Drone russo cai na Polónia. Varsóvia denuncia nova "provocação" da Rússia aos países da NATO

Drone russo cai na Polónia. Varsóvia denuncia nova "provocação" da Rússia aos países da NATO

As autoridades polacas relataram uma explosão no seu território durante a noite no leste da Polónia. Afirmam que se tratou de um drone russo que não causou vítimas. O ministro polaco da Defesa denunciou uma nova "provocação" de Moscovo aos países da NATO num "momento crucial" das negociações de paz para a Ucrânia, enquanto o chefe da diplomacia polaca denunciou "uma nova violação do espaço aéreo".

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Aleksandra Szmigiel - Reuters

Após a queda e explosão, durante a última noite, de um drone num campo de milho perto de Osiny, no leste da Polónia, a cerca de 100 quIlómetros da capital, Varsóvia, identificou a origem do dispositivo. 

"Mais uma vez, estamos a lidar com uma provocação da Federação Russa, com um drone russo", declarou o ministro polaco da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, esta quarta-feira aos jornalistas. 

"Estamos a lidar com um momento crucial, em que estão em curso discussões sobre a paz, em que existe a esperança de que esta guerra tenha uma hipótese de terminar. A Rússia provoca mais uma vez", acrescentou Wladyslaw Kosiniak-Kamys. 


Segundo o ministro da Defesa da Polónia, país vizinho da Rússia e membro da NATO, a "Rússia provoca mais uma vez os países da NATO, após os incidentes envolvendo drones que ocorreram na Roménia, Lituânia e Letónia, bem como as violações do espaço aéreo que ocorreram em quase todos os países da NATO, em particular na Escandinávia, nos países bálticos, bem como na Polónia, Roménia e Bulgária», escreveu ainda o ministro na rede social X.

Também o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, Radosław Sikorski, denunciou, "uma nova violação do nosso espaço aéreo vinda do Leste". De acordo com o chefe da diplomacia polaca, o incidente confirma que "a missão mais importante da Polónia em relação à NATO é a defesa do nosso próprio território"


O incidente ocorre um dia após a reunião de líderes na Casa Branca, entre Donald Trump, Volodymir Zelensky e os líderes europeus sobre a paz na Ucrânia. No final do encontro, o presidente dos EUA anunciou "preparativos" para uma cimeira entre Vladimir Putin e Volodymir Zelensky.

Após o chefe de Estado ter anunciado publicamente estar pronto para se encontrar com Putin, o presidente russo manifestou disponibilidade para se encontrar com o homólogo ucraniano dentro de duas semanas e propôs um encontro em Moscovo, sugestão descartada por Zelensky provavelmente devido aos riscos para a sua própria segurança.

Enquanto prosseguem as conversações entre os líderes sobre o local da Cimeira entre a Rússia e a Ucrânia, estão em cima da mesa, Viena, na Áustria e Genebra, na Suíça, esta última proposta pelo presidente francês Emmanuel Macron. Na terça-feira, a Suíça disse estar "mais do que pronta" para acolher o encontro e precisou que o país oferecerá "imunidade" a Vladimir Putin se ele vier para uma conferência de paz, anunciou o ministro suíço dos Negócios Estrangeiros, Ignazio Cassis. 
"Discutir garantias de segurança sem a Rússia é utópico"
A propósito das garantias de segurança para a Ucrânia, cerca de dez países europeus estão prontos para enviar tropas para a Ucrânia para garantir um possível acordo de paz, entre eles o Reino Unido. No entanto, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, afirmou esta quarta-feira que as garantias de segurança para a Ucrânia não poderiam ser decididas sem a aprovação da Moscovo.

"O Ocidente compreende perfeitamente que discutir seriamente garantias de segurança sem a Rússia é utópico, é um caminho que não leva a lado nenhum", afirmou Serguei Lavrov no final das negociações, esta quarta-feira, com o chefe da diplomacia da Jordânia. "Não podemos aceitar que as questões de segurança coletiva sejam agora abordadas sem a Rússia", acrescentou.

Recorde-se que recentemente um drone do mesmo tipo foi encontrado no início de agosto na Lituânia, o que levou Vilnius a considerar uma "situação alarmante" e a pedir à NATO que tomasse "medidas imediatas" para reforçar a sua defesa aérea. 

c/agências 
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