Condoleezza Rice exige retirada das tropas russas da Geórgia

A secretária de Estado norte-americana apelou à retirada imediata das tropas russa da Geórgia. O presidente da Geórgia assinou o acordo de cessar-fogo, mas garante que nunca vai permitir uma ocupação russa nem cederá um “quilómetro quadrado” do seu território.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
Condoleeza Rice transmitiu a solidaridade da Administração Bush ao Presidente da Geórgia RTP

“Depois da assinatura deste acordo, todas as forças russas e as tropas paramilitares e não-regulares que as acompanharam na entrada na Geórgia deverão retirar imediatamente”, declarou Condoleezza Rice, em Tbilissi, minutos após a assinatura do acordo para o fim do conflito, que dura há uma semana.

A propósito das movimentações no território georgiano de tanques russos, a diplomata norte-americana considera que o presidente Medvedev “não honrou” a sua promessa de pôr fim a todas as operações militares na Geórgia.

A Rússia havia explicado que as movimentações no terreno eram necessárias para a preparação da retirada. Contudo, uma porta-voz do ministério georgiano da Defesa interrogava-se hoje sobre o “verdadeiro motivo” para o facto de 10 blindados russos terem avançado da cidade de Gori para um local a 40 quilómetros da capital da Geórgia.

O acordo foi assinado após uma reunião de cinco horas entre a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, e o Presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. O acordo foi delineado entre o presidente em exercício da União Europeia, Nicolas Sarkozy, e o Chefe de Estado russo, Dmitri Medvedev.

Condoleezza Rice defendeu o envio de uma "força internacional de manutenção de paz robusta e imparcial" para o território.

Presidente da Geórgia avisa que não cederá um quilómetro quadrado

“Hoje assinei o acordo de cessar-fogo”, disse Mikhail Saakashvili, mas sublinhou que não irá ceder “um quilómetro quadrado” do seu território.

Também garantiu que nunca reconhecerá a independência da Abecásia e a Ossétia do Sul. “Só existe uma soberania na Geórgia, Abecásia e Ossétia do Sul (…) Só o Governo pode tolerar a presença de forças no seu território”, disse.

Saakashvili reafirmou que a Rússia mantém ocupada "parte significativa" do seu país.

Perante a secretária de Estado norte-americana, Saakashvili referiu a presença de 1.200 tanques russos na Geórgia e criticou o silêncio da comunidade internacional face à "agressão de Moscovo".

O Presidente da Geórgia referiu-se às tropas russas como "bárbaros" e "assassinos a sangue-frio". A Geórgia está "a olhar o mal directamente nos olhos", declarou o Chefe de Estado.

Bush acusa Rússia de "intimidação"

O Presidente dos Estados Unidos voltou a defender, ainda antes da assinatura do acordo de cessar-fogo, que a soberania da Geórgia deve ser respeitada.

George W.Bush elogiou o percurso democrático e a evolução económica da Geórgia, assim como a sua participação militar no Iraque e Afeganistão.

A posição da Rússia nesta questão voltou a merecer as críticas do Chefe de Estado dos EUA. "Infelizmente, a Rússia encara a expansão da liberdade e da demoracia, como uma ameaça aos seus interesses. O oposto é a verdade", afirmou.

O Chefe de Estado lembrou que "a Guerra Fria acabou. Os dias dos Estados-satélites e esferas de influência ficaram para trás".

A sua comunicação na Casa Branca terminou com um aviso a Moscovo sobre a importância da cooperação e da paz entre as duas potências. "Um relacionamento contencioso com a Rússia não é do interesse dos EUA e um relacionamento contencioso com a América não é do interesse da Rússia", disse George W. Bush.

Angela Merkel assume defesa da Geórgia

A chanceler alemã encontrou-se hoje com o Presidente russo, em frente de quem disse entender ter sido "desproporcionada" a reacção da Rússia à intervenção militar da Geórgia na Ossétia do Sul.

"O ponto de partida (para resolver a crise) deve ser naturalmente a intergridade territorial da Geórgia (...) Existe um Governo eleito na Geórgia, com o qual devemos falar e negociar", acrescentou Angela Merkel, que defendeu a necessidade de por em prática "muito rapidamente" o plano de paz de Sarkozy.

O Presidente russo, por seu turno, voltou a referir que a Geórgia cometeu uma "agressão" e causou uma "catástrofe humanitária" ao intervir na região separatista.

"A segurança foi restaurada, mas as forças de paz russas vão continuar no Cáucaso", disse Dmitri Medvedev.

O conflito na Geórgia aumentou a tensão entre a Ucrânia e a Rússia. O Presidente Viktor Iouchtchenko ordenou restrições aos navios da frota russa com base em território ucraniano, no Mar Negro. Moscovo já respondeu que não irá acatar esta decisão, por considerar que é uma ordem ilegal.
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