EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Biodiversidade. Dragões-de-komodo em risco de extinção por causa de alterações climáticas

Biodiversidade. Dragões-de-komodo em risco de extinção por causa de alterações climáticas

Os dragões-de-komodo foram considerados como "espécie em risco" pela União Internacional para a Conservação da Natureza, que este sábado atualizou a sua lista vermelha em Marselha. Neste inventário, constam cada vez mais tubarões, ameaçados pela pesca em excesso. Ao todo, a lista das espécies ameaçadas integra 28 por cento das espécies estudadas. As alterações climáticas e a pesca excessiva são apontadas como as principais responsáveis desta ameaça à biodiversidade.

RTP /
DR

O dragão-de-komodo, que já era considerado espécie “vulnerável” - o nível mais baixo da lista das espécies em perigo -, subiu para o nível mais elevado de ameaça ao ser classificado de espécie “em risco” pela UICN, que está reunida em congresso na cidade de Marselha.

O aumento das temperaturas e do nível do mar deverá reduzir o seu habitat em pelo menos 30 por cento nos próximos 45 anos”, refere a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Estas avaliações da lista vermelha demonstram o quão intimamente as nossas vidas e meios de subsistência estão ligados à biodiversidade", comentou o diretor-geral da organização, Bruno Oberle, em comunicado.

O congresso da UICN é uma oportunidade para a multiplicação das mensagens de alerta sobre as ameaças à biodiversidade e às condições de vida humana no planeta, também ameaçada pelas alterações climáticas.

Por exemplo, se os milhares de dragões-de-komodo que vivem no parque nacional situado em três ilhas da Indonésia estão "bem protegidos", já os que vivem fora do parque "estão ameaçados de perda significativa de seu habitat devido às atividades humanas".

A nova lista vermelha "mostra que estamos muito próximos de uma sexta extinção em massa", sublinha Craig Hilton-Taylor. "Se o aumento continuar a este ritmo, em breve vamos enfrentar uma grande crise", insiste o responsável pela elaboração da listagem.

Sobrepesca ameaça um terço dos tubarões

A União Internacional para a Conservação da Natureza estudou 138.374 espécies, entre as quais 38.543 foram colocadas nas diferentes categorias de “ameaçadas”, como o dragão-de-komodo ou várias espécies de tubarões.

Cerca de 37 por cento das 1.200 espécies estudadas de tubarões e raias do mundo estão “ameaçadas”, o que representa um aumento das espécies afetadas. Na última avaliação, realizada em 2014, 24 por cento das espécies estudadas estavam ameaçadas de extinção.

A organização internacional nota que todas as espécies de tubarão consideradas “ameaçadas” enfrentam o risco da sobrepesca, 31 por cento é afetada pela degradação ou perda de habitat e 10 por cento sofre as consequências das mudanças climáticas.

"Muitos tubarões e raias estão a morrer e as medidas contra a sobrepesca são lamentavelmente inadequadas", com uma exploração "muitas vezes legal mesmo que não seja sustentável", explicou Nick Dulvy, da Universidade Simon Fraser, do Canadá, citado pela Agência France Presse.

Imposição de quotas benéfica para atum

Quatro espécies de atum pescado comercialmente está em vias de recuperação graças à aplicação de quotas pesqueiras regionais”, feitas por organismos específicos, nota a UICN. Estas quatro espécies, das quais faz parte o atum rabilho do Atlântico, desceram mesmo na classificação de risco.

No entanto, "apesar de uma melhora geral, muitos dos abastecimentos regionais de atum continuam esgotados".

O atum rabilho do Atlântico até deu "uma reviravolta dramática", passando diretamente de "em perigo" para "pouco preocupante", o que significa uma “descida” de três categorias.

"Estas avaliações são a prova de que as abordagens de pesca sustentável funcionam, com enormes benefícios de longo prazo para a atividade económica e para a biodiversidade", acrescentou Bruce Collette, presidente do Grupo de Especialistas em Atum da UICN.

PUB