Ataques a petroleiros. Príncipe herdeiro saudita culpa o Irão

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“O Reino não quer uma guerra na região, mas não hesitará em lidar com quaisquer ameaças ao seu povo, à sua soberania ou aos seus interesses vitais”
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O príncipe herdeiro saudita acentuou, nas últimas horas, a atribuição de responsabilidades ao regime iraniano pelos incidentes da semana passada com petroleiros no Golfo de Omã. Mohammed bin Salman avisou que, embora não deseje uma guerra na região, o Reino “não hesitará em lidar com quaisquer ameaças ao seu povo, à sua soberania ou aos seus interesses vitais”.

Depois de o ministro saudita da Energia, Khalid al-Falih, ter instado a uma “rápida e decisiva resposta à ameaça aos aprovisionamentos energéticos”, o príncipe herdeiro saudita decidiu chamar a si o apontar do dedo a Teerão, na sequência de posições análogas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Os preços do petróleo sofreram um aumento de 3.4 por cento desde os acontecimentos de quinta-feira. E as seguradoras de navios adiantam que os custos das travessias no Médio Oriente subiram dez por cento.

Em entrevista ao jornal saudita Asharq Al-Awsat, Mohammed bin Salman culpou diretamente o regime dos ayatollahs e apelou à comunidade internacional para que assuma uma “posição decisiva” perante os aparentes ataques contra petroleiros.

Na quinta-feira, o navio japonês Kokuka Courageous, que transportava metanol no mar de Omã, perto do estreito de Ormuz, foi sacudido por explosões, que terão provocado um incêndio. As chamas foram rapidamente apagadas. O mesmo aconteceu a um segundo petroleiro carregado de nafta, o Front Altair, propriedade de um armador de Chipre com origem norueguesa.

Bin Salman deixou mesmo um aviso: “O Reino não quer uma guerra na região, mas não hesitará em lidar com quaisquer ameaças ao seu povo, à sua soberania ou aos seus interesses vitais”.

No mesmo dia das explosões, os Estados Unidos tornaram público um vídeo com o objetivo de demonstrar o envolvimento do Irão em aparentes atos de sabotagem. Segundo o Pentágono, tartar-se-ia de imagens de operacionais dos Guardas Revolucionários iranianos.

“O Irão fê-lo e sabemos que o fez porque vimos o barco”, vincava na sexta-feira o Presidente norte-americano, Donald Trump, em declarações à estação Fox News.

Além das ações contra navios, Washington tem também acusado o Irão de estar na origem dos ataques de 14 de maio com drones a duas estações de bombagem da Arábia Saudita. O Governo iraniano refuta ambas as acusações e denuncia uma “campanha iranofóbica”. “Além da especulação”
Também em Washington são audíveis vozes que afastam um apetite pela via do conflito amado. Ao mesmo tempo, porém, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos sinaliza estar a preparar “planos de contingência”.

Entre os aliados da Administração norte-americana há vozes dissonantes. Citado pela agência Kyodo, o Ministério japonês dos Negócios Estrangeiros veio reclamar mais provas que sustentem a tese de um papel iraniano nos ataques aos navios.

“Se ter o nível necessário de especialização é considerado um argumento convincente para estabelecer que foi o Irão, isso também se aplicaria aos Estados Unidos e a Israel”, apontou fonte da diplomacia do Japão.

Tóquio sublinha que as posições públicas da Administração Trump não têm permitido “ir além da especulação”.

As explosões de quinta-feira aconteceram no momento em que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, estava em conversações, em Teerão, com o guia supremo do regime, o ayatollah Ali Khamenei.

“Os ataques afetaram seriamente a reputação do primeiro-ministro, que estava a tentar mediar o conflito entre os Estados Unidos e o Irão”, frisou fonte próxima de Abe, igualmente citada pela Kyodo, para acrescentar que “cometer erros na determinação dos factos seria inadmissível”.
Apelos à calma
Perante o alinhamento de Londres com Washington, o Governo iraniano convocou no sábado o embaixador britânico em Teerão para lhe expressar o descontentamento face a “uma posição inaceitável”.

Outras chancelarias optaram pela cautela. O Governo alemão veio dizer que o vídeo publicado pelos norte-americanos foi insuficiente para provar o envolvimento do Irão. E o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu a realização de um inquérito independente.

O Governo chinês e a diplomacia da União Europeia apelaram à contenção.

A par deste diferendo, o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, capitalizou ontem a participação num encontro de líderes asiáticos no Tajiquistão - onde esteve também o Presidente da Rússia, Vladimir Putin - para reiterar que não restará a Teerão outra via que não a do abandono progressivo dos compromissos assumidos no acordo nuclear de 2015.

Isto se o regime não testemunhar “sinais positivos” por parte dos signatários que se mantêm vinculados ao pacto denunciado por Donald Trump.

c/ agências

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Arábia Saudita, Ataques, Estados Unidos, Golfo de Omã, Irão, Petroleiros,

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