Equador. Governo repõe subsídio aos combustíveis e protestos terminam

por RTP
A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) exigiu a revogação do decreto 883 Carlos Garcia Rawlins - Reuters

O Governo do Equador retirou no domingo o polémico decreto que suprimiu os subsídios do Estado ao combustível e vai criar uma comissão com líderes indígenas para passar uma nova lei com que ambas as partes concordem.

A comunidade indígena do Equador, que representa cerca de oito por cento da população e foi a mentora da contestação dos últimos 12 dias na capital Quito, conseguiu agora chegar a acordo com o Governo do Presidente Lenín Moreno.
A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) exigiu a revogação do decreto 883.

Após cerca de quatro horas de negociações, Arnaud Peral, o representante das Nações Unidas no Equador, declarou que os líderes indígenas concordaram em cancelar os protestos que estavam agendados contra o decreto que significava um aumento do preço do combustível.

“Estamos comprometidos em restaurar a paz no país”, garantiu Peral.

Também o Presidente Lenín Moreno considerou que esta é uma solução para a paz e explicou que “o Governo substituirá o decreto 883 por um novo que contenha mecanismos para focar os recursos em quem mais necessita dos mesmos”.


A reforma nos combustíveis tinha sido exigida pelo Fundo Monetário Internacional a troco de um empréstimo superior a três mil milhões de euros. As manifestações nas ruas da capital duraram 12 dias e fizeram pelo menos cinco mortos.

Lenín Moreno tinha já declarado o estado de emergência no país e exigido o recolher obrigatório em Quito. Na passada segunda-feira, o Presidente anunciou que iria mudar a sede do Governo para a segunda maior cidade do país, Guayaquil, mas acabou por regressar à capital dias depois.

O Presidente, que ainda tentou resolver o conflito com tentativas falhadas de aproximação ao povo, entre as quais um aumento nos salários, acabou esta segunda-feira por se ver forçado a revogar o decreto mas considerou o final dos protestos como uma “vitória política”.
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