EUA. Trump recebido com protestos durante visita às cidades dos tiroteios

Esta quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos visita El Paso e Dayton, ambas as cidades palco dos tiroteios do fim-de-semana que provocaram 31 mortos. Uma multidão em protesto recebeu Donald Trump na cidade do Ohio, acusando o presidente norte-americano de fomentar o ódio no país. É esperado um cenário semelhante em El Paso, para onde o Presidente dos EUA se dirige em seguida.

RTP /
O presidente da câmara de El Paso, Dee Margo, sublinhou que vai receber o presidente dos EUA por ser um “dever formal. Leah Millis - Reuters

Donald Trump já esteve em Dayton, no estado de Ohio. Depois de uma visita de pouco mais de duas horas, o Presidente dos Estados Unidos, acompanhado por Melania Trump, dirige-se agora para El Paso, Texas, neste dia em que visita as cidades onde ocorreram os massacres do último fim-de-semana, com um saldo de 31 mortos.

Na cidade de Dayton, Donald Trump visitou o hospital de Miami Valley, onde conheceu alguns dos funcionários e falou com as vítimas do tiroteio. Não foi feita nenhuma declaração pública.

Uma multidão esperava por Donald Trump, não de braços abertos, mas de braços erguidos segurando cartazes de protesto enquanto gritavam: "Fim ao ódio". Em causa está a retórica que Trump tem adoptado desde a sua campanha eleitoral, fomentando o ódio racial no país.

"Trinta e dois segundos, nove mortos", gritava a multidão, referindo-se ao massacre que decorreu no sábado, em Dayton. "Faz alguma coisa!", continuavam a gritar, dirigindo-se a Donald Trump.

A chefe do executivo municipal de Dayton, Nan Whaley, encorajou os moradores da cidade a “erguerem-se” contra Trump.

“Ele tem de se deitar na cama que fez. A sua retórica tem sido dolorosa para a nossa comunidade”, declarou Whaley, acrescentando que os comentários do presidente norte-americano aos tiroteios foram “muito curtos”.

O presidente norte-americano encontra-se agora a caminho de El Paso, onde se espera uma receção igualmente "calorosa".

O presidente da câmara de El Paso, Dee Margo, sublinhou que vai receber o presidente dos EUA por ser um “dever formal".

Por sua vez, o candidato democrata às eleições de 2020 e residente de El Paso, Beto O’Rourke, foi mais longe nas críticas a Donald Trump. Na sua conta do Twitter, afirmou que “não há lugar” para o presidente dos EUA na cidade do Texas.


“Este é o presidente mais racista que nós já tivemos desde, talvez, Andrew Johnson. Ele ajudou a criar aquilo a que assistimos em El Paso no sábado. Ajudou a criar o sofrimento que estamos a sentir neste momento. Esta comunidade precisa de sarar as suas feridas", disse o democrata.

Donald Trump deixou uma resposta a Beto O’Rourke, argumentando que o candidato democrata "deveria estar calado".

"Crime de ódio" e "terrorismo interno"

O tiroteio de El Paso está a ser rotulado pelas autoridades norte-americanas como um “crime de ódio”.

O responsável pelo massacre, Patrick Crusius, de 21 anos, matou 22 pessoas e feriu outras 24.

Crusius publicou um documento no site extremista 8chan, entretanto bloqueado, onde acusa imigrantes e americanos de primeira-geração, em especial hispânicos, de roubarem empregos e de misturarem culturas nos EUA.

“Este ataque é uma resposta à invasão hispânica do Texas”, escreveu.

O termo “invasão hispânica” foi muitas vezes utilizado pelo presidente dos EUA para descrever a situação na fronteira dos Estados Unidos com o México, sendo, por isso, acusado de ter responsabilidade nos ataques.

Em Ohio, 13 horas depois do tiroteio em El Paso, um segundo massacre causou a morte de nove pessoas. As autoridades norte-americanas suspeitam de “terrorismo interno”.

Ainda não foi estabelecido um motivo conclusivo para o ataque, mas a polícia local diz ter descoberto evidências de que “o atirador estava envolvido em ideologias violentas”.

O que disse Trump?
Na segunda-feira que se seguiu aos tiroteios, Donald Trump pronunciou-se sobre os massacres, argumentando que se tratou de “um crime contra a humanidade”.

“A uma só voz, a nossa nação precisa de condenar o racismo, o extremismo e a supremacia branca", declarou Trump, depois de ele próprio ser acusado de racismo.

Relativamente às leis de acesso às armas nos EUA, um tema em constante discussão, vários críticos têm acusado Trump de não lhe dar a devida atenção durante o seu discurso, focando-se em questões secundárias.

Donald Trump apelou a um esforço conjunto de representantes democratas e republicanos no sentido de aprovação de uma legislação que permita um sistema de identificação de cidadãos.

O objetivo, na opinião de Trump, consiste em estabelecer um controlo dos compradores de armas, dificultando o acesso a “pessoas com problemas mentais”.

O atirador de Dayton, de 24 anos, disparou 41 balas, tendo matado nove pessoas e ferido outras 27. No momento em que foi abatido, ainda tinha na sua posse munições para 250 disparos.

“É fundamentalmente problemático. Ter esse nível de armamento num ambiente civil não regulado, é problemático”, declarou o chefe da polícia de Dayton, Richard Blehl.

O presidente dos EUA alertou, ainda, para os perigos da Internet e para a propagação da cultura da violência através dos videojogos.

“Temos de reconhecer que a internet tem sido um meio perigoso para mentes perturbadas radicalizadas", as quais "executam atos dementes", referiu Trump.

"Temos de iluminar os recantos escuros da internet e parar os assassinos em massa antes de eles agirem", acrescentou.

O presidente norte-americano declarou que “aqueles que cometem crimes de ódio e assassínios em massa” devem ser condenados a pena de morte.

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