Estados Unidos. Congressista democrata denuncia ambiente "tóxico" no Congresso

Eleita para a Câmara dos Representantes em 2018, Ilhan Omar compara o ambiente do Congresso a um liceu americano, sendo dominado por "panelinhas". Admitindo estar dececionada com o presidente Joe Biden, Ilhan Omar descreve o Congresso dos Estados Unidos como "um dos mais tóxicos ambientes em que alguma vez estive".

RTP /
Reuters

Instada a descrever como era trabalhar no Congresso, a muçulmana de 39 anos eleita pelo Minnesota descreve uma cena que parece retirada de um filme. “Toda a gente se relaciona com o seu grupo principal e aqueles que querem prejudicar os outros andam juntos. Aqueles que querem ajudar os americanos estão amontoados nos seus gabinetes”, afirmou ao podcast The New Abnormal.

Para Ilhan Omar, os membros do Congresso que colocam entraves a alterações à Constituição “são como os verdadeiros loucos que não reconhecem que foi precisa uma emenda à Constituição para servir ao Congresso. E depois há o resto, como nós”.

Omar, que é natural da Somália e chegou a viver, entre os 8 e os 12 anos, num campo de refugiados antes de a família rumar aos Estados Unidos com o estatuto de refugiada, não hesitou em classificar o ambiente no Congresso como “um dos mais tóxicos ambientes em que alguma vez estive”. E remata: “é como no liceu, é muito por panelinhas”.

Progressistas, “os adultos na sala”

Tendo aprendido a falar inglês com as reposições de Marés Vivas, o interesse de Omar pela política começou quando acompanhava o avô às convenções democratas para ser sua intérprete.

Agora, defende os progressistas perante quem tenta responsabilizá-los por o Partido Democrata não estar a cumprir mais. “Diria que nós somos os adultos na sala. Somos os que estão na mesa a tentar negociar. E, sabe, por vezes estamos dispostos a dar um pouco”, descreve.

Os obstrucionistas têm sido os democratas conservadores”, acusa a eleita pelo Minnesota.

Censuras dos democratas

Por mais de uma vez, Ilhar Omar esteve em desacordo com a maioria democrata. Uma dessas situações foi quando se recusou a aprovar o plano de 1.500 milhões de euros Build Back Better. “Fui chamada de ingénua” por outros democratas, notou.

Um ano após ter sido eleita, Ilhan Omar questionou a política externa para com Israel e disse que não estava a favor de prometer lealdade a uma nação estrangeira, o que lhe valeu acusações de antissemita, vindas dos próprios democratas.

Era a segunda vez que Omar era chamada à atenção pela sua posição sobre Israel. No mês anterior, tinha denunciado que alguns congressistas recebem dinheiro para apoiarem causas israelitas. Depois pediu desculpas pelas afirmações.

Desapontamento com Joe Biden

A congressista declarou ainda desapontamento com o processo de perdão do empréstimo estudantil, uma promessa eleitoral que Biden poderá deixar cair. “É chocante que haja todo este trabalho que temos de fazer com um governo apenas para fazê-lo cumprir as suas promessas”, argumentava.

Quando estava a expor o seu ponto de vista ao podcast, o conselheiro de política económica da administração Biden juntou-se ao programa para garantir que o atual programa de recuperação de empregos é diferente, para melhor, do que o de 2008.
Estamos a tentar fazer tudo o que podemos”, disse Jared Bernstein.

Tornar gratuitos os primeiros dois anos da faculdade comunitária tem sido um tema central da agenda de Biden, que o quis inclui no programa Build Back Better, que visa estimular a retoma económica americana.

A primeira-dama, que é professora de uma faculdade comunitária, anunciou esta segunda-feira que a promessa eleitoral não será incluída no plano já aprovado na Câmara dos Representantes. O motivo: o Senado dos EUA não aprovou a agenda de Biden, que contou entre os opositores o senador Joe Manchin, que argumenta querer limitar os gastos federais.

Para evitar comprometer todo o pacote, os democratas decidiram remover a gratuitidade das faculdades comunitárias como elemento fundamental do pacote.
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