Mundo
Guerra no Médio Oriente
Abbas Araghchi promete partilhar "oportunamente" detalhes de acordo com os EUA
Numa publicação na rede X, esta sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano aconselhou “os meios de comunicação social devem abster-se de especular" sobre o conteúdo do acordo com os Estados Unidos, até que este "seja finalizado". O mediador Paquistão disse depois que tinha sido alcançado um "texto final consensual".
“Em consonância com a nossa abordagem responsável e transparente, todos
os detalhes serão partilhados com o público oportunamente”, escreveu Araghchi, depois de frisar que um memorando de entendimento entre Teerão e Washington "nunca esteve tão próximo".
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país serviu de mediador nas negociações entre os dois lados, anunciou pouco depois que as partes chegaram a um “texto final e consensual do acordo de paz”. O Paquistão está agora a trabalhar para “finalizar os próximos passos”, escreveu Sharif numa publicação no X, criticando ainda o que chamou de “incessante campanha de desinformação promovida por aqueles que querem sabotar o acordo de paz”.
“A paz nunca esteve tão próxima como agora”, acrescentou Sharif.
“A paz nunca esteve tão próxima como agora”, acrescentou Sharif.
O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou quinta-feira nas intenções de atacar o Irão, pela terceira noite consecutiva, e anunciou que um acordo com o Irão poderia ser assinado já no fim de semana, na Europa.
Trump mencionou também que o supremo líder iraniano tinha dado "luz verde" ao acordo.
Mas, sexta-feira, o presidente dos EUA regressou às críticas duras a Teerão, depois de terem aparecido descrições imprecisas da proposta nos meios de comunicação estatais iranianos.
Ao contrário dos primeiros rumores sobre o conteúdo do acordo, a imprensa oficial iraniana noticiou que não haveria renúncia ao programa nuclear, desmentindo informações anteriores avançadas por fontes ocidentais.
Estaria afinal previsto discutir o programa com Washington num prazo de 60 dias. "O Irão só negociará o programa nuclear no âmbito dos princípios
fundamentais da República Islâmica, e questões como o direito do Irão a
enriquecer urânio e a conservação de material enriquecido (...) serão
apresentadas para inclusão no acordo final", afirmou a agência oficial
de notícias iraniana IRNA, citada pela agência francesa AFP.
No projeto de acordo-quadro, Teerão recusava igualmente ceder o controlo estratégico do Estreito de Ormuz, nos termos do projeto de acordo-quadro com os Estados Unidos, avançou também a IRNA.
"O Irão não assume qualquer compromisso neste texto de ceder a gestão do Estreito ou de restaurar as condições que prevaleciam antes da agressão militar americana e israelita", segundo a IRNA, que descreveu "as linhas principais do texto atual" atualmente a ser finalizado.
"O Irão não assume qualquer compromisso neste texto de ceder a gestão do Estreito ou de restaurar as condições que prevaleciam antes da agressão militar americana e israelita", segundo a IRNA, que descreveu "as linhas principais do texto atual" atualmente a ser finalizado.
Citando uma fonte próxima da equipa negociadora iraniana, a agência afirmou também que o rascunho incluía "a libertação" de 24 mil milhões de dólares (cerca de 20,7 mil milhões de euros) "em fundos iranianos bloqueados durante o último período de negociação de 60 dias", acrescentando que metade deste montante seria "disponibilizado ao Irão antes do início das negociações".