Mundo
EUA com dúvidas sobre futuro de Assange sob a presidência de Joe Biden
Um procurador norte-americano que defende o julgamento do fundador do WikiLeaks nos EUA disse, na terça-feira, ter dúvidas sobre se o Governo do presidente eleito Joe Biden irá continuar a procurar a extradição de Julian Assange. A justiça britânica recusou esta quarta-feira o pedido de libertação sob fiança de Assange, dois dias depois de ter bloqueado a extradição do australiano para os EUA.
Zachary Terwilliger, o procurador dos EUA para o Distrito Leste da Virgínia que procura julgar o fundador do Wikileaks, Julian Assange, pela divulgação de documentos confidenciais, explica que o processo de recurso apresentado pelos Estados Unidos contra a recusa das autoridades britânicas em permitir a extradição do australiano pode ser arrastado por vários meses, durante os quais Joe Biden terá já assumido a presidência.
Terwilliger diz, por isso, ter dúvidas sobre se Biden irá dar continuidade aos esforços de extradição de Assange. A administração de Biden ainda não fez comentários sobre a posição que irá tomar no caso de Assange. No entanto, segundo a National Public Radio (NPR), um porta-voz anunciou que Biden exigiu um Departamento de Justiça independente na sua administração.
“Será muito interessante ver o que vai acontecer com este caso”, disse o procurador em declarações à NPR, uma organização de comunicação social sem fins lucrativos dos EUA. “Haverá algumas decisões a serem tomadas. Algumas delas vão ser sobre recursos e sobre onde concentrar as energias”, acrescentou. Terwilliger, que foi nomeado para o cargo pelo presidente cessante Donald Trump, anunciou na terça-feira que vai demitir-se oficialmente do cargo a 15 de janeiro, cinco dias antes de Joe Biden tomar posse como 46º presidente dos Estados Unidos.
Na segunda-feira, Assange tinha conseguido uma vitória judicial, depois de a justiça britânica ter rejeitado um pedido de extradição para os Estados Unidos, onde o australiano de 49 anos é acusado de 18 crimes (17 de espionagem e um de uso indevido do computador) e arrisca uma pena de até 175 anos de prisão pela divulgação de milhares de documentos diplomáticos e militares confidenciais, principalmente de missões no Iraque e no Afeganistão.
A juíza Vanessa Baraitser recusou a extradição, por motivos de saúde, argumentando que o fundador da WikiLeaks poderia cometer suicídio no caso de ser mantido nas duras condições de prisão nos Estados Unidos.
"A condição mental do senhor Assange é tal que seria uma decisão opressiva extraditá-lo para os Estados Unidos da América", argumentou Baraitser. A juíza explicou que Assange é "um homem deprimido, às vezes em desespero" e que tinha a "determinação" de contornar quaisquer medidas de prevenção de suicídio das autoridades prisionais.
Esta quarta-feira, o whistleblower voltou a sofrer uma derrota. A juíza responsável pelo processo recusou o pedido de libertação sob fiança e decidiu que o fundador do WikiLeaks vai permanecer em detenção enquanto aguarda a decisão do recurso. O caso será agora ouvido no Supremo Tribunal do Reino Unido numa data ainda a especificar.
A Justiça britânica justificou a decisão com o perigo de fuga do arguido, argumentando que havia o risco plausível de que Julian Assange não comparecesse mais em tribunal para as restantes audiências.
Assange vai, assim, permanecer detido em Belmarsh, uma prisão de alta segurança de Londres, onde se encontra desde abril de 2019. Nessa altura saiu da Embaixada equatoriana em Londres, onde estivera refugiado durante sete anos.
“Uma grande deceção”
Stella Moris, companheira de Julian Assange, criticou a decisão de negar o pedido de libertação sob fiança do australiano e apelou ao presidente norte-americano para que lhe atribua um indulto.
“É uma grande deceção”, disse Moris aos jornalistas no exterior no tribunal. “Julian não devia estar na prisão de Belmarsh em primeiro lugar. Apelo ao Departamento de Justiça para que retire as acusações e ao presidente dos Estados Unidos para que perdoe Julian”, pediu a companheira do jornalista australiano.
Também o relator especial das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, enviou uma carta aberta ao presidente cessante para que acrescentasse o nome de Assange na lista de indultos. Melzer apelou a um perdão presidencial baseado, principalmente, no facto de o jornalista australiano apenas "ter dito a verdade" sobre crimes de guerra norte-americanos.
O advogado de Assange, Edward Fitzgerald, criticou igualmente a decisão da juíza, defendendo que o fundador da WikiLeaks estaria mais seguro em casa com a sua companheira e os dois filhos do que na prisão, onde há “uma grave crise de Covid-19”.
Depois de o tribunal britânico ter recusado a extradição de Assange para os EUA, o Governo australiano continua a recusar defender o fundador da WikiLeaks. O primeiro-ministro Scott Morrison e a ministra dos Negócios Estrangeiros Marise Payne reiteraram que o caso que envolve o jornalista australiano nada tem a ver com eles, argumentando que “não são parte” do julgamento britânico e insistindo para que o processo judicial “siga o seu curso”.
Terwilliger diz, por isso, ter dúvidas sobre se Biden irá dar continuidade aos esforços de extradição de Assange. A administração de Biden ainda não fez comentários sobre a posição que irá tomar no caso de Assange. No entanto, segundo a National Public Radio (NPR), um porta-voz anunciou que Biden exigiu um Departamento de Justiça independente na sua administração.
“Será muito interessante ver o que vai acontecer com este caso”, disse o procurador em declarações à NPR, uma organização de comunicação social sem fins lucrativos dos EUA. “Haverá algumas decisões a serem tomadas. Algumas delas vão ser sobre recursos e sobre onde concentrar as energias”, acrescentou. Terwilliger, que foi nomeado para o cargo pelo presidente cessante Donald Trump, anunciou na terça-feira que vai demitir-se oficialmente do cargo a 15 de janeiro, cinco dias antes de Joe Biden tomar posse como 46º presidente dos Estados Unidos.
Na segunda-feira, Assange tinha conseguido uma vitória judicial, depois de a justiça britânica ter rejeitado um pedido de extradição para os Estados Unidos, onde o australiano de 49 anos é acusado de 18 crimes (17 de espionagem e um de uso indevido do computador) e arrisca uma pena de até 175 anos de prisão pela divulgação de milhares de documentos diplomáticos e militares confidenciais, principalmente de missões no Iraque e no Afeganistão.
A juíza Vanessa Baraitser recusou a extradição, por motivos de saúde, argumentando que o fundador da WikiLeaks poderia cometer suicídio no caso de ser mantido nas duras condições de prisão nos Estados Unidos.
"A condição mental do senhor Assange é tal que seria uma decisão opressiva extraditá-lo para os Estados Unidos da América", argumentou Baraitser. A juíza explicou que Assange é "um homem deprimido, às vezes em desespero" e que tinha a "determinação" de contornar quaisquer medidas de prevenção de suicídio das autoridades prisionais.
Esta quarta-feira, o whistleblower voltou a sofrer uma derrota. A juíza responsável pelo processo recusou o pedido de libertação sob fiança e decidiu que o fundador do WikiLeaks vai permanecer em detenção enquanto aguarda a decisão do recurso. O caso será agora ouvido no Supremo Tribunal do Reino Unido numa data ainda a especificar.
A Justiça britânica justificou a decisão com o perigo de fuga do arguido, argumentando que havia o risco plausível de que Julian Assange não comparecesse mais em tribunal para as restantes audiências.
Assange vai, assim, permanecer detido em Belmarsh, uma prisão de alta segurança de Londres, onde se encontra desde abril de 2019. Nessa altura saiu da Embaixada equatoriana em Londres, onde estivera refugiado durante sete anos.
“Uma grande deceção”
Stella Moris, companheira de Julian Assange, criticou a decisão de negar o pedido de libertação sob fiança do australiano e apelou ao presidente norte-americano para que lhe atribua um indulto.
“É uma grande deceção”, disse Moris aos jornalistas no exterior no tribunal. “Julian não devia estar na prisão de Belmarsh em primeiro lugar. Apelo ao Departamento de Justiça para que retire as acusações e ao presidente dos Estados Unidos para que perdoe Julian”, pediu a companheira do jornalista australiano.
Também o relator especial das Nações Unidas para a Tortura, Nils Melzer, enviou uma carta aberta ao presidente cessante para que acrescentasse o nome de Assange na lista de indultos. Melzer apelou a um perdão presidencial baseado, principalmente, no facto de o jornalista australiano apenas "ter dito a verdade" sobre crimes de guerra norte-americanos.
O advogado de Assange, Edward Fitzgerald, criticou igualmente a decisão da juíza, defendendo que o fundador da WikiLeaks estaria mais seguro em casa com a sua companheira e os dois filhos do que na prisão, onde há “uma grave crise de Covid-19”.
Depois de o tribunal britânico ter recusado a extradição de Assange para os EUA, o Governo australiano continua a recusar defender o fundador da WikiLeaks. O primeiro-ministro Scott Morrison e a ministra dos Negócios Estrangeiros Marise Payne reiteraram que o caso que envolve o jornalista australiano nada tem a ver com eles, argumentando que “não são parte” do julgamento britânico e insistindo para que o processo judicial “siga o seu curso”.
Julian Assange “está livre de voltar para casa”, na Austrália, assim que os processos judiciais contra ele estejam resolvidos, adiantou apenas o primeiro-ministro australiano.
c/agências