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Bill e Hillary Clinton aceitam depor no Congresso sobre caso Epstein 

Bill e Hillary Clinton aceitam depor no Congresso sobre caso Epstein 

Bill e Hillary Clinton vão testemunhar perante uma comissão do Congresso dos EUA que investiga o caso Epstein, anunciou esta segunda-feira o porta-voz do ex-presidente democrata, depois de o casal ter enfrentado acusações de obstrução do Congresso pela sua recusa anterior em comparecer.

Cristina Sambado - RTP /
Pool via Reuters

"O ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão presentes [na comissão do Congresso]. Estão ansiosos por estabelecer um precedente que se aplique a todos", afirmou o porta-voz Angel Ureña nas redes sociais.

Em resposta a uma mensagem de membros republicanos da comissão que solicitavam o depoimento do casal devido aos laços passados de Bill Clinton com o criminoso sexual condenado, o porta-voz publicou que o ex-casal presidencial já tinha dito sob juramento o que sabia, mas que aqueles "não querem saber".

"Eles (Clinton) negociaram de boa fé, vocês não", disse Angel Ureña.

Afirma ainda que o ex-presidente pertenceu ao grupo de pessoas mencionadas que não sabia dos crimes sexuais e cortou relações com Epstein antes de este ser acusado, enquanto outros continuaram a sua relação com o criminoso sexual.

A Comissão de Regras da Câmara de Representantes preparava-se para aprovar uma votação plenária sobre duas resoluções que, se adotadas, recomendariam ao Departamento de Justiça que apresentasse acusações contra o ex-presidente democrata (1993-2001) e a ex-secretária de Estado (2009-2013) e candidata presidencial (2016).

No entanto, o comité decidiu adiar a votação, aguardando uma confirmação se o casal tinha concordado em cumprir a intimação.

Caso estas recomendações de processo fossem adotadas, seria iniciada uma acusação formal pelo Departamento de Justiça, chefiado por Pam Bondi, uma fiel apoiante de Donald Trump, e o casal poderia enfrentar até 12 meses de prisão.

O casal Clinton tinha sido convocado várias vezes por uma investigação do Congresso sobre a atuação do governo no caso Epstein, devido à longa amizade do ex-presidente com o financeiro.Entre os milhões de ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano, várias fotos mostram Jeffrey Epstein na companhia de superestrelas como Michael Jackson e Mick Jagger e do ex-presidente Bill Clinton.

O gabinete de Bill Clinton tem acusado a Casa Branca de divulgar a informação sobre o caso de forma a encobrir as referências a Donald Trump, que foi durante décadas amigo de Epstein e frequentou as suas festas com menores de idade.

Bill Clinton, que viajou no seu jato privado várias vezes e foi fotografado com ele em várias ocasiões, afirmou em 2019 que não falava com Jeffrey Epstein há mais de uma década.

O ex-presidente também negou consistentemente qualquer conhecimento dos crimes de Epstein e não enfrenta repercussões legais em relação à sua relação com o criminoso sexual condenado.

"Ninguém, seja um ex-presidente ou um cidadão comum, pode ignorar deliberadamente uma intimação emitida pelo Congresso sem consequências", sublinhou o deputado republicano James Comer, chefe da comissão de investigação, na segunda-feira, antes do anúncio feito pelo porta-voz de Bill ClintonTrump cedeu à pressão do Congresso
Donald Trump sempre negou qualquer conhecimento do comportamento criminoso de Epstein e afirma que rompeu relações com ele antes de ser investigado pelas autoridades.

Embora tenha declarado durante a sua campanha presidencial de 2024 que apoiava a divulgação dos ficheiros Epstein, resistiu posteriormente a fazê-lo durante muito tempo, classificando o caso como uma farsa orquestrada pelos democratas. No entanto, o líder republicano cedeu finalmente à pressão do Congresso e até de parte dos seus apoiantes e sancionou em novembro uma lei que exige transparência sobre este caso à sua administração.

Os milhares de documentos divulgados na sexta-feira incluem uma lista de pelo menos 12 acusações contra Trump por abuso sexual de menores.

Estas acusações, coligidas pelo FBI (a polícia federal dos Estados Unidos) no ano passado, carecem, contudo, de provas que as sustentem.Mais de três milhões de ficheiros
O Departamento de Justiça alertou que o material pode incluir imagens falsificadas ou alegações falsas, bem como material pornográfico. Na segunda-feira, o Departamento de Justiça informou ter removido milhares de documentos que, inadvertidamente, identificaram algumas das vítimas de Epstein.

A publicação, na sexta-feira, de mais de três milhões de ficheiros relacionados com Epstein incluem nomes do mundo das artes, de empresas e desporto e da política, como o secretário do Comércio, Howard Lutnick.

Lutnick, de acordo com estes documentos, planeou em 2012 visitar com a mulher a ilha de Epstein, desconhecendo-se se a visita realmente aconteceu.

Ao círculo de relações de Epstein pertencia também o coproprietário da equipa de futebol americano New York Giants, Steve Tisch, com quem trocou numerosas mensagens, a maior parte das quais em 2013, relacionadas com mulheres, destacou a comunicação social norte-americana.

Outra figura pública que reaparece nos documentos é Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III do Reino Unido caído em desgraça ao surgir no centro de um escândalo, quando uma das vítimas de Epstein afirmou que o ex-príncipe mantivera relações sexuais com ela quando era menor, com 17 anos.
Jeffrey Epstein encontrado morto na cela
A divulgação, pelo Departamento de Justiça dos EUA, de milhões de documentos internos relacionados com Jeffrey Epstein revelou as ligações do falecido financeiro e criminoso sexual com muitas pessoas proeminentes na política, finanças, academia e negócios - tanto antes como depois de se ter declarado culpado, em 2008, de acusações de prostituição, incluindo o aliciamento de uma menor.

As provas em múltiplos processos judiciais e criminais também lançaram luz sobre estas ligações. Epstein foi detido em 2019, sob acusações federais de tráfico sexual de menores.

Figura proeminente da alta sociedade nova-iorquina nas décadas de 1990 e 2000, Jeffrey Epstein foi acusado de explorar sexualmente mais de mil jovens mulheres, incluindo menores.


Foi encontrado enforcado na sua cela na prisão de Nova Iorque em 2019, antes do seu julgamento por crimes sexuais. A sua morte alimentou inúmeras teorias da conspiração alegando que foi assassinado para proteger figuras proeminentes.

c/ agências
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