Brasil deve repensar gestão da fronteira com a Venezuela

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O investigador João Carlos Jarochinski considera que o impacto do fluxo migratório em Boa Vista, capital do estado de Roraima, mostrou que o Brasil precisa de repensar políticas públicas na fronteira com a Venezuela.

Em entrevista à Lusa, o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFR) considera que a chegada destes imigrantes e a dificuldade que eles enfrentam para sobreviver no Brasil são sinais claros de que o país não tem políticas eficientes de acolhimento.

"A imigração dos venezuelanos trouxe como primeiro impacto a necessidade de repensar as fronteiras. O Brasil dialoga nas [suas] fronteiras usando um discurso muito negativo, relacionando as fronteiras com problemas sociais como o tráfico de drogas e de armas. Muitas vezes o país não percebe que há pessoas circulando nestas áreas", disse.

Roraima e sua capital Boa Vista, localizadas em plena região amazónica, toraram-se na morada de uma população estimada entre 30 mil e 60 mil imigrantes que procuram alternativas para escapar da uma grave crise social e económica na Venezuela.

A vinda em massa destes refugiados chamou atenção do mundo no final de 2017, quando as autoridades locais declararam estado de emergência e diversas áreas de Boa Vista, como a praça Simón Bolívar, tornaram-se campos onde vivem centenas de venezuelanos com estatuto provisório de refugiados sem água, comida e poucos pertences.

João Carlos Jarochinski lembrou a dinâmica da fronteira do Brasil com a Venezuela mudou gradualmente nos últimos anos: "Três movimentos caracterizaram a chegada dos venezuelanos no Brasil. O primeiro foi pendular, ou seja, eles vinham para o Brasil trabalhar ou obter produtos e depois voltavam à Venezuela. Depois teve uma fixação nesta região e fronteira por volta de 2016 e, agora, vemos aquilo que chamados de trânsito, ou seja, pessoas entrando por Boa Vista para se dirigir a outros partes do Brasil e da América Latina".

Segundo o especialista, apesar do registo diário da entrada de centenas de venezuelanos nesta região do Brasil não há razão para pensar que existe uma crise migratória.

"Não acho que há uma crise. Quando se compara o Brasil, um país de 208 milhões de habitantes, com os 60 mil venezuelanos que, possivelmente, estão Roraima, nota-se que este número de imigrantes é ínfimo", afirmou.

João Carlos Jarochinski também considera que a situação piorou porque o Governo central do Brasil demorou muito tempo para enviar ajuda aos imigrantes que estão neste estado do norte do país.

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