EUA não vão "esperar sentados" que o Irão desenvolva armas nucleares

O enviado especial norte-americano para o Irão, Rob Malley, garantiu em entrevista esta tarde que os Estados Unidos não ficar parados sem fazer nada se Teerão se "aproximar muito" de desenvolver uma bomba atómica.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Um mural a marcar os 42 anos da expulsão dos Estados Unidos do Irão Reuters

“Se eles começarem a aproximar-se muito, demasiado para o nosso conforto, então claro que não nos preparamos para esperar sentados”, afirmou o enviado-especial em entrevista à Rádio Pública Nacional, sem explicar o que entende por “muito próximo” nem adiantar as opções admitidas pela Administração Biden para agir contra o Irão. O ministro israelita das Finanças afirmou esta terça-feira a convicção de que o Irão irá tornar-se um estado nuclear, com armas nucleares, no prazo máximo de cinco anos. Malley deixou a certeza de que esse cenário não será admitido por Washington.

Depois de os Estados Unidos terem abandonado o acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, sob Donald Trump, Teerão disse-se legitimado para ultrapassar os limites de enriquecimento de urânio que lhe tinham sido impostos como condição para regressar em pleno à comunidade internacional.

França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China têm procurado convencer o Irão a cumprir o acordo e novas conversações estão marcadas para a próxima segunda-feira em Viena de Áustria, com os Estados Unidos como simples observadores.

O Irão tem exigido que Washington abandone as sanções impostas por Trump em 2018 e ainda não levantadas por Biden, assim como garantias de que os norte-americanos não irão voltar a abandonar o acordo.

A Administração Biden tem alertado de que a janela de oportunidade para regressar ao acordado em 2015 se está a fechar, perante a continuação do programa nuclear iraniano.
Teerão e IAEA em confronto
Também o diretor da Agência Internacional da Energia Atómica, Rafael Grossi, reconheceu esta quarta-feira que a organização está a ficar sem tempo para conseguir um acordo que permita ultrapassar questões contenciosas com Teerão, sobretudo quanto às inspeções de centrais nucleares e fábricas de componentes.

Grossi esteve reunido segunda e terça-feira com altos responsáveis iranianos para preparar a ronda negocial da próxima semana. “As discussões foram construtivas mas não conseguimos alcançar um acordo apesar de todos os meus esforços”, declarou aos jornalistas no primeiro dia de uma reunião do conselho de governadores da IAEA em Viena de Áustria.

Após semanas de um silêncio que Grossi classificou como “surpreendente”, o diretor da Agência esperava conseguir progressos em Teerão. “Claramente, não, não pudemos avançar”, lamentou.

Em direta contradição, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Hossein Amir-Abdollahian, anunciou que o país alcançou um entendimento de cooperação corrente com a IAEA e que se irá dar em breve uma reunião para finalizar o texto.
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