Mundo
Bagosora condenado a perpétua pelo genocídio no Ruanda
O coronel Theoneste Bagosora foi condenado a prisão perpétua pelo tribunal das Nações Unidas, que o considerou culpado de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade perpetrados no Ruanda em 1994.
Esta foi a primeira condenação do Tribunal Criminal Internacional para o Ruanda, com sede na Tanzânia, pela organização do massacre perpetrado em 1994, que vitimou mais de 800 mil tutsis e hutus moderados.
O advogado do antigo coronel Bagosora, de 67 anos, já fez saber que o seu cliente irá apresentar recurso da sentença. O ex-militar, de etnia hutu, sempre disse estar inocente.
Além de Bagosora, foram condenados a pena perpétua dois outros comandantes militares, Anatole Nsegiymva e Aloys Ntbakuze. Os três militares foram considerados culpados de terem organizado, treinado e armado a milícia de etnia hutu responsável pelo massacre.
Um quarto réu, o brigadeiro Gratien Kabiligi, foi absolvido de todas as acusações. O cunhado do antigo Presidente Juvenal Habyarimana, Protais Zigiranyirazo, foi condenado a 20 anos de prisão, tendo sido dado como provado que ordenou a execução de 48 hutus.
O julgamento começou em 2002 e o tribunal deverá cessar funções no próximo ano. Foram condenadas 33 pessoas e cinco foram absolvidas.
"Preparar o apocalipse"
Bagosora tornou-se líder militar e político do Ruanda em 1994, após o avião do Presidente Habyarimana ter sido abatido.
A acusação sustenta que Bagosora queria “preparar o apocalipse” desde 1990, quando rejeitou negociar com os rebeldes tutsis da Frente Patriótica ruandesa. Em 1991, circulava um documento que descrevia esta etnia como “o inimigo principal”. É apontado o contributo de Bagosora para a redacção do mesmo.
Os efeitos do conflito étnico ainda se fazem sentir na República Democrática do Congo, onde rebeldes tutsi comandados pelo general sublevado Laurent Nkunda alegam estar a enfrentar milícias hutu provenientes do Ruanda.
O advogado do antigo coronel Bagosora, de 67 anos, já fez saber que o seu cliente irá apresentar recurso da sentença. O ex-militar, de etnia hutu, sempre disse estar inocente.
Além de Bagosora, foram condenados a pena perpétua dois outros comandantes militares, Anatole Nsegiymva e Aloys Ntbakuze. Os três militares foram considerados culpados de terem organizado, treinado e armado a milícia de etnia hutu responsável pelo massacre.
Um quarto réu, o brigadeiro Gratien Kabiligi, foi absolvido de todas as acusações. O cunhado do antigo Presidente Juvenal Habyarimana, Protais Zigiranyirazo, foi condenado a 20 anos de prisão, tendo sido dado como provado que ordenou a execução de 48 hutus.
O julgamento começou em 2002 e o tribunal deverá cessar funções no próximo ano. Foram condenadas 33 pessoas e cinco foram absolvidas.
"Preparar o apocalipse"
Bagosora tornou-se líder militar e político do Ruanda em 1994, após o avião do Presidente Habyarimana ter sido abatido.
A acusação sustenta que Bagosora queria “preparar o apocalipse” desde 1990, quando rejeitou negociar com os rebeldes tutsis da Frente Patriótica ruandesa. Em 1991, circulava um documento que descrevia esta etnia como “o inimigo principal”. É apontado o contributo de Bagosora para a redacção do mesmo.
Os efeitos do conflito étnico ainda se fazem sentir na República Democrática do Congo, onde rebeldes tutsi comandados pelo general sublevado Laurent Nkunda alegam estar a enfrentar milícias hutu provenientes do Ruanda.