Casal de diplomatas noruegueses investigado por possíveis ligações a Epstein

Casal de diplomatas noruegueses investigado por possíveis ligações a Epstein

A polícia norueguesa está a investigar dois diplomatas de alto nível numa investigação de corrupção relacionada com o escândalo sexual de Jeffrey Epstein.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Mona Juul, ex-embaixador da Noruega Luiz Rampelotto - NurPhoto via AFP

Mona Juul, que renunciou ao cargo de embaixadora na Jordânia e no Iraque no domingo, é suspeita de corrupção grave e o seu marido, o ex-diplomata e ex-ministro Terje Roed-Larsen, é suspeito de ser cúmplice em corrupção grave, segundo informou a polícia norueguesa.

"Foi aberta uma nova investigação em ligação com os arquivos de Epstein. Estamos perante uma investigação abrangente e, ao que tudo indica, de longo prazo", disse a unidade de crimes financeiros da Noruega, Ökokrim, em comunicado.

“Entre outras coisas, a Ökokrim investigará se [Juul] recebeu benefícios em relação ao seu cargo”, acrescenta.

Os advogados do casal de diplomatas afirmaram que os seus clientes estão a cooperar com os investigadores e acreditam que as alegações serão consideradas infundadas.

A relação de Roed-Larsen com Epstein foi, inicialmente, tornada pública na imprensa norueguesa em 2019. O diplomata pediu desculpas por diversas vezes pela relação e, em 2020, demitiu-se do cargo de CEO do Instituto Internacional da Paz, um think tank sediado em Nova Iorque.

As ligações do casal com o magnata norte-americano, que se suicidou numa prisão de Nova Iorque em 2019, voltaram a estar no centro das atenções depois de o Departamento de Justiça dos EUA ter divulgado milhões de páginas de ficheiros relacionados com o seu caso no mês passado.

Entre outras referências a Juul e Roed-Larsen, os arquivos mostraram que planeavam visitar a ilha privada de Epstein com os seus dois filhos em 2011, embora não seja claro se a visita realmente aconteceu.

Roed-Larsen agradeceu a Epstein por "tudo o que fez" numa mensagem de texto em 2017 e chamou-lhe o seu "melhor amigo" e um "ser humano absolutamente bom".


Epstein ajudou ainda o casal a negociar a compra de um apartamento em Oslo, em 2018, e, numa troca de e-mails, disse ao vendedor que "seria desagradável" se desistisse do negócio por causa de um preço que considerava demasiado baixo. Para além disso, num testamento assinado dois dias antes da sua morte, Epstein declarou que os dois filhos do casal herdariam cinco milhões de dólares cada um.

O caso do casal de diplomatas é parte de um escândalo crescente no país nórdico e em toda a Europa sobre os laços de figuras proeminentes com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Vários outros noruegueses de relevo também tinham ligações a Epstein, incluindo a princesa herdeira Mette-Marit, que pediu desculpa pela sua relação com o magnata norte-americano. A princesa herdeira expressou o seu “profundo arrependimento”, reconhecendo “falta de bom senso”.

c/agências
PUB