O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em Inglês) apresenta cinco cenários com base em diferentes níveis de CO2 e outras emissões de gases com efeito de estufa. Se forem registados níveis de emissões altos e muito altos, a temperatura da Terra deverá atingir os 3.6 e os 4.4 graus celsius acima dos níveis pré-industriais (1859-1900) respectivamente até ao final do século. O cenário intermédio de aquecimento de dois graus será muito provavelmente ultrapassado.
O
relatório refere ainda que cada 0.5 graus de aquecimento provoca aumentos percetíveis tanto na intensidade como na frequência de ondas de calor, chuvas fortes, secas e outros sinais extremos.
Fenómenos como chuvas fortes que dantes eram registados uma vez por década têm agora mais 1,3 vezes probabilidade de se verificarem, sendo quase sete por cento mais intensos, em comparação com o período entre 1850 e 1900. Também as secas que aconteciam uma vez por década, podem ocorrer agora a cada cinco ou seis anos.
Ilhas do Pacífico podem desaparecer
O aquecimento global acima dos 1.5 graus terá consequências “catastróficas” para as ilhas do Pacífico e poderá levar ao desaparecimento de países inteiros devido à subida dos níveis da água do mar ainda neste século.
A região do Pacífico tem registado marés fortes, ciclones, aumento de teor de sal nos lençóis de água subterrâneos – o que impossibilita as colheitas, potencia secas continuadas e leva a uma redução da área seca. Estes desastres devem aumentar de frequência e de gravidade com o aquecimento da Terra.
“Vamos ver maior salinidade, vamos assistir à subida do nível das águas do mar… o que implica que partes significativas de lugares como Kiribati, Vanuatu e Ilhas Salomão vão ficar inabitáveis”, afirma Nikola Casule, líder de investigação da Greenpeace Austrália Pacífico, citado pelo jornal “The Guardian”.
“Inundações e tempestades catastróficas têm ocorrido com frequência considerável: eventos que ocorriam uma vez em cada 50 a 100 anos, têm acontecido em cada 10 anos. Podemos de imediato prever que ciclones catastróficos, superciclones, secas prolongadas se tornarão muito mais frequentes e intensos nas pequenas ilhas do Pacífico”, acrescentou.
Ainda de acordo com o sexto relatório sobre o aquecimento global do IPCC, as emissões de gases de efeito estufa têm de ser reduzidas para metade de modo a limitar o aquecimento a 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais - uma meta que foi incluída no Acordo de Paris somente após pressão da parte dos líderes das ilhas do Pacífico.
“Precisamos de inverter a tendência”, declarou Diann Black-Layne, a principal negociadora sobre o clima da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS, na sigla em inglês) e embaixadora de Antígua e Barbuda na ONU.
“A questão é que, se limitarmos o aquecimento a 1,5 graus centígrados, ainda corremos o risco de um aumento do nível do mar de meio metro. Mas, se impedirmos o aquecimento de atingir os 2 graus centígrados, podemos evitar um aumento do nível do mar de três metros a longo prazo. É o nosso futuro que está em causa”, escreveu em comunicado.
A associação ambientalista Greenpeace destaca a injustiça que as estimativas do IPCC representam para a região do Pacífico, que é uma das regiões com mais baixos níveis de emissão de carbono, produzindo apenas 0,23 por cento das emissões mundiais.
No entanto, este facto não impediu que um grupo de pessoas pintasse a residência do primeiro-ministro e o edifício do Parlamento australiano com frases de incitação à ação climática. Scott Morrison tem resistido a comprometer-se com a meta de neutralidade carbónica até 2050, dando prioridade a investimentos em tecnologia.
"Não vou assinar um cheque em branco em nome dos australianos", declarou Scott Morrison. “Sempre acabamos por pagar os cheques em branco e sempre pagamos através de impostos mais altos", sustentou.