Casa Branca diz que Irão suspendeu 800 execuções previstas para quarta-feira

A porta-voz da Casa Branca confirmou esta quinta-feira que o Irão cancelou 800 execuções de manifestantes que estavam previstas para o dia anterior. O presidente norte-americano falou com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que, segundo o New York Times, lhe pediu para não intervir militarmente no Irão.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Ammar Awad - Reuters

A Casa Branca garante que estavam previstas 800 execuções para esta quinta-feira no Irão mas que foram suspensas.

Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, tinha anunciado que os assassinatos no Irão estavam “a diminuir” e que não havia planos para execuções em massa, amenizando a sua retórica sobre um possível ataque contra o Irão.

No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que "todas as opções" continuam em aberto para os Estados Unidos, acrescentando que Trump alertou Teerão para "sérias consequências" caso a repressão dos protestos se mantenha.

Telejornal, 15 de janeiro de 2026

Leavitt confirmou ainda que o presidente norte-americano falou com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que, segundo o New York Times, lhe pediu para não intervir militarmente no Irão.

Para além do Irão, o jornal avança que o Catar, Arábia Saudita, Omã e Egito também pediram ao governo de Trump para não atacar o Irão, alertando para o risco de um conflito regional mais amplo.

Ao mesmo tempo, essas nações árabes têm dito às autoridades iranianas para não atacarem países da região caso os Estados Unidos decidam atacar o Irão, diz ainda o NYT, citando altos funcionários destes países. Embora o Omã e o Catar tenham mediado as disputas entre o Irão e o Ocidente, os aliados dos EUA, a Arábia Saudita e o Egipto, mantêm relações muito mais tensas com Teerão.

“Acreditamos no diálogo e acreditamos na resolução de quaisquer divergências na mesa de negociações”, disse Adel al-Jubeir, ministro de Estado saudita.


Trump tem ameaçado atacar o Irão para defender os manifestantes. Perante esta ameaça, Teerão encerrou o seu espaço aéreo na última madrugada durante cinco horas.

O Irão está a viver uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação. Entretanto, os protestos passaram a ser também contra o regime, alastrando-se a mais de 100 cidades.

Estima-se que o número de mortos nos protestos seja superior a três mil, superando o número de vítimas de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas.
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