Eleições na Alemanha: Scholz reclama vitória e Laschet fala de coligação Jamaica

por RTP
A primeira sondagem à boca das urnas apontou para um empate técnico Focke Strangmann/EPA

A primeira projeção à boca das urnas, divulgada pela televisão pública ARD, aponta para um empate entre os sociais-democratas do SPD e os conservadores da CDU, com 25 por cento cada. Já a sondagem da ZDF, dá ligeira vantagem ao SPD, com 26 por cento, seguido da CDU com 24 por cento. Numa segunda projeção, os dois canais davam ligeira vantagem ao SPD.

A primeira projeção da ARD dá aos Verdes 15 por cento e ao Partido Democrático Liberal (FDP) 11 por cento. Qualquer um destes partidos poderá participar da coligação que se formar para o novo governo.

Menos de uma hora depois da primeira sondagem, os dois canais lançaram novas projeções. A ARD dava 24,9 por cento para o Partido Social-Democrata (SPD) e 24,7 por cento para a União Democrata-Cristã (CDU).

Na nova projeção Os Verdes de Annalena Baerbock têm 14,8 por cento, seguidos do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 11,3 por cento. Para os democratas liberais são esperados 11,2 por cento e cinco por cento para a Esquerda.

Já a segunda sondagem à boca das urnas da ZFD dava 25,8 por cento para o SPD e 24,2 para a CDU. Esta projeção indica 14,7 por cento para Os Verdes e, como quarta força política, os Democratas Liberais com 11,8 por cento. Nesta estimativa, a AfD aparece com 10,8 por cento dos votos

No entanto, estes primeiros números divulgados após o encerramento das urnas devem ser encarados com prudência, uma vez que não incluem o voto por correspondência.

Por causa da pandemia mais de metade dos eleitores alemães poderão ter optado pelo voto por correio, modalidade que pode registar níveis recorde no atual escrutínio.

À exceção da cidade-estado de Berlim, as mesas de voto para as eleições federais alemãs, que irão escolher os deputados do Bundestag (câmara baixa do parlamento federal da Alemanha), após 16 anos de governação da chanceler Angela Merkel, encerraram às 18h00 locais (17h00 de Lisboa).

As assembleias de voto abriram, em todo o país, às 08h00 locais, com cerca de 60,4 milhões de eleitores a serem chamados a votar, um número inferior do que nas eleições de 2017.

SPD reclama vitória

"Temos mandato para formar governo. Olaf Scholz [candidato social-democrata] tornar-se-á chanceler", reagiu de imediato o secretário-geral do Partido Social Democrata (SPD) alemão, Lars Klingbeil.

Também o próprio candidato não perdeu tempo a reclamar que os eleitores o escolheram para ser “o próximo chanceler”.

"É um grande sucesso e vai ser uma longa noite de certeza", declarou Olaf Scholz. “Outra coisa é certa: muitos cidadãos desistiram do SPD porque querem uma mudança de governo e também porque querem que o próximo chanceler se chame Olaf Scholz”, disse.

CDU pensa em coligações

Já o candidato apoiado por Angela Merkel considera que o seu partido não pode estar satisfeito com os resultados da eleição, mas fará todo o possível para construir um governo liderado pelos conservadores.

"Não podemos ficar satisfeitos com os resultados da eleição", disse Armin Laschet aos apoiantes no rescaldo da divulgação das primeiras projeções, que apresentam os conservadores um pouco atrás dos social-democratas.

"Faremos todo o possível para construir um governo de liderança conservadora porque os alemães agora precisam de uma coligação que modernize o nosso país", declarou. “Provavelmente será a primeira vez que teremos um governo com três parceiros”, acrescentou.

Um pouco antes, o número dois da União Democrata-Cristã (CDU) admitia à ARD "perdas amargas". “Isto dói”, dizia Paul Ziemiak.

Os números mostram que há a possibilidade de uma coligação orientada para o futuro da União (CDU/CSU), dos Verdes e do FDP”, afirmava ainda Zemiak, aludindo à coligação Jamaica, como possível solução de governo. Também para a CDU “será uma longa noite de eleições”.

Nunca na história a CDU de Angela Merkel tinha ficado abaixo do limiar dos 30 por cento. Em 2017, chegou mesmo a registar 32,8 por cento dos votos.

Estes primeiros resultados permitem antever, de acordo com os politólogos, um inesperado renascimento do SPD. 

Os resultados foram saudados com aplausos na sede do partido, em Berlim.

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