Mundo
Canadá segue exemplo dos EUA e corta verbas à UNESCO
A aceitação da Autoridade Palestiniana como membro da UNESCO está a ser vista como uma derrota de Israel e dos Estados Unidos. Depois de Washington anunciar a suspensão do seu financiamento a esta agência da ONU, também o Canadá vai cortar o contributo de 10 milhões de dólares.
O Canadá decidiu seguir o exemplo dos EUA e cortar o financiamento para a agência cultural da Organização das Nações Unidas, a UNESCO, por ter aprovado a adesão da Autoridade Palestiniana.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, John Baird, afirmou esta terça-feira que a decisão dos 107 membros que votaram a favor, contra 52 abstenções (entre as quais a de Portugal) e 14 votos contra, "não é do interesse da paz no Médio Oriente, por isso, o Canadá irá congelar todas as contribuições voluntárias futuras para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura."
Aquele país contribui com cerca de 10 milhões de dólares (cerca de 7,25 milhões de euros) por ano para o financiamento da agência. Os Estados Unidos da América, responsáveis por 22 por cento do financiamento da organização, também anunciaram que iriam cortar o seu contributo anual de 60 milhões de dólares (cerca de 43,5 milhões de euros).
Depois destas declarações, o secretário-geral da ONU demonstrou-se preocupado. "Vamos ter de trabalhar em soluções práticas para preservar os recursos financeiros da UNESCO", sublinhou Ban Ki Moon.
A votação representa o primeiro passo na tentativa de reconhecimento do Estado palestiniano na ONU, após o fracasso do pedido de integração como membro total da organização em setembro. Washington opôs-se a esse pedido com o argumento de que iria prejudicar os esforços de reavivar as negociações de paz com Israel, interrompidas no ano passado.
Palestinianos aumentam esforços para ingressar noutras organizações
Encorajados pela admissão à agência cultural da ONU, os palestinianos pretendem solicitar a sua adesão a outros organismos internacionais como parte da sua campanha para serem oficialmente um Estado, segundo publica o Washington Post esta quarta-feira.
"Tivemos um precedente que pode abrir o caminho para nos juntarmos a outras agências", disse Ibrahim Khraishi, o enviado palestiniano à ONU, em Genebra, garantindo que os palestinianos estão a estudar como podem juntar-se a outras 16 agências das Nações Unidas. Enquanto que ser membro de alguns destes organismos seria em grande parte um ato simbólico, outras agências poderiam fornecer uma plataforma para a Autoridade Palestiniana cumprir a sua agenda.
Um teste importante à eficácia destes esforços chega já na próxima semana, visto que o Conselho de Segurança da ONU vai votar no dia 11 de novembro sobre a entrada dos palestinianos como membros globais da organização.
Israel retalia acelerando a construção de casas para colonos na Palestina
O embaixador israelita na UNESCO, Nimrod Barkan, considerou o voto a favor da entrada da Palestina na UNESCO "uma tragédia". "Forçaram um corte drástico nas contribuições à organização", disse Barkan. "A UNESCO trata de ciência, não de ficção científica. Forçaram na UNESCO um assunto político que não é da sua área de competência", lamentou.
Em retaliação o Governo de Israel anunciou esta terça-feira que irá acelerar a construção de cerca de duas mil unidades habitacionais para colonos judeus, 1650 nos territórios palestinianos em Jerusalém Oriental e os restantes nos assentamentos de Maalé Adoumim e de Efrat (no sul de Belém, na Cisjordânia), bem como a suspensão temporária de fundos para a Autoridade Palestiniana. A Palestina tem lutado contra a construção de colonatos.

"Estas medidas foram tomadas pelo fórum dos oito principais ministros sob a presidência do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, como sanção após a votação na Unesco", indicou fonte oficial à AFP. O porta-voz do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, disse que a decisão de Israel vai levar à destruição do processo de paz.
"Estão a roubar dinheiro à Palestina"
Israel contribuía com cerca de 50 milhões de dólares (cerca de 36,5 milhões de euros) por mês. Representa 30 por cento do financiamento da organização e permite pagar a 140 mil funcionários públicos palestinianos.
O dinheiro corresponde ao reembolso dos direitos alfandegários e de TVA (Taxa sobre o Valor Agregado) recolhidos sobre os produtos destinados aos palestinianos que transitam pelos portos e aeroportos israelitas. Em consequência, Mahmud Abbas considera o fim do financiamento à UNESCO "um roubo de dinheiro palestiniano".
Será a segunda vez neste ano que Israel retém as receitas que recolhe em nome da Autoridade Palestiniana. A primeira vez sucedeu o acordo de reconciliação de Abbas com o grupo islâmico que controla Gaza, Hamas, no início deste ano.
Quase 500 mil judeus vivem em colonatos em território ocupado
A comunidade internacional não reconhece nem a ocupação nem a anexação da parte oriental de Jerusalém por Israel e considera todos os colonatos ilegais, pelo que foi considerado que Israel sofreu uma derrota diplomática com o voto a favor da adesão da Palestina à UNESCO.
Os colonatos são ilegais sob a lei internacional, embora Israel conteste esse facto. Um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Estado hebraico, Yigal Palmor, disse à BBC que as medidas foram concebidas para aumentar a pressão sobre os palestinianos: "São uma resposta a medidas unilaterais destinadas a enfrentar Israel na ONU e em outros lugares na cena internacional".
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a construção será em "áreas que em qualquer futuro acordo permanecerão nas mãos de Israel", segundo um comunicado citado pela agência de notícias Reuters.
O correspondente da BBC em Jerusalém, Kevin Connolly, diz que o anúncio será visto como um castigo para os palestinianos e uma advertência a países que apoiaram a sua candidatura à UNESCO. O repórter adverte ainda que Israel irá reagir fortemente se um pedido semelhante, de adesão global à ONU, for bem sucedido.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, John Baird, afirmou esta terça-feira que a decisão dos 107 membros que votaram a favor, contra 52 abstenções (entre as quais a de Portugal) e 14 votos contra, "não é do interesse da paz no Médio Oriente, por isso, o Canadá irá congelar todas as contribuições voluntárias futuras para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura."
Aquele país contribui com cerca de 10 milhões de dólares (cerca de 7,25 milhões de euros) por ano para o financiamento da agência. Os Estados Unidos da América, responsáveis por 22 por cento do financiamento da organização, também anunciaram que iriam cortar o seu contributo anual de 60 milhões de dólares (cerca de 43,5 milhões de euros).
Depois destas declarações, o secretário-geral da ONU demonstrou-se preocupado. "Vamos ter de trabalhar em soluções práticas para preservar os recursos financeiros da UNESCO", sublinhou Ban Ki Moon.
A votação representa o primeiro passo na tentativa de reconhecimento do Estado palestiniano na ONU, após o fracasso do pedido de integração como membro total da organização em setembro. Washington opôs-se a esse pedido com o argumento de que iria prejudicar os esforços de reavivar as negociações de paz com Israel, interrompidas no ano passado.
Palestinianos aumentam esforços para ingressar noutras organizações
Encorajados pela admissão à agência cultural da ONU, os palestinianos pretendem solicitar a sua adesão a outros organismos internacionais como parte da sua campanha para serem oficialmente um Estado, segundo publica o Washington Post esta quarta-feira.
"Tivemos um precedente que pode abrir o caminho para nos juntarmos a outras agências", disse Ibrahim Khraishi, o enviado palestiniano à ONU, em Genebra, garantindo que os palestinianos estão a estudar como podem juntar-se a outras 16 agências das Nações Unidas. Enquanto que ser membro de alguns destes organismos seria em grande parte um ato simbólico, outras agências poderiam fornecer uma plataforma para a Autoridade Palestiniana cumprir a sua agenda.
Um teste importante à eficácia destes esforços chega já na próxima semana, visto que o Conselho de Segurança da ONU vai votar no dia 11 de novembro sobre a entrada dos palestinianos como membros globais da organização.
Israel retalia acelerando a construção de casas para colonos na Palestina
O embaixador israelita na UNESCO, Nimrod Barkan, considerou o voto a favor da entrada da Palestina na UNESCO "uma tragédia". "Forçaram um corte drástico nas contribuições à organização", disse Barkan. "A UNESCO trata de ciência, não de ficção científica. Forçaram na UNESCO um assunto político que não é da sua área de competência", lamentou.
Em retaliação o Governo de Israel anunciou esta terça-feira que irá acelerar a construção de cerca de duas mil unidades habitacionais para colonos judeus, 1650 nos territórios palestinianos em Jerusalém Oriental e os restantes nos assentamentos de Maalé Adoumim e de Efrat (no sul de Belém, na Cisjordânia), bem como a suspensão temporária de fundos para a Autoridade Palestiniana. A Palestina tem lutado contra a construção de colonatos.
"Estas medidas foram tomadas pelo fórum dos oito principais ministros sob a presidência do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, como sanção após a votação na Unesco", indicou fonte oficial à AFP. O porta-voz do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, disse que a decisão de Israel vai levar à destruição do processo de paz.
"Estão a roubar dinheiro à Palestina"
Israel contribuía com cerca de 50 milhões de dólares (cerca de 36,5 milhões de euros) por mês. Representa 30 por cento do financiamento da organização e permite pagar a 140 mil funcionários públicos palestinianos.
O dinheiro corresponde ao reembolso dos direitos alfandegários e de TVA (Taxa sobre o Valor Agregado) recolhidos sobre os produtos destinados aos palestinianos que transitam pelos portos e aeroportos israelitas. Em consequência, Mahmud Abbas considera o fim do financiamento à UNESCO "um roubo de dinheiro palestiniano".
Será a segunda vez neste ano que Israel retém as receitas que recolhe em nome da Autoridade Palestiniana. A primeira vez sucedeu o acordo de reconciliação de Abbas com o grupo islâmico que controla Gaza, Hamas, no início deste ano.
Quase 500 mil judeus vivem em colonatos em território ocupado
A comunidade internacional não reconhece nem a ocupação nem a anexação da parte oriental de Jerusalém por Israel e considera todos os colonatos ilegais, pelo que foi considerado que Israel sofreu uma derrota diplomática com o voto a favor da adesão da Palestina à UNESCO.
Os colonatos são ilegais sob a lei internacional, embora Israel conteste esse facto. Um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Estado hebraico, Yigal Palmor, disse à BBC que as medidas foram concebidas para aumentar a pressão sobre os palestinianos: "São uma resposta a medidas unilaterais destinadas a enfrentar Israel na ONU e em outros lugares na cena internacional".
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a construção será em "áreas que em qualquer futuro acordo permanecerão nas mãos de Israel", segundo um comunicado citado pela agência de notícias Reuters.
O correspondente da BBC em Jerusalém, Kevin Connolly, diz que o anúncio será visto como um castigo para os palestinianos e uma advertência a países que apoiaram a sua candidatura à UNESCO. O repórter adverte ainda que Israel irá reagir fortemente se um pedido semelhante, de adesão global à ONU, for bem sucedido.