Paulo Portas apresenta programa para as eleições legislativas
O presidente do CDS-PP apresenta hoje um programa eleitoral que fixa como prioridades a reabilitação da economia, o combate ao desemprego e a consolidação orçamental. Paulo Portas defende um reforço das pensões com verbas retiradas a beneficiários do Rendimento Mínimo que "vivem à custa do contribuinte" e avisa que "o país não sai da cepa torta" com o bloco central.
A Convenção Programática do CDS-PP decorre em Tomar e conta com as intervenções de figuras como o antigo líder José Ribeiro e Castro, cabeça-de-lista pelo Porto, a médica Isabel Galriça, que aparece em quarto lugar, como independente, na lista de Lisboa, o antigo ministro das Finanças António Bagão Félix e o presidente do Conselho Nacional do partido, António Pires de Lima. Aos oradores caberá fazer o "enquadramento técnico" do programa para as legislativas.
Segundo o líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, o site do partido na Internet reuniu "centenas de contributos" nos últimos meses. Em declarações à agência Lusa, o dirigente explicou que o programa eleitoral foi produzido por "20 grupos de trabalho" sob a coordenação de Assunção Cristas, cabeça-de-lista por Leiria.
Reforçar apoio a "pessoas que trabalharam a vida inteira"
No sábado, durante uma deslocação de pré-campanha a Penedono, o presidente do CDS-PP voltou a colocar a tónica na necessidade de rever as condições de atribuição do Rendimento Mínimo, de forma a captar verbas para "melhorar as pensões" rurais, sociais e mínimas "de um milhão de pensionistas".
"Vou deslocar uma parte do que está no Rendimento Mínimo. Prefiro apoiar quem trabalhou toda a vida do que quem às vezes abusa do Rendimento Mínimo porque não quer trabalhar, mas quer viver à custa do contribuinte", sustentou Paulo Portas.
"O dinheiro que aí se vai buscar é aplicado em pensões, porque essas sim, eu tenho a certeza de que são dadas a pessoas que trabalharam a vida inteira. Isto é uma grande diferença entre o CDS e qualquer outro partido", insistiu.
"Centrão anda em movimento"
Chamado a comentar os elogios do antigo ministro socialista Joaquim Pina Moura ao programa eleitoral do PSD, Paulo Portas não se mostrou surpreendido: "Esta semana vi o professor Deus Pinheiro fazer um elogio ao PS, agora vejo o doutor Pina Moura fazer um elogio ao PSD. Cheira-me que o centrão, o bloco central, anda em movimento".
"Mas com o bloco central, o país não sai da cepa torta", acrescentou o presidente do CDS-PP.
Portas afirmou ainda sentir orgulho por liderar a força política que tenciona gastar menos durante a campanha: "Trabalhar muito e gastar pouco é uma boa atitude de um partido na situação em que Portugal está. O país tem falências, muita gente no desemprego, a lavoura abandonada, pensionistas muito pobres, jovens a pensarem emigrar porque esta terra não lhes dá oportunidades, e os partidos vão esbanjar dezenas de milhões de euros para porem cartazes?".
"Justiça económica" e rejeição da direita são bandeiras à esquerda
A menos de um mês das eleições legislativas, os partidos à esquerda dos socialistas estugam também o passo na pré-campanha. O Bloco de Esquerda está a discutir em Almada o seu programa eleitoral, enquanto o Partido Comunista antecipa a rentrée da Festa do Avante! com nova equiparação entre socialistas e sociais-democratas, ambos "executantes" de uma política de direita.
"Justiça económica". É esta a fórmula gizada pelo Bloco de Esquerda para sintetizar os objectivos inscritos no seu programa para as legislativas de 27 de Setembro. Em cima da mesa do "Fórum de Ideias Socialismo 2009", que termina hoje com uma intervenção de Francisco Louçã, estão 51 propostas.
"Em vez de a Segurança Social ser financiada apenas através de descontos por trabalhador, também se introduza um outro factor, que as empresas contribuam para a Segurança Social através do valor acrescentado que dão", advogava ontem Miguel Portas à RTP.
No plano da educação, o mote para o debate coube a Ana Drago: "Queremos discutir a forma como organizamos os currículos, a forma como nós ligamos as escolas às comunidades e transformamos a escola num espaço público, a forma como olhamos para os jovens e, mais do que domesticar em cada aula, dar-lhes voz e dar-lhes possibilidade de criar o seu projecto de desenvolvimento".
Entre os comunistas, a derrota das políticas de direita continua a enformar todas as propostas para as eleições legislativas. A uma semana da Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP foi à Quinta da Atalaia, no Seixal, para deixar claro que as críticas desferidas aos socialistas não significam que o partido queira ver o PSD no governo.
"Se é verdade que estas eleições do dia 7 de Junho derrotaram a política de direita, não derrotámos ainda os executantes. Muitas vezes confrontam-nos com a ideia: mas se vocês criticam tanto o PS, querem que o PSD ganhe as eleições? É importante dizer que consideramos que não é sair da frigideira para cair no lume, não é deixar de votar PS para votar PSD", enfatizava ontem Jerónimo de Sousa.
Os partidos de direita, repetiu o dirigente comunista, sentem-se hoje "frustrados" pelo facto de os socialistas terem protagonizado "aquilo que eles gostariam de fazer se fossem poder".
"E quando nos dizem que, se não ganha o PS, ganha o PSD, se não ganha o PSD, ganha o PS, nós consideramos isto um falso dilema, porque se há novidade, se há questão nova nestas eleições, é a CDU afirmar-se como força alternativa para executar uma política de esquerda, uma política patriótica", lançou o secretário-geral do PCP.