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Estados Unidos e Rússia vão retomar diálogo militar de alto nível

Estados Unidos e Rússia vão retomar diálogo militar de alto nível

A informação chega horas depois do fim do New START, o último tratado nuclear entre Estados Unidos e Rússia que se encontrava ainda em vigor.

Joana Raposo Santos - RTP /
Kevin Lamarque - Reuters

Os Estados Unidos e a Rússia decidiram, durante as negociações de paz sobre a Ucrânia em Abu Dhabi, retomar o diálogo entre militares de alto escalão, informou o Pentágono esta quinta-feira.

"Manter o diálogo entre os exércitos é um fator importante para a estabilidade e a paz no mundo, que só podem ser alcançadas pela força, e oferece uma forma de aumentar a transparência e promover a desescalada", afirmou o Comando Europeu das Forças Armadas Americanas em comunicado.

A decisão surge após "avanços produtivos e construtivos" nas negociações de paz sobre a Ucrânia em Abu Dhabi, nas quais participaram o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o seu genro Jared Kushner, indicou o comunicado.

O general Alexus Grynkewich, do Comando Europeu dos EUA, pretende "manter um diálogo militar com o chefe do Estado-Maior da Federação Russa, o general Valery Gerasimov, a fim de evitar erros de cálculo e prevenir qualquer escalada involuntária de ambos os lados".
Rússia preparada para "conduzir diálogo"

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse por sua vez que a Rússia está pronta para dialogar com os Estados Unidos, desde que Washington responda de forma construtiva à sua proposta para continuar a cumprir os limites do tratato nuclear New START.

"Se houver respostas construtivas, claro que iremos conduzir um diálogo", disse Peskov aos jornalistas.

O site de notícias Axios avançou entretanto que Washington e Moscovo estarão perto de alcançar um acordo para prolongar o prazo do New START, possivelmente por seis meses.

Segundo as fontes do Axios, as negociações têm decorrido ao longo das últimas 24 horas em Abu Dhabi, mas ainda não foi alcançado um acordo.

O tratado, que estabelece limites para os mísseis, lançadores e ogivas estratégicas de ambas as partes, é o último de uma série de acordos nucleares que remontam à Guerra Fria.
Trump quer incluir China

O New START foi assinado em 2010 entre o então presidente norte-americano Barack Obama e o seu homólogo russo, Dmitry Medvedev, entrando em vigor no ano seguinte.

O acordo, com duração de dez anos, permitia uma única prorrogação por cinco anos, que foi assinada pelo ex-presidente Joe Biden e pelo presidente russo Vladimir Putin.

Qualquer nova prorrogação exigiria uma decisão executiva para estender voluntariamente os limites do tratado.

Em 2023, na sequência do apoio dos EUA à Ucrânia, Moscovo suspendeu a participação no tratado, mas assegurou que continuaria a cumprir os termos delineados.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que conversou com o presidente chinês Xi Jinping na quarta-feira, disse pretender que a China seja incluída num acordo de redução nuclear. Até agora, porém, Pequim tem recusado negociações com Moscovo e Washington.

A Casa Branca disse esta semana que Trump iria decidir o caminho a seguir no controlo de armas nucleares e que iria esclarecê-lo "no seu próprio cronograma".

c/ agências
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