Covid-19. EUA aprovam uso total da vacina da Pfizer e advertem contra antiparasitário animal

por RTP
A vacina da Pfizer foi ministrada em mais de 204 milhões de norte-americanos desde dezembro e até domingo. Ao todo, foi vacinada 51 por cento da população dos Estados Unidos. Brendan Mcdermid - Reuters

O regulador norte-americano do medicamento deu o completo aval para que seja ministrada a vacina da Pfizer/BioNTech a maiores de 16 anos. Ao mesmo tempo, iniciou uma campanha para reduzir o consumo de ivermectina, um fármaco utilizado para desparasitar animais.

A FDA (Food and Drug Administration) “aprovou a primeira vacina contra a Covid-19” nos Estados Unidos, anunciou o regulador em comunicado, tendo-se para tal fundamentado nos dados de acompanhamento de longo prazo apresentados pela companhia farmacêutica.

A vacina da Pfizer/BioNTech, tal como as da Moderna e da Johnson&Johnson, tinha desde dezembro uma autorização temporária de emergência. A partir de agora pode ser ministrada livremente em pessoas com mais de 16 anos, em duas doses. Será comercializada com o nome Comirnaty.

"Embora milhões de pessoas já tenham recebido as vacinas contra aCovid-19 com segurança reconhecemos que, para alguns, a aprovação de uma vacina pela FDA pode agora inspirar confiança adicional para serem vacinados", declarou Janet Woodcock, do regulador norte-americano.

A variante Delta atingiu com maior gravidade as zonas do país com mais baixos índices de vacinação, tendo alguns Estados ficado sem capacidade de tratamento intensivo. A maior parte das hospitalizações são de pessoas não vacinadas.
“Tu não és um cavalo”
No mesmo dia em que a vacina Pfizer é aprovada, a FDA recomeça uma campanha de informação para desincentivar a utilização de ivermectina, um fármaco utilizado na desparatização de animais, contra a Covid-19.

“Tu não és um cavalo”, dizia. “Tu não és uma vaca. A sério, pessoal. Parem com isso”, lê-se no tweet publicado pela FDA.
A utlização deste fármaco no tratamento contra a Covid-19 foi impulsionada nas redes sociais, por políticos e por meios de comunicação conotados com a direita.

“[Se] a ivermectina é aquilo que os que examinaram as evidências pensam que é ... o debate sobre as vacinas estaria encerrado por definição”, declarava em julho, Bret Weinstein, biólogo, à Fox News.

Em dezembro, no Senado, alguns médicos defenderam o uso da ivermectina juntamente a hidroxicloroquina, antes defendida por Donald Trump, entre outras terapias alternativas.

A ivermictina chegou mesmo a ser chamada de “droga milagrosa” pelo especialista em doenças pulmonares Pierre Kory, do centro médico Aurora St. Luke, em Milwaukee. Posteriormente, os resultados dos testes indicaram que o fármaco não inibia a replicação do vírus.

“É muito diferente de uma replicação de laboratório in vitro para ajudar os humanos”, explicou Nasia Safdar, diretora médica de prevenção de infecções do Hospital da Universidade de Wisconsin-Madison, citada pela Associated Press.

A melhor proteção que temos contra a Covid-19 é a vacina e, se você apanhar Covid-19, nós realmente temos tratamentos que funcionam. A ivermectina não é um deles”, declarou o cirurgião Vivek Murthy à CNN.

A ivermictina está aprovada “para o tratamento de determinados parasitas internos e externos em várias espécies animais” e as “pessoas nunca devem tomar fármacos animais (uma vez que) a sua utilização acarreta pode causar sérios danos”, lê-se na folha de informação da FDA sobre o fármaco.

Entre os efeitos secundários da toma da ivermictina estão a “erupção cutânea, náusea, vómitos, diarreia, dores de estômago, inchaço facial ou dos membros, eventos adversos neurológicos (tonturas, convulsões, confusão), queda repentina da pressão arterial, severa erupção cutânea que pode exigir hospitalização e lesão hepática (hepatite)”.

“Qualquer uso da ivermictina para a prevenção e tratamento da Covid-19 deve ser evitado”, refere ainda o documento. Os seus autores notam ainda que qualquer “medicação para tratar ou prevenir a Covid-19” deve ser prescrita por um médico ou adquirida através de “fontes legítimas”.

Na semana passada, pelo menos uma pessoa foi hospitalizada no Mississippi, devido à toma de ivermictina. Ainda de acordo com a FDA, a procura da substância para uso humano tem aumentado, o que a torna mais difícil de encontrar pelos proprietários de animais.

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