Brexit. Bases do acordo estão "prontas", diz Tusk

por RTP
É necessária uma solução que não implique o regresso de uma fronteira física e controlos alfandegários, colocando em causa o Acordo de Sexta-feira Santa que pôs fim ao conflito entre católicos e protestantes em solo irlandês Olivier Hoslet - EPA

O presidente do Conselho Europeu confia que um acordo para o Brexit poderá ser assinado esta quinta-feira. A aprovação das bases do acordo estará por horas, embora Donald Tusk deixe alguns alertas.

"As bases do acordo estão prontas e, em teoria, amanhã poderemos aprovar este acordo com a Grã-Bretanha", afirmou Tusk a jornalistas polacos em Bruxelas.

"Em teoria, dentro de sete a oito horas, tudo deverá estar esclarecido", acrescentou.

"As negociações estão a decorrer. Espero que possamos ter pronto um texto jurídico e negociado mesmo esta tarde, a fim de que os Estados-membros possam conhecê-lo em detalhe", explicou ainda o presidente do Conselho Europeu e antigo primeiro-ministro polaco.

"Está tudo bem encaminhado", frisou Tusk, sem contudo deixar de frisar alguma preocupação.

"Com o Brexit e os nossos parceiros britânicos, tudo é possível", admitiu, acrescentado que o lado britânico está "muito agitado".

"Ontem à noite, podia apostar que estava tudo pronto e regulamentado. Hoje, há algumas dúvidas do lado britânico", revelou.

"Veremos, mantenho o otimismo", rematou.
Impasse
O prazo para apresentar o acordo aos Estados-membros foi já adiado por duas vezes esta quarta-feira, para permitir a continuação das negociações.

Andrea Neves, correspondente da Antena 1 em Bruxelas

Caso sejam aprovados os termos do texto agora negociado, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, terá de pedir uma nova extensão do prazo de 31 de outubro para o Brexit.

Algumas fontes europeias referem que as duas partes chegaram a um "impasse", devido a objeções colocadas por um pequeno partido da Irlanda do Norte, o DUP - Partido Democrático Unionista.

O DUP será provavelmente essencial para Boris Johnson conseguir a aprovação do acordo no Parlamento britânico, sem a qual qualquer acordo será nulo.

Em Londres, numa nota enviada ao seu gabinete esta tarde, Boris Johnson admitiu que, embora próximo de um acordo com a União Europeia, ainda falta alguma coisa.

"Ele disse que há hipótese de garantir um bom acordo mas que se ainda há questões pendentes", afirmou o porta-voz de Johnson, acrescentando que prosseguem as negociações com o DUP.
"Muitas questões"

O grande óbice ao acordo do Brexit tem sido a circulação de bens e pessoas entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

É necessária uma solução que não implique o regresso de uma fronteira física e controlos alfandegários, colocando em causa o Acordo de Sexta-feira Santa que pôs fim ao conflito entre católicos e protestantes em solo irlandês.

Há duas semanas, o primeiro-ministro britânico propôs deixar a Irlanda do Norte seguir as regras do espaço europeu quanto a bens, com controlos marítimos, solução condicionada à aprovação do Parlamento da Irlanda do Norte, e possível de renovação a cada quatro anos.

Na terça-feira as negociações entre a quinta maior economia mundial e o maior bloco comercial do mundo prolongaram-se pela madrugada, para serem retomadas de manhã cedo.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, afirmou que existem ainda "muitas questões" por resolver, particularmente quanto ao modo de funcionamento do Parlamento da Irlanda do Norte, que poderá ter implicações na solução proposta por Johnson.
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