Benjamin Netanyahu anuncia que Israel controla atualmente 60% da Faixa de Gaza

Benjamin Netanyahu anuncia que Israel controla atualmente 60% da Faixa de Gaza

Na primeira confirmação oficial da expansão da área ocupada por Israel no território palestiniano, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou esta sexta-feira que as forças israelitas controlam agora 60 por cento da Faixa de Gaza, após uma campanha militar contra o Hamas, que arrasou com o território.

RTP /
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel Foto: Ilya Yefimovich - Reuters

"Nos últimos dois anos, mostrámos ao mundo a força que reside no nosso povo, no nosso Estado, no nosso exército, na nossa herança", declarou o líder na quinta-feira, Dia de Jerusalém, em declarações divulgadas pelo seu gabinete de imprensa na sexta-feira. 

A guerra israelita contra o Hamas foi desencadeada pelo ataque mortífero e invasão do sul de Israel, por parte de palestinianos de Gaza, em 7 de outubro de 2023. Um cessar-fogo só foi estabelecido em outubro de 2025.

"Trouxemos para casa todos os nossos reféns, até ao último", lembrou Netanyahu, mencionando os israelitas sequestrados pelo Hamas no dia do ataque fulminante. "Não cedemos nenhum território. Alguns disseram-nos para sair, não saímos, e hoje controlamos 60 por cento do território. Amanhã, veremos", acrescentou o primeiro-ministro israelita.

Estas declarações surgem dias antes da dissolução do parlamento israelita, o Knesset, depois da dissolução da coligação que sustentava o governo de Netanyahu, e podem ser já consideradas discurso de pré-campanha do líder do Likud, que procura a reeleição.

Netanyahu foi acusado, pelo partido que representa as comunidades judaicas ortodoxas, de faltar à promessa de tornar lei a proibição dos estudantes religiosos ortodoxos serem convocados para o serviço militar obrigatório. Uma promessa que o primeiro-ministro ficou praticamente impossibilitado de cumprir, depois do Supremo tribunal de Israel decretar no final de 2025, que estes jovens teriam de cumprir a obrigação militar, tal como todos os outros da sociedade israelita.

A dissolução do Knesset permite a Netanyahu tentar uma nova maioria não dependente do apoio dos ortodoxos. 

As eleições deverão ter lugar entre agosto e outubro.
O que se passa em Gaza

A reivindicação de vitória do primeiro-ministro dificilmente se reflete no domínio real de Israel de Gaza. O território continua a ser palco de violência diária apesar das tréguas declaradas, enquanto Israel e o movimento islâmico Hamas se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo.
O cessar-fogo entrou em vigor a 10 de outubro, dois anos após o início da guerra, a 7 de outubro de 2023, com o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel.

A primeira fase das tréguas contemplou a libertação dos últimos reféns em Gaza, sequestrados pelo Hamas, em troca de palestinianos detidos por Israel. 

A transição para a segunda fase, que deveria envolver o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual do exército israelita, está completamente paralisada há semanas.

De acordo com os termos do cessar-fogo, as forças israelitas deveriam retirar para além da "Linha Amarela", nome dado à linha de demarcação entre a área controlada pelo Hamas e a controlada pelo exército israelita (que ainda representa pouco mais de 50 por cento da Faixa de Gaza).

Mas, segundo relatos da imprensa das últimas semanas, as  Forças de Defesa de Israel estão a alargar esta zona para uma nova chamada "Linha Laranja". Estariam prontas para retomar os combates caso o Hamas se recuse a depor as armas.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que está sob controlo do Hamas, mais de 850 palestinianos foram mortos desde o início do cessar-fogo. Ao longo dos últimos dois anos, o impacto das ações militares israelitas levaram a acusações internacionais de genocídio e de crimes de guerra.

Desde outubro de 2025, o exército israelita anunciou a morte de cinco dos seus soldados em Gaza.

c/agências
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