Atribuído aos Houthis. Pelo menos 12 mortos e 309 feridos em ataque ao aeroporto de Riade

Atribuído aos Houthis. Pelo menos 12 mortos e 309 feridos em ataque ao aeroporto de Riade

Pelo menos 12 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas num ataque ao aeroporto internacional de Riade no sábado - o mais mortífero contra o reino em mais de uma década-, à medida que os Houthis, apoiados pelo Irão, intensificam uma campanha iniciada este verão.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto de 19 de setembro. Houthis atacaram várias áreas junto ao aeroporto Rei Khalid Reuters

De acordo com a autoridade de aviação civil saudita, entre as vítimas mortais, do terceiro ataque da semana ao aeroporto, encontram-se quatro cidadãos sauditas e oito estrangeiros, dos quais um norte-americano.

Os hospitais ficaram lotados com feridos transportados por ambulâncias e helicópteros; alguns estavam em estado crítico após o ataque, que ocorreu sem aviso prévio.

Os dois ataques anteriores ao aeroporto internacional Rei Khalid, esta semana, mataram quatro pessoas e causaram danos graves a uma aeronave comercial saudita estacionada no pátio. Os ataques expuseram vulnerabilidades nas capacidades de defesa da Arábia Saudita, enquanto o país conduz uma campanha aérea contra os Houthis para apoiar a guerra terrestre do governo iemenita contra o grupo apoiado pelo Irão.

No sábado, todos os voos com destino a Riade foram desviados e as operações no aeroporto que serve uma cidade de oito milhões de habitantes foram suspensas, informou a autoridade de aviação civil saudita.

As operações estão suspensas até que os danos sejam avaliados e a segurança das instalações esteja verificada, acrescentou a entidade.

A companhia nacional Kuwait Airways já tinha anunciado a interrupção das ligações com a capital saudita.

O chefe do gabinete de imprensa dos houthis publicou na rede social X que o grupo tinha "paralisado o aeroporto internacional de Riade".

Os houthis, grupo apoiado pelo Irão, declararam que as aeronaves comerciais devem evitar o espaço aéreo saudita, classificando-o como uma zona de operações militares.

O grupo alertou ainda as companhias aéreas internacionais para que não operem voos através do espaço aéreo saudita, afirmando que a região se tornou palco das suas operações militares — com exceção do espaço aéreo sobre as cidades sagradas de Meca e Medina.

A embaixada dos EUA em Riade "recomenda vivamente que todos os cidadãos norte-americanos evitem este aeroporto e as áreas circundantes".

Outras embaixadas ocidentais aconselharam o pessoal a evitar durante uma semana o aeroporto de Riade, indicou à AFP um diplomata na capital saudita.

Ataques anteriores dos Houthis levaram várias companhias aéreas a suspender ou cancelar serviços para a capital saudita, pouco antes de Riade acolher importantes conferências sobre energia e investimentos. Os organizadores destes eventos tinham declarado, antes dos ataques de sábado, que as conferências decorreriam como planeado.

Os Houthis não reivindicaram a autoria do ataque, mas uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita prometeu responder.

A coligação militar liderada pela Arábia Saudita acusou os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, de terem levado a cabo o ataque de sábado contra o aeroporto Rei Khalid, em Riade, prometendo responder "com firmeza".

Num comunicado, o porta-voz da coligação, Turki al-Malki, classificou como "crime de guerra" o ataque "contra um dos terminais de passageiros do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, que causou mortos e feridos entre os viajantes e os funcionários do aeroporto".

O comando da coligação "responderá com firmeza a este ataque terrorista", acrescentou.

Ainda no sábado à noite, a coligação militar liderada pela Arábia Saudita anunciou que intercetou e destruiu um míssil balístico disparado pelos rebeldes Houthis numa área a sudeste de Riade onde se encontra a base aérea do Príncipe Sultão.

"Interceção e destruição de um míssil balístico em Al-Kharj lançado pela milícia terrorista Houthi", referiu a coligação, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iémen, num comunicado.Trump admite possibilidade de atacar os Houthis
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu juntar-se à coligação liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes Houthis, referindo que espera tomar uma decisão "muito rapidamente", na sequência do ataque.
"Podemos. Vamos analisar a situação. Acabámos de saber do recente ataque, por isso tomaremos uma decisão. Agimos muito rapidamente", afirmou.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, condenou os ataques ao aeroporto, afirmando que "demonstram um desrespeito flagrante pela vida de civis inocentes".

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o ataque de sábado, reiterando que os ataques a civis e a infraestruturas civis violam o direito internacional e devem cessar imediatamente.

Ofensiva para tentar retomar território

A Arábia Saudita e o governo iemenita reportaram centenas de ataques contra alvos em território controlado pelo grupo apoiado pelo Irão. Os houthis afirmaram que estas ações mataram civis, incluindo mulheres e crianças.

Os sauditas entraram na guerra do Iémen em 2015, liderando uma coligação árabe, para tentar expulsar os houthis da capital iemenita, Sanaa. O conflito transformou-se num impasse sangrento, com centenas de milhares de iemenitas mortos em consequência dos combates e da fome.

Um cessar-fogo estabelecido entre sauditas e houthis em 2022 falhou este verão, culminando num avanço relâmpago dos houthis que tomou o estreito de Bab el-Mandeb — um ponto estratégico crucial no Mar Vermelho — às forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita.

O Governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita iniciou esta semana uma ofensiva para tentar retomar este território, mas tem registado avanços lentos, enquanto os houthis mantêm sob cerco Taiz, a terceira maior cidade do país.

A contraofensiva ocorre após significativos avanços militares dos Houthis no oeste do Iémen, permitindo o controlo de vastas áreas do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb.

Esta passagem estratégica de acesso ao Canal do Suez tem servido de alternativa ao estreito de Ormuz, que se encontra sob bloqueio do Irão desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.

Após anos de relativa calma na guerra civil no Iémen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os Houthis desafiaram o controlo de Riade sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo a aterragem de um avião com representantes iranianos em Sanaa.
Os Houthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irão, ao lado do Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e milícias xiitas no Iraque.

ntre 2023 e 2025, atacaram navios comerciais no Golfo de Aden e Mar Vermelho, como forma de apoio ao Hamas na guerra com Israel na Faixa de Gaza.

c/agências
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