EUA e Irão à beira de acordo. Anunciado "texto final consensual" entre críticas a "campanha de desinformação"

EUA e Irão à beira de acordo. Anunciado "texto final consensual" entre críticas a "campanha de desinformação"

Primeiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, escreveu na rede X, que o memorando entre Teerão e Washington "nunca esteve tão próximo". Duas horas depois, o mediador Paquistão anunciou que tinha sido alcançado um "texto final consensual".

Graça Andrade Ramos - RTP /
Rua em Teerão Foto: Majid Asgaripour - WANA - Reuters

Em escassas horas, Teerão deu sinais de ter aceitado um memorando de entendimento com Washington, dando crédito ao anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que um acordo poderia ser assinado no fim de semana. 

Após notícias publicadas durante a manhã, pelos meios de notícias estatais iranianos, sobre pormenores do texto opostos aos interesses norte-americanos, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse que “os meios de comunicação social devem abster-se de especular" sobre o conteúdo do acordo com os Estados Unidos, até que este "seja finalizado". “Em consonância com a nossa abordagem responsável e transparente, todos os detalhes serão partilhados com o público oportunamente”, escreveu Araghchi, depois de frisar que um memorando de entendimento entre Teerão e Washington "nunca esteve tão próximo". 

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país serviu de mediador nas negociações entre os dois lados, ecoou depois as críticas às notícias publicadas de manhã, denunciando uma "campanha de desinformação".

Sharif anunciou que as partes chegaram a um “texto final e consensual do acordo de paz” e disse que “a paz nunca esteve tão próxima como agora”. O Paquistão está agora a trabalhar para “finalizar os próximos passos”, escreveu Sharif numa publicação no X, criticando ainda o que chamou de “incessante campanha de desinformação promovida por aqueles que querem sabotar o acordo de paz”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou quinta-feira nas intenções de atacar o Irão, pela terceira noite consecutiva, e anunciou que um acordo com o Irão poderia ser assinado já no fim de semana, na Europa

Trump mencionou também que o supremo líder iraniano tinha dado "luz verde" ao acordo.

Mas, sexta-feira, o presidente dos EUA regressou às críticas duras a Teerão, depois de terem aparecido descrições imprecisas da proposta nos meios de comunicação estatais iranianos.

Ao contrário dos primeiros rumores sobre o conteúdo do acordo, a imprensa oficial iraniana noticiou que não haveria renúncia ao programa nuclear, desmentindo informações anteriores avançadas por fontes ocidentais.

Estaria afinal previsto discutir o programa com Washington num prazo de 60 dias. "O Irão só negociará o programa nuclear no âmbito dos princípios fundamentais da República Islâmica, e questões como o direito do Irão a enriquecer urânio e a conservação de material enriquecido (...) serão apresentadas para inclusão no acordo final", afirmou a agência oficial de notícias iraniana IRNA, citada pela agência francesa AFP.

No projeto de acordo-quadro, Teerão recusava igualmente ceder o controlo estratégico do Estreito de Ormuz, nos termos do projeto de acordo-quadro com os Estados Unidos, avançou também a IRNA.

"O Irão não assume qualquer compromisso neste texto de ceder a gestão do Estreito ou de restaurar as condições que prevaleciam antes da agressão militar americana e israelita", segundo a IRNA, que descreveu "as linhas principais do texto atual" atualmente a ser finalizado.

Citando uma fonte próxima da equipa negociadora iraniana, a agência afirmou também que o rascunho incluía "a libertação" de 24 mil milhões de dólares (cerca de 20,7 mil milhões de euros) "em fundos iranianos bloqueados durante o último período de negociação de 60 dias", acrescentando que metade deste montante seria "disponibilizado ao Irão antes do início das negociações".
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