Ataques aéreos russos provocam quatro mortos e vários apagões na Ucrânia

Pelo menos quatro pessoas morreram perto de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, durante uma noite de intensos ataques aéreos russos que provocaram novos apagões esta terça-feira no país, a enfrentar um inverno rigoroso.

Cristina Sambado - RTP /
Sergei Gapon - AFP

Moscovo atingiu as regiões de Kiev, Kharkiv, Zaporizhzhia (sul) e Dnipropetrovsk (centro-leste) com 25 mísseis e 293 drones, avançou a Força Aérea Ucraniana no Telegram que acrescenta que as unidades de defesa abateram 240 drones e sete mísseis.

Quase quatro anos após o início da sua ofensiva em grande escala, Moscovo continua a bombardear implacavelmente as infraestruturas elétricas da Ucrânia, deixando centenas de milhares de casas sem aquecimento, água e eletricidade.Também esta terça-feira, a Ucrânia afirmou ter atingido uma fábrica de drones na região russa de Rostov. 

Vários bombeiros trabalharam nos escombros de um armazém em chamas na aldeia de Korotych, perto de Kharkiv, onde um ataque aéreo russo matou pelo menos quatro pessoas e feriu seis, segundo o governador regional Oleg Synegubov.
Jornal da Tarde | 13 de janeiro de 2026

Já o Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia informou que o ataque em Kharkiv atingiu um terminal postal, destruindo edifícios e provocando múltiplos incêndios numa área de cerca de 500 metros quadrados. As equipas de resgate retiraram 30 pessoas para um local seguro, incluindo duas que estavam debaixo dos escombros. Kharkiv, a segunda cidade mais populosa do país antes da invasão russa iniciada em fevereiro de 2022, é frequentemente alvo de bombardeamentos russos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, denunciou que o ataque ao armazém não teve “qualquer propósito militar" e condenou os bombardeamentos que deixaram "centenas de milhares de casas sem eletricidade" na região de Keiv.

"A Rússia precisa de compreender que o frio não a ajudará a vencer a guerra", acrescentou, reiterando o seu apelo para que os aliados de Kiev reforcem os sistemas de defesa aérea da Ucrânia.

O chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, descreveu o ataque como o mais intenso, desde o início do ano contra a capital.

Outro ataque noturno provocou um incêndio num centro de acolhimento infantil, em Kharkiv, mas não houve registo de vítimas, revelou o presidente da câmara, Igor Terekhov.

Duas vagas de ataques com drones, russos no centro de Odessa danificaram edifícios residenciais e um hospital, ferindo pelo menos seis pessoas, segundo o governador regional Oleg Kiper.

Uma mulher e um homem também foram hospitalizados após ataques na região de Dnipropetrovsk, revelaram os serviços de emergência ucranianos.

Na cidade industrial de Kryvyi Rih, no centro da Ucrânia, duas pessoas ficaram feridas na sequência de um ataque das forças de Moscovo que danificou infraestruturas civis, casas e gasodutos. 
Oitavo ataque a infraestruturas energéticas desde outubro 

A empresa privada de fornecimento de eletricidade DTEK informou ainda que 47 mil casas ficaram sem energia em Odessa, uma cidade portuária no Mar Negro, devido a danos em duas centrais.

Segundo a DTEK, este é o oitavo ataque às suas instalações energéticas desde outubro. "Desde o início da invasão, as centrais da DTEK foram atacadas pelo inimigo mais de 220 vezes", acrescentou a empresa no Telegram. O Ministério ucraniano da Energia anunciou novos cortes de energia em Kiev e em partes da região da capital devido aos ataques às infraestruturas elétricas e ao mau tempo, com temperaturas a variar entre os -7°C e os -15°C.

A Rússia tem atacado repetidamente o sistema elétrico da Ucrânia com mísseis e drones desde o início da invasão em fevereiro de 2022, com o objetivo de interromper o fornecimento de eletricidade e aquecimento durante o Inverno, enquanto as defesas aéreas ucranianas lutam para intercetar as vagas de ataques.

Esta terça-feira, as forças russas realizaram também um ataque maciço contra instalações do complexo militar-industrial na Ucrânia, segundo o Ministério russo da Defesa.

"As forças armadas da Rússia lançaram um ataque maciço com armas terrestres de precisão, bem como veículos aéreos não tripulados, contra instalações de infraestruturas energéticas utilizadas pelos interesses das forças armadas da Ucrânia e das empresas do complexo militar-industrial", frisou o Ministério.

Os esforços diplomáticos para tentar pôr fim ao conflito intensificaram-se nos últimos meses sob a liderança do presidente norte-americano, Donald Trump, mas sem produzir resultados concretos.

Os Estados Unidos denunciaram a utilização, pela Rússia, do míssil balístico Oreshnik de última geração na sexta-feira perante o Conselho de Segurança da ONU. Segundo Moscovo, o míssil atingiu uma fábrica de aviões perto de Lviv (oeste da Ucrânia).

Washington considera que se trata de uma "escalada perigosa e inexplicável, enquanto os Estados Unidos trabalham com Kiev, outros parceiros e Moscovo para pôr fim à guerra através de um acordo negociado".

Os Estados Unidos acusaram Moscovo de "gozar com a causa da paz".

c/ agências 

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