EUA foram convidados a participar dos exercícios militares na Gronelândia

A garantia foi deixada pelo Chefe do Comando Conjunto do Ártico, à AFP, numa entrevista dada a bordo de um navio da Marinha Dinamarquesa, atracado no porto de Nuuk, a capital da Gronelândia.

RTP /
Chefe do Comando Conjunto do Ártico, Søren Andersen, em Nuuk, Gronelândia Marko Djurica - Reuters

O general Søren Andersen considerou o convite natural. "É claro que os Estados Unidos, como membro da NATO, estão convidados", afirmou.Os exercícios militares vão decorrer na Gronelândia ao longo de 2026 e estão relacionados com a Rússia, referiu.

O governo dinamarquês justificou os exercícios e os seu alargamento aos aliados com a necessidade de treinar a capacidade das suas forças militares para operarem em condições árticas.

A decisão irá reforçar ainda a presença da aliança no Ártico, em benefício da segurança europeia e transatlântica, explicou Copenhaga.

À AFP, Andersen referiu que falou igualmente com outros aliados da NATO, convidando-os a "virem para aqui".

Suécia, França, Alemanha e Noruega anunciaram já o envio de pequenos contingentes militares para "reconhecimento" da ilha.

Países Baixos, Finlândia e Reino Unido associaram-se, com o envio de algumas equipas militares, em antecipação aos exercícios que irão realizar-se no Ártico.Este ano, os exercícios incluem a protecção de infra-estruturas críticas, o apoio às autoridades locais na Gronelândia, incluindo a polícia, o acolhimento de tropas aliadas, o destacamento de aviões de combate na Gronelândia e arredores e a realização de operações navais.
As Forças Armadas Dinamarquesas na Gronelândia, bem como nas Ilhas Faroé, são lideradas pelo Comando Conjunto do Ártico.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou já o envio "nos próximos dias" de novos "meios terrestres, aéreos e marítimos" para o território.

O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund-Poulsen disse esta quinta-feira que não tinha um número final para a presença alargada da NATO na Gronelândia.

"Mas é claro que agora poderemos planear uma presença maior e mais permanente ao longo de 2026, e isso é crucial para mostrar que a segurança no Ártico não é apenas para o Reino da Dinamarca, mas para toda a NATO”, declarou.

Nuuk regista já um aumento da presença de soldados, confirmou um jornalista da Agência France Press no local.
Mais tarifas
A secretária de imprensa da Casa Brancam Karoline Leavitt, reagiu quinta-feira a esta iniciativa de vários países europeus, relativizando o seu impacto.

"Não creio que o destacamento de tropas na Europa tenha qualquer impacto nas decisões do presidente, e muito menos no seu objectivo de anexar a Gronelândia", afirmou.

Donald Trump não ficou calado e, sexta-feira, ameaçou impor tarifas aos países que não apoiem o seu plano de anexação da Gronelândia.Em entrevista ao Financial Times, o ministro francês das Finanças apontou o risco para as relações comerciais com a União Europeia representado pelas ambições de Trump.

A anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos está "fora de questão", respondeu por seu lado o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, sobre uma das possibilidades de domínio territorial avançadas pela Administração Trump.

O general Søren Andersen afirmou ainda à AFP que não existem navios russos ou chineses perto da Gronelândia, desmentindo uma das frequentes alegações do presidente norte-americano para justificar a necessidade de segurança dos Estados Unidos da América para assumirem o controlo da ilha.

Trump diz que a Gronelândia será dos EUA, "a bem ou a mal", mas os habitantes da ilha semi-autónoma dinamarquesa, já rejeitaram tornar-se cidadãos norte-americanos.

Para sábado estão previstas diversas manifestações, em Nuuk e na Dinamarca, contra as pretensões do presidente dos Estados Unidos.
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